11.9.03



O dia que não acabou

o cotonete tem como objectivo informar e levar música de qualidade a ouvidos afoitos, seja através de festas, participações, rádios, cd’s, listas de discussão ou seja lá o que for. já ando por lá quase dois anos. foram quantos fizeram. parabéns!


O dia que não acabou

não, não falarei
das torres gémeas
que caíram
estrepitosamente
no chão — naquele
ll de setembro

paralelismos à parte
Falarei de um outro
ll de setembro
Mais longínquo
E obscuro:

não, não foi em nova iorque,
(vitrine do mundo
nem foi no pentágono
que caiu por terra
com menor alarde
(mas não menos dor)

um salvador —
bombardeado
encurralado
no palácio la moneda
em santiago do chile

com allende
ruíram as esperanças
de todo um continente
ao sul do equador

eles — lá no pacífico
nós — cá no atlântico
paralelas esperanças
que rolaram por terra
naquele ll de setembro
de mil novecentos e
setenta e três.


Poema de Vitória Lima



O dia que não acabou

Dois anos depois do maior ataque já sofrido pelos EUA, a sociedade vive ainda a digerir as suas consequências e sendo remodelado por elas. Ainda se discute a dimensão histórica dos atentados, mas os seus ecos escutaram-se em várias partes do mundo. A guerra ao terrorismo lançada por Bush expôs o enorme poderio bélico americano, cerceou liberdades individuais, redesenhou o quadro geopolítico mundial e abalou as relações entre o islão e os não-muçulmanos. E a guerra prossegue, com os canhões de Washington apontados no Iraque. Outros capítulos virão de uma história iniciada há dois anos e sem prazo para terminar. Sem que note qualquer luz ao fundo. Ou mesmo no princípio.

10.9.03



Companheiros

inseparáveis

pelas

memórias

que me ficaram de ti



Adeus “Uva”

8.9.03



2.ª Feira
, dia de sapateiro.
Um dia em que nada apetece e se discutia futebol. Em casa, no café, no trabalho. Dia de por em dia os dias que se seguem.
Hoje calhou-me a mim Scolari, pois então!
O homem é o menos culpado das asneiras e disparates que se tem cometido desde que o FCP começou a tomar conta disto e o Benfica nunca mais se endireitou. Daí, os sete pecados capitais sem Brad Pitt mas com a cabeça entre as orelhas.
Primeiro erro: Ser português em Portugal
Segundo: Não se ter continuado o Projecto Queiroz com todos os comentadores de futebol.
Terceiro: Não remediar o segundo com o primeiro.
Quarto: A polémica estatística entre Belenenses e Boavista quanto ao dito. Com ou sem janela virada p’ró mar.
Quinto: Estar à espera que o avô Figo, o avô Rui, mais o tio Sérgio e o tio Couto, sirvam de exemplos a miúdos que preferem Beckam, Harry Porter e os jogos da Internet.
Sexto: A Federação e o seu séquito em constantes mutações projecionistas dum futuro que já foi ontem quando os livros escolares estão pela hora da morte.
Sétimo: Termos “levado” 3 da Espanha que está à rasca com a Ucrânia, perdido a esperança nas Esperanças com a Turquia que ninguém sabe quem são, e continuar a assistir à não retoma dos milhões que se gastaram em estádios novos.
E o 11 de Setembro aqui tão perto!

6.9.03



O FUTURO

Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente

Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente
depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.


José Carlos Ary dos Santos



"Os
POETAS
têm de se manter entre nós, ainda que nos corpos não lhes possamos tocar, projectando a escrita na voz e da carícia sentir prazer. Para suster a memória dos nossos, outros com sensibilidade dedicam-lhes a vida num ano, declamando-os.
É expressão de amor concretizado, acto poético a perpetuar-se com sentido. 2003, José Carlos Ary dos Santos. Quarenta anos após A Liturgia do Sangue Pretexto entregue, compromisso de honra. Urge viver Ary, deleitando-nos no prelúdio.
Vós não sois leitores castrados."

* José António Chagas Machado






5.9.03



“Pois é galera. Tá xegando á hora di novas discobertas e tau... di terr um bélogui qui fála.”

Não estou a brincar. O Igor Bellino é um “cara”que tem um blog que fala. E mais: está a experimentar os “post-video” que, tenho a certeza, irá funcionar. Em maio já o tinha descoberto mas como alterei o meu Windows “operandus” perdi um pouco o rasto a muitas coisas que cá tinha. Burrices de principiante, eu sei.
Ele actualmente tem problemas com o servidor mas ainda dá para uma espreitadela.

2.9.03



Para quem gosta de amigos

O Pastilhas.
Isto não é graxa! É uma constatação de que pode haver na Internet onde, sem se conhecer ninguém de parte alguma, se ganham amigos invisíveis de que gostamos automáticamente pelas palavras, pelo tom e pelo tema. No inverso, percebe-se à primeira quem não entende a filosofia para que foi criado e, ao contrário do que se possa imaginar, ninguém é posto de parte de forma literal. São todos senhores do seu nariz e existem os “timings” correctos para colocar-mo-nos ao fresco durante o tempo que se quiser.
Qualquer um sabe que foi, e é, o Miguel Esteves Cardoso que o programou. Não me vou atrever sequer a dizer que o gajo tá mais preocupado com o blog dele ou que possa ter o tempo organizado ao segundo e ao milímetro para não “assistir” mais de perto os “doentes” que inventou e criou. Não. Outros blogs há, que são maçudos, um pouco pretensiosos (mas isso não vem ao caso), que nos proporcionam momentos menos quentes e dos quais se nota uma certa submissão cultural, masoquista, amigável,chame-se o que quiser porque do Tempo faz cada um o que melhor entender.
Ali é um pouco diferente. Todos já sabem andar de pé e deslocam-se sózinhos ao w.c..
Falar com os outros, como quem diz um “Olá, bom dia a todos” é de importância extrema neste mundo virtual. Naquele site (é erro afirmar-se como blog) ainda não se foi “colonizado” pelo sistema temático do windowismo ou do webloggismo. Bem situadas as intervenções, consegue-se aprender a falar de coisas novas e, ao mesmo tempo, de coisas de todos os dias. Dias simples na vida de cada um de onde se roubam aprendizagens e se podem imitar modelos. Descobrir em cada “ela” ou “ele” dos que lá vão uma forma diferente de respirar, de transmitir, de partilhar. São sinais de que existe a certeza que, se se quiser, a liberdade não mais será alterada por despotismos ou coisa que o valha.
Mesmo que se esteja em desacordo ou que não se queira lá ir.


Para quem gosta de ler

Ontem inscrevi-me no Bookcrossing para ter oportunidade de ler livros que não tenho.
E aprender mais.
Também para partilhar, e libertar (esta é uma forma original de troca sem regresso), aqueles que possuo.
Tem um forum onde se esclarecem mutuamente, onde libertam as leituras e onde se trocam ideias e sugestões.
Por estes lados até existe um blog de uma Leitora querida que divulga Ulisses e nos reporta as Ondas de Virginia Woolf. Quem tem medo...?

1.9.03



Hoje apanhei um susto.
Chegado a casa depois de vinte e quatro horas de serviço a minha “pequena” diz-me:
- “Morreu um dos teus amigos”.
Antes de saber pelo Jornal da Tarde, soube por ela. Ao fim de alguns meses doente, tinha-se finado.
- “Vês? Estou na calha desta linha.”
Aproxima-se a hora de quem ainda há pouco tempo, sei lá vinte/trinta anos ainda sonhava com coisas futuras e assim. Olha-se para trás um pouco e perdemos mais um amigo, perde-se mais um dia a relembrar que ainda foi ontem que nos vimos e senti-me velho.
-“Não sejas parvo”. – disse-me. Tentando evitar “aquela coisa de criança” que me dá em momentos de saudade, de lembranças e de angustias, por não ter poder para controlar a própria vida.
- “Já tinha 81 anos. Foi uma pneumonia... E tu ainda não tens 50, homem.” – rematou.
Olhei à minha volta e vi. Realmente não tenho e aí passou o susto. Mas foi como tivesse ainda mais do que ele. A minha velhice ali reposta em dez segundos. Assim, crua e nua, como eu próprio já os tivesse feito. Oitenta e um. De momento, cada canto da casa pareceu-me um século. Olhando o meu cão de frente, pareceu-me ver alguém com quem já tinha estado à cinquenta anos. Os meus livros,... os meus livros pareceram-me estátuas com ervas e musgo em redor da minha lápide. Nos meus cadernos de menino com aparentes pretensões, revivi, por segundos, uma juventude ultrapassada e rude. Uma bola a saltar, um sonhozinho perdido aqui , outro ali, de uma vida feita com amor a tudo, de trabalhos e canseiras, de filhos que não param de pedir e de portas fechadas à minha própria rebeldia. Revi fotografias dos meus que já se foram. O meu Pai... , velho bêbado sem juízo que possuía um coração alentejano maior que o Mundo e a Lua juntos. Moldado da mesma forma como se fazem os homens bons. Jazia ali, exposto numa moldura simples. pequenina, ao lado de outros que também fazem parte da minha vida.
É isto a que estamos reservados? Interroguei-me já com toda a gente a olhar para mim. Pois que seja então. E retirei-me, levando comigo o pano que mais perto tinha
encontrado.

Podia não ter sido um grande actor, mas era meu Amigo e um Homem bom.



30.8.03



Hoje fiz uma limpeza à casa.
Arrumei com algumas coisas e coloquei outras. A filosofia mantêm-se mas as janelas levaram estores novos. Amanhã, domingo, até eu sou capaz de estranhar.
Logo se vê.


Esta ainda não sabia, e desconheço quem avisou se já sabia. Ou ando distraído ou viro-me muito para mim próprio. O que será sinal que isto dos blogs está a fazer de mim outra pessoa. E não quero!
Trata-se de BLOGS FOR THE BOYS que o Ricardo noticiou e que só por acaso o descobri.
E a notícia já é de Julho parece-me. Ando mesmo a dormir. É espreitar.

29.8.03



Esta é uma das formas de agradecer à Tania a solicitude dos seus préstimos e afamados conhecimentos informáticos (e não só).
Boas razões tem a Aninhas para a considerar "uma parte dela".
Obrigado amiga.


Hoje detectei mais uma situação inovadora nos blogs.
É Amiga, é do Benfica e adora quase tudo o que seja italiano. Desde a Capela a Valentino Rossi. Mas gosta ainda mais de todos aqueles que a rodeiam por uma amizade que seja de livre e espontânea vontade. Sem artefactos falsos ou melodramas de cosmética superficiais. Apega-se com facilidade a tudo e a todos da forma mais simples que existe: pelo Amor. É sábia, letrada e bem disposta. Inteligente e descarada.
A sua sensibilidade agrada-me. O seu sentido de injustiça apela a um esforço humano de “nos otros” para melhorar o que houver de mau em nós. A sua loucura é estar entre deus e o diabo e viver a vida durante cada sessenta segundos como de horas, dias, meses e anos se tratasse.
Dou-lhe as boas vindas à blogosfera.
Porque duma amiga se trata, não sabia o que lhe ofertar. Decidi oferecer-lhe flôres.


Casa Pia

Não gosto de falar de coisas das quais quase toda a gente nos blogs têm opinião formalizada. Não sou Jornalista, não sou Jurista ou Advogado de Defesa ou do MP. Já referi que sou psicólogo nas horas vagas e amigo de todos quantos me deixarem ser no tempo disponível de que disponho.
Mas este manganão, com a verdade me engana.
É que os miúdos vão ser ouvidos daqui a poucos dias...
Quem será o manganão...?
O Rui Teixeira...? Não. Falta-lhe ganga nos parágrafos.
O Pedro Namora...? Também não me parece. Carece de pormenorização nos acentos.
O Bibi...? O Carlos...? Alguém que se faz passar por Raquel ou a "Alma Mater" do PS...? Não sei, palavra.
Eu não sou, com toda a franqueza, porque me orgulho de ter sido Casapiano. De tempos mais "vellhinhos"...

26.8.03



Seis perguntas com que acordei sobressaltado:

1 – Qual a verdadeira razão de o Benfica não ser campeão em Portugal?
2 – Qual o endereço de “Gosto de saber que este ano há Verão de S. Martinho.”?
3 – Porque chamam de “peluda” à ministra das Finanças?
4 – Por que razão Bin Laden e Saddam ainda não foram localizados?
5 - Que motivo levou a Kournikova a ignorar-me?
6 – Para que quero eu um blog?

25.8.03

Já passaram quinze anos



Há cem anos, os frequentadores do Chiado poderiam passar toda a sua vida sem ter de se afastar muito daquela zona. Roupas, luvas e chapéus da moda poderiam ser comprados numa das várias lojas onde apareciam as últimas criações de Paris e Londres; os livros de edição mais recente lá estavam nas montras das várias livrarias; os jornais eram vendidos pelas esquinas; e a ópera e o teatro culminavam mais um dia bem passado, ali, onde se sentiam as vantagens da civilização.



Um século depois, tudo isto teve um fim abrupto quando, na noite de 25 de Agosto em 1988, um violento incêndio destruiu o Chiado. Agora, passados quinze anos, o coração de Lisboa volta a palpitar.

23.8.03



Dia 23. Tempo de amar e recordar.

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

21.8.03


Contribuição para o meu entendimento dos desentendimentos dos outros


"Uma doença social percorre a Terra, contaminando as nações com a pestilência da morte. O terror colhe sua safra sinistra em todas as partes do planeta."
Terrorismo

"Entre a ética e a barbárie terror é arma sem tempo"
Helena Mendonça

MEMÓRIAS VIVAS:
O custo humano do terrorismo

Grupos Terroristas
Tentáculos enfurecidos