30.8.03



Hoje fiz uma limpeza à casa.
Arrumei com algumas coisas e coloquei outras. A filosofia mantêm-se mas as janelas levaram estores novos. Amanhã, domingo, até eu sou capaz de estranhar.
Logo se vê.


Esta ainda não sabia, e desconheço quem avisou se já sabia. Ou ando distraído ou viro-me muito para mim próprio. O que será sinal que isto dos blogs está a fazer de mim outra pessoa. E não quero!
Trata-se de BLOGS FOR THE BOYS que o Ricardo noticiou e que só por acaso o descobri.
E a notícia já é de Julho parece-me. Ando mesmo a dormir. É espreitar.

29.8.03



Esta é uma das formas de agradecer à Tania a solicitude dos seus préstimos e afamados conhecimentos informáticos (e não só).
Boas razões tem a Aninhas para a considerar "uma parte dela".
Obrigado amiga.


Hoje detectei mais uma situação inovadora nos blogs.
É Amiga, é do Benfica e adora quase tudo o que seja italiano. Desde a Capela a Valentino Rossi. Mas gosta ainda mais de todos aqueles que a rodeiam por uma amizade que seja de livre e espontânea vontade. Sem artefactos falsos ou melodramas de cosmética superficiais. Apega-se com facilidade a tudo e a todos da forma mais simples que existe: pelo Amor. É sábia, letrada e bem disposta. Inteligente e descarada.
A sua sensibilidade agrada-me. O seu sentido de injustiça apela a um esforço humano de “nos otros” para melhorar o que houver de mau em nós. A sua loucura é estar entre deus e o diabo e viver a vida durante cada sessenta segundos como de horas, dias, meses e anos se tratasse.
Dou-lhe as boas vindas à blogosfera.
Porque duma amiga se trata, não sabia o que lhe ofertar. Decidi oferecer-lhe flôres.


Casa Pia

Não gosto de falar de coisas das quais quase toda a gente nos blogs têm opinião formalizada. Não sou Jornalista, não sou Jurista ou Advogado de Defesa ou do MP. Já referi que sou psicólogo nas horas vagas e amigo de todos quantos me deixarem ser no tempo disponível de que disponho.
Mas este manganão, com a verdade me engana.
É que os miúdos vão ser ouvidos daqui a poucos dias...
Quem será o manganão...?
O Rui Teixeira...? Não. Falta-lhe ganga nos parágrafos.
O Pedro Namora...? Também não me parece. Carece de pormenorização nos acentos.
O Bibi...? O Carlos...? Alguém que se faz passar por Raquel ou a "Alma Mater" do PS...? Não sei, palavra.
Eu não sou, com toda a franqueza, porque me orgulho de ter sido Casapiano. De tempos mais "vellhinhos"...

26.8.03



Seis perguntas com que acordei sobressaltado:

1 – Qual a verdadeira razão de o Benfica não ser campeão em Portugal?
2 – Qual o endereço de “Gosto de saber que este ano há Verão de S. Martinho.”?
3 – Porque chamam de “peluda” à ministra das Finanças?
4 – Por que razão Bin Laden e Saddam ainda não foram localizados?
5 - Que motivo levou a Kournikova a ignorar-me?
6 – Para que quero eu um blog?

25.8.03

Já passaram quinze anos



Há cem anos, os frequentadores do Chiado poderiam passar toda a sua vida sem ter de se afastar muito daquela zona. Roupas, luvas e chapéus da moda poderiam ser comprados numa das várias lojas onde apareciam as últimas criações de Paris e Londres; os livros de edição mais recente lá estavam nas montras das várias livrarias; os jornais eram vendidos pelas esquinas; e a ópera e o teatro culminavam mais um dia bem passado, ali, onde se sentiam as vantagens da civilização.



Um século depois, tudo isto teve um fim abrupto quando, na noite de 25 de Agosto em 1988, um violento incêndio destruiu o Chiado. Agora, passados quinze anos, o coração de Lisboa volta a palpitar.

23.8.03



Dia 23. Tempo de amar e recordar.

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

21.8.03


Contribuição para o meu entendimento dos desentendimentos dos outros


"Uma doença social percorre a Terra, contaminando as nações com a pestilência da morte. O terror colhe sua safra sinistra em todas as partes do planeta."
Terrorismo

"Entre a ética e a barbárie terror é arma sem tempo"
Helena Mendonça

MEMÓRIAS VIVAS:
O custo humano do terrorismo

Grupos Terroristas
Tentáculos enfurecidos


19.8.03



Ontem portei-me mal.
De um simples desafio para o Pool fui dar comigo a chegar a casa à las cinco de la mañana en punto. Tá mal. Então não foi que me levaram a uma casa de alterne? Os velhacos! Ainda por cima engenheiros. Não se faz.
É razão q.b. para a pequena me colocar as malas à porta e dizer: “vai para de onde vieste.”
Mas ela é boa rapariga e sabe que sou incapaz de cometer atrocidades matrimoniais.
O meu tempo já lá vai e agora quero sopas e descanso.
Mas isto vem a propósito de sentir que me portei mal.
Ainda sou do tempo em que as matronas eram determinadamente mais classificadas e mais experientes. Até um pouco mais velhas do que nós, os putos, em fase inicial de aprendizagem sexual, mas que possuiam uma “segurança social” que lhes permitia viver da prostituição o melhor que ela tem: a autonomia física e moral.
Ontem verifiquei que a situação de outrora se alterou significativamente. Para pior.
Só vi “miúdas” que dizem ter 28/30 anos que não devem tardar estão a fazer 17 para o mês que vem. De nacionalidades várias. Oriundas da Ucrânia (Alexis), da Hungria (Adel), do Brasil (Mariana), de Angola (Xuxa) e outros quadrantes universais bem diversificados.
Além da despesa ser exorbitante (só bebi 3 Portos e lá foram seis contos pró maneta) se se quiser”companhia” que se vá preparado com um acréscimo de 70 euros para uma garrafa de Champagne para as “meninas”. Mas até aí, e um dia não são dias, vá que não vá. Agora o facto de me sentir mal tem a ver com a situação desta gente. Vivem a meias em quartos alugados, sentem saudades dos pais e sujeitam-se aos favores de “amigos” que as trazem e levam numa vida que não tem futuro. Ao olhar para cada uma delas via uma filha minha. Ao dialogar com elas no meu parco panorama linguístico internacional
(lá pus o inglês em dia) percebia a insegurança delas muito bem disfarçada numa alegria que não têm. A Alexis já é mãe e vive esta vida amealhando um dinheirito para enviar a quem trata do menino. Lá longe, onde apenas a fotografia dele na carteira dela a tranquiliza.
Os engenheiros continuaram na sua diversão. Eu, resistindo a uma raiva à puta desta vida, lá me fui contendo tentando entrar na boa e disfarçando o meu mal-estar perante todos os clientes que nos cumprimentavam.
Eu não sou homosexual. Gosto de olhar mulheres bonitas e aprecio imenso uma companhia feminina não indo além do inultrapassável. Mas ali, senti-me mal.
Não me portei bem.


18.8.03



Como calculava, havia alguma coisa que não batia certo no Blogolista.
Um dos membros de La Famiglia meteu-se ao caminho e a resposta veio do paulo@cool.as quase de imediato. Eis pois, a justificação:

"Fizeram um ataque ao servidor onde estava alojada a Blogolista e a mais 6500 sites. Enfim, vamos a ver se os donos do servidor conseguem recuperar os ditos cujos."

Esperemos que se resolva depressa.
Um muito obrigado pela atenção, Paulo.

17.8.03



Estou a ficar senil

Todos nós nos sentimos diferentes dos outros mesmo que juremos a pés juntos “todos diferentes todos iguais”.
Eu sou assim, eu nasci assim... (era caso para acrescentar, Gabrieela...)
Bom, mas passemos em frente.
Começo a trabalhar a um sábado, o que me deixa absolutamente convencido da razão opinativa acima descrita. Continuo ao domingo por que o raio do trabalho dignifica a atitude em prol da prática social que assim o exige.
E nem sequer sou bombeiro.
Mas esta coisa dos blogs está a dar conta de mim. Já sabia que “navegar” altera hábitos, comportamentos e cansa a vista. O que nunca pensei que acontecesse foi o de imaginar, no contacto diário que tenho com o público em geral, dar por mim a magicar no seguinte:
- Bom dia.
- Bom dia, minha senhora. Faça favor...
- Olhe, é assim: tenho um vasta colecção de Camilo Castelo Branco para arranjar (aqui deveria dizer-se encadernar) e queria saber quanto é que o senhor me leva.
- Minha estimada senhora, eu de momento estou demasiado atarefado para levar o que quer que seja, mas no entanto V. Exª fará o favor (aqui parecia quase o Camacho, que Deus tenha) de me dizer a editora da sua colecção para ter em conta qual a encadernação que mais se justifica para a referida obra.
- Isso é assim tão relevante?
- Minha senhora depende também do local onde pretende arrumar os ditos livrinhos. Terá, assaz, uma biblioteca pessoal com uma estante de mogno, ou pretenderá apenas, e somente, colocá-los direitinhos num desses utensílios arrumatórios do AKI?

E o diálogo continuou, continuou, continuou.
Afinal o que a senhora queria era apenas embelezar a sala onde vai colocar um novo computador.
E aí pensei: será que esta madame também tem um blog?
Quando é hora de almoço nunca vou a tempo certo ao restaurante do Abel, em Alfama. Come-se bem, não é caro e vê-se pessoas diferentes. E é aí que dou por mim e matutar analíticamente na forma de expressão em cada um que não conheço.
Ali ao canto está um gajo de óculinhos com aros de tartaruga, o Público ao lado e mais uma pasta com recortes, a comer um bitoque. Imagino logo,: o gajo tem um blog sobre jornalismo.
Nos transportes públicos é a mesma coisa. “Aquela tipa podia ser muito bem a Zazie. Bem nutrida, bochechinhas carnudas e um cabelo preto giríssimo a cair-lhe sobre as as costas”.
Ou um cota com o New York Times debaixo do braço, sentado na rectaguarda do autocarro a olhar distante pela suja janela do seu lado horizontes que só ele poderia descrever. Este bloguês é naturalmente virado para a crítica, qual será o blog dele?
E no barco? (moro no Seixal) Quantos observo, que de tanto ler blogs, logo os identifico como que se fossem o Critico ou o Pedro F ou o Pipi.
As miúdas é que me levam à séria. Quantas vezes imaginei estar no mesmo local com a Tania, a Sara, a Inês Amaral. Saber de perto que aquela pequena de cabelo ruivo com franja loira é a Titas. Que a jovem sardenta de andar calmo e alongado mas sem pressas será a Isabel. Outra ali, mais furtiva será a Papoila?
Ou seria Helena?
Ou isto será a imbecilidade a apoderar-se de mim? Ou a doença, elegadamente hereditária do meu Avô que me constrange e me disforma?
Tenho que ir ao médico!

15.8.03


Dificuldades de acesso na net

“Além de Nova Iorque, o apagão atingiu várias outras grandes cidades do nordeste dos EUA, como Detroit e Cleveland, bem como as cidades de Toronto e Otawa, no sudeste do Canadá, onde a energia eléctrica também estava a ser reposta gradualmente esta manhã.”

Portanto não se admirem se não coseguirem aceder a locais da net que tenha a ver com americanices.
Ó prá minha ''geringonça''... ora vem, ora vai. E além disso, os miúdos cá de casa e os do meu vizinho da frente ficaram sem acesso aos ''jogos'' de sites americanos.
É uma questão de timing.


UM DIA COM... OS BLOGS

Depois de ter passado ontem todo o dia a visitar os blogs fiquei com tanta, tanta, tanta vontade de escrever que me cansei só de me sentar em frente ao teclado.
Não há dúvida. Existe qualidade suficiente para se poder editar, não um, mas três-quatro livros sobre os mais variados temas. Inclusivamente, uma ou duas enciclopédias de imagens, vários álbuns de miscelâneas musicais e, porque não, um almanaque de comentários. Tentativa bem sucedida poderia acontecer com os “recortes de imprensa” sobre os blogs.
Com tanta gente boa a escrever coisas bonitas já alguém pensou em editar um folheto, um jornal ou uma revista só de blogs e feito por bloguistas. Agora que vem ao de cima a solidariedade trágica deste povo, escravo do seu próprio fado, vítima dos seus próprios métodos e mentores, também os blogs não se deviam excluir de um ditado popular que nos acena com um ‘’fazer bem sem olhar a quem’’.
Parece pieguice mas não é.
Ao verificar a minha última contabilização pessoal cheguei a duas conclusões interessantes:
a- Somos mais que 2.296 almas a não largar o sacana do rato para descarregar todas as ideias, opiniões, poemas, notícias, comentários, estudos, brincadeiras, jogos, músicas e outras variadas formas de se dizer que se está vivo.
b- A forma também mudou radicalmente no contexto. Alguém já percebeu que entre a polémica e o insulto fácil vai uma distância maior do que todos os hectares ardidos até agora.
Por isso, ontem, depois de tantas horas em leituras várias por gente que nem sabe que eu existo, tornei-me um pouco mais velho e mais sábio. Um pouco mais cansado e disse para comigo: “ó manjerico, tu já não tás com pedalada para estas brincadeiras.”
De qualquer forma, as minhas desculpas de não poder linkar todos os que visitei, e foram muitos, não vá ter esquecido alguém no meio de tantas horas entretido. O que, por motivos óbvios, tornar-se-ia uma deselegância da minha parte.
Mas o importante foi ter um dia em que aprendi mais qualquer coisa.
Obrigado a todos por isso.

13.8.03



ALERTA
(só para quem ainda desconhece)

A notícia do JN

Entretanto Paulo, do Blogolista teve a mabilidade de informar (via e-mail) os inscritos do seu apontador.
Com a devida vénia, passo a transcrever:

blogolista informa que:
NOVO BUG do Windows em sistemas NT e virus.
O seu pc tem reiniciado sózinho últimamente? Aparece-lhe uma contagem decrescente? Pois é um novo vírus que se aproveita de um bug do windows e anda a afectar todo o mundo.
A Symantec da Norton Antivirus desenvolveu uma ferramenta para o remover, trata-se de um 'worm'.
1. descarregue e corra o programa Fixblast da symantec para o remover : http://securityresponse.symantec.com/avcenter/FixBlast.exe
2. o programa deve-lhe pedir no fim de fazer o scan para sacar um update do windows referente a este bug. Transfira a versão do update apropriada ao seu windows assim como o seu idioma correcto. Os computadores caseiros são todos 32bits.
3. Se não lhe pedir para instalar o update transfira-o e instale-o manualmente a partir de : http://www.microsoft.com/technet/treeview/default.asp?url=/technet/security/bulletin/MS03-026.asp
VERIFIQUE SEMPRE O IDIOMA DO FICHEIRO
Para o windows xp português PT --> http://microsoft.com/downloads/details.aspx?displaylang=pt-pt&FamilyID=2354406C-C5B6-44AC-9532-3DE40F69C074

* Presumo que o Paulo não se importará de informar mais detalhes.
Eu, quando estiver com dúvidas, pergunto a paulo@cool.as ...

11.8.03



Se por alguma curiosidade quiserem dar uma vista de olhos... foi aqui que fui buscar "aquela" geringonça.
Pelo sim, pelo não, se "aquela" brincadeira funcionar, é capaz de ser mais fácil ver os comentários directos.
Assim, à vista de toda a gente.

9.8.03



O Perfil de quem escreve um blog

Todos nós sabemos que MST, JPP, PSL. JS, NR, EPC, JHS, PB, PdaC, MEC, PP, MA e até o próprio NCoissoró têm opiniões formadas sobre os mais diversos temas e assuntos desta actualidade quase ultrapassada.
Façamos um exercício mental, e moral ou mural, e tente-se descobrir o perfil de quem escreve nos blogs. Porque será que JM não actualiza o seu? A Carla Guedes finou-se?...
Claro que apontamos (eu e o meu cão) subtilezas de VPV, do prof MRdeS e, porque não, os poemas de Euclides Cavaco?
Pode-se, inclusivamente, reportar o Alentejão num confronto linguístico com o Pipi. Salvaguardando algumas expectativas, a Amélia, que procura marido sem bigode, (é fina a gaja) gostaria de ser analisada por um médico que explica?
E a Esquerda e a Direita teriam alguma pretensão em contabilizar uma sondagem que os remitiriam para uma melhor análise por quem são lidos?
E as centenas de gente boa, temporizados no tempo, alheados dum sistema quase imposto, que surgem como niños em alegres ressurgimentos todos os dias nas novidades dos nossos queridos apontadores? Também eles não estarão sujeitos a um perfil?
Quem poderá entender o perfil de Sara ou de Ana? De Viegas, Pedros e Ruis, ou todos os ilustres anónimos, que a malta não conhece pessoalmente mas que devem ser uns bons compinchas em qualquer altura do ano?
Eu não possuo o perfil adequado para analisar o perfil dos outros.
Sou psicólogo nas horas vagas. Pai e amigo nas outras.
Haja quem o faça que era com prazer que os subscrevia.


7.8.03



Quase, quase, a acabar...

Estive um dia inteiro sem ver os”miúdos”.
Passei em revista, e muito rápidamente, 140 k/h, locais onde já tinha estado.
Continua-se a comer bem, bom e barato. O que constitui um refrescante “põe-te à tabela” para a nossa bolsa que já está a ressentir-se. É quase chegada a hora do regresso ao trabalho. Falta pouco para um “bom dia D. fulana, a sua mãe está melhor?”, ...“como está D. cicrana, o seu menino já diz Benfica?”,... “olá sr. engenheiro, como foram as suas férias?”...” Dra.! Já não nos víamos ao tempo, pela sua bronzeada tez, esteve fora...”, etc. e tal.
Bocas airosas, ditos apaneleirados e coisas assim, que fazem parte do dia-a-dia na profissão de cada um de nós.
Para o ano, se puder, gostaria de sossegar numa casa assim. (foto ao alto)
Porque, parecendo que não, as férias também maçam, cansam e iludem-nos.
Mas este ano não posso queixar-me demasiado. Por vezes, até me faz lembrar dois ditados populares que dizem que” nunca ninguém está bem com aquilo que tem” ou “a galinha da minha vizinha é sempre melhor do que a minha”.
O que não foi o caso destas férias.
A quem ainda não foi gozar o seu bocadinho a que tem direito, desejo que decorram da melhor forma e, se possível, melhores do que as minhas. O que não é desejar mal a ninguém. Nem sequer à galinha.

Como não tive tempo de comprar lembranças para quem aqui vem, entretenham-se a sintonizar esta brincadeira que me enviaram de Espanha.

5.8.03

Por vezes, sente-se a angústia de não saber por onde começar. Mas vou pela parte que calhou à sorte. E a vida, por si só. pode ser ou não sê-lo. Uma sorte.

Apontamento de viagem (3)


Estive em Porto Covo. Tempo bom e deliciosamente bem passado. Local aprazível, branco-azul e limpo, com muita gente. Assim como os robalinhos grelhados e as “entradas” de polvo, camarão e um queijo alentejano que entraram a matar. Absolutamente regados com um “Navegante” de 2001 que me impediram de ir a banhos antes de três horas passadas. Quanto paguei? 17 euros e 30.
Só eu e a “pequena”, porque os putos preferiram antes a piscina e outras brincadeiras sem a presença dos cotas a chateá-los. Mas estou em maré de sorte nas idas-e-vindas ao meu Sul nestas férias.
Espero o mesmo a quem esteja a divertir-se nas suas.

Gentileza
Uma palavra de agrado para quem demonstrou simpatia ( gentileza vossa, digo eu) a este espaço. Quer a um, quer a outro.


Tristeza
Tomei conhecimento pela minha querida Ana Albergaria que faleceu Helena. A Sanches.

“De uma estranha forma toda a sociedade organizada parece ter perdido a noção dos limites do aceitável, tanto ética como esteticamente. E o mais curioso é que não se pode valorizar nada disto em termos morais porque não estamos no reino do vale tudo mas, mais grave do que isso, no reino do vale nada.”
Helena Sanches Osório


Seja em que reino donde nos contemples, gosto de ti.




Um pequeno problema informático, derivado da minha estupidez com acentos e pequenas sinaléticas, estava a orientar o Padre Amaro em direcção à Armada Invisível. Um erro indesculpável e o meu pedido de "habeas corpus" para estas situações. Dá-me a ligeira impressão que corrigi o erro. De qualquer forma, penitencio-me.
Companheiro, fico a dever-lhe uma.

3.8.03



Por acaso não estou na Figueira.
Mas como estive a assistir ao Mundialito de Praia, acompanhando o evento com misturas de marisco e outras coisas frescas que agora aqui não digo, liguei esta brincadeira para registar a primeira vitória de Portugal nestas andanças.
Por causa disso, a Becky e a Mariana têm hoje uma nova tratadora. Não vou chegar a tempo do jantar delas.
Pode ser pieguice, mas gosto quando Portugal ganha. Nem que seja ao berlinde.
Portanto, hoje o primeiro hastear da bandeira nos blogs é meu. Com licença,

2.8.03



Esclarecimento actualizado
Com a pressa, esqueci de referir que o Tradutor , linkado à esquerda, foi cobardemente arrastado para aqui do blog da Civana. Que a Clara M não se chama Sara e que vou descobrindo outros que me agradam e que na coluna a eles destinados ficam mais à mão. Que não coloco “os da Elite” porque toda a gente, ou quase, os tem. O que torna mais engraçado o facto de que quando os quiser ler passo primeiro pelos amigos.” Coisinhas de pele”, como refere a Ana Albergaria. E muito bem. Para finalizar, detectei mais um blog que se preocupa com a rapaziada: o Blogolista.

Vai um mergulhinho?...


Apontamento de viagem (2)

Venho cá hoje apenas por duas razões que me prendem quase obrigatóriamente.
Refrescar um pouco e agradecer a paciência dos visitantes na visita ao meu blog.
Aqui nada se diz de muito importante. Há dias até que nem sequer me apetece cá vir com este calor. E como estou de férias ainda menos tempo e vontade sobra.
Por isso, relato apenas o essencial das idas-e-voltas que me estão a proporcionar as ditas. Visto que não posso abandonar por muito tempo a Becky Cristina (o meu cão) e a Mariana (a minha gata).
Numa dessas incursões à Terra onde o sol castiga mais, depois de uns mergulhos em Tróia – a “nossa”, não a grega – parei na Comporta para petiscar qualquer coisa.
Só digo: ou tive sorte com a disposição daquela gente nesse dia ou come-se bem e barato para os tempos que correm. E para o comprovar, não deve tardar muito, estou lá enfiado outra vez.
Lagosta assada...? Hummm...
E as cegonhas? Os ninhos das cegonhas...
E o polvo?... E o choco frito?... E o vinho?...
Já estou em Vila Nova de Mil-Fontes com uma temperatura que não baixa dos 37º.
A minha “pequena” parece um caranguejo australiano. E os putos?... (os meus, não os endiabrados do Blog) estão mais admirados do que se vissem o Benfica a entrar-lhes pela casa dentro.
Pois é. Malta pobre tem destas coisas. Quando entra um dinheirito de bónus por mais um trabalhinho extra é logo utilizado para a melhoria da nossa qualidade de vida.
Essa é que é essa.
Então com este tempo magnífico...
Fiquem bem!

30.7.03



Estou a pensar acima. O “fruto” do trabalho durante um ano não dá para mais e questiono o inquestionável “que hei-de fazer?”.
Ao menos se fosse político? Ou deputado, professor catedrático, advogado, nem que fosse do diabo? Tivesse eu amantes em Paris, um programa na TV ou soubesse cantar para além do banho, quem sabe se não tinha férias melhores?
Não os invejo. Tenho uma parte do País que me faz sentir melhor: a minha "pequena"!
A diferença só reside na distribuição da riqueza por todos os Portugueses.
Penso eu... não sei. Se calhar somos todos pobres.


Interrupção das férias para não variar. Estava a achar estranho.
É costume dizer que artista não tem férias. Mas há artistas que por razões várias não gostam de ver interrompidas as suas. Desta vez calhou-me os livros dos “psicólogos” (ISPA)..
Como não os escrevo, ao menos que lhes dê um “ar” mais risonho e bem tratado.
Foi o que fiz por uma quantia que deve dar para pôr o carro a trabalhar e ir embora
outra vez. Mas agora desligo o telemóvel, não venham eles lembrar-se que “olhe desculpe, era só mais uma coisinha..."
Agora só depois delas (as Férias, entenda-se). E se a “coisa” estiver a dar para o torto, porque não anunciar no meu blog que “trato” da Biblioteca de quem precisar!?
É uma ideia.
Mas “não vou a casa”...

28.7.03


Hoje vi o Varandas na Televisão. O malandro ao colo duma dona assim até mudou de cor. Provávelmente, quem não mudava...? Mesmo a falar de blogs.
Mas quem não viu ainda está a tempo. Sintonize a RTP e veja o Jornal da Tarde a partir do minuto 30.
Apontamentos de viagem


Salvo. Cá chegou o gasóleo e ainda tive tempo de apanhar um pouco de sol e dar um mergulhito. Estou ao fundo, à esquerda, com óculos-de-sol e calções vermelhos. Rodeado pela família que não poupou elogios à rapidez com que chegámos. E andei nas calmas.


Aqui são terras de que também gosto. O “meu” Alentejo. Terras dos antepassados da minha costela paterna. Deu tempo e espaço para visitar tios e primos ao jantar com eles no ar livre e quente. Com uma noite limpa e as estrelas a reflectirem-se nos copos tintos que acompanhavam um excelente borrego assado.


Eis-me chegado à fronteira da Língua Portuguesa. Aqui tanto se pode pedir um “ice cream” como um Corneto. É quase a mesma coisa. Doutra forma, e não é que seja cego, são locais ideais para limpar a vista de estrangeirices. Mas isso são outros quinhentos...

26.7.03


Continuo perdido no seio de tanta paisagem e costumes singelos. Parei agora numa tasquinha onde se bebe verde-tinto por malga e se prova pedaços de trutas com presunto. Gente entretida com cartas antigas e sebosas que não dão pelas horas passarem. E eu sem gasóleo.

Ao longe se avista estas incríveis criaturas. Calmas e pachorrentas com focinho de quem já almoçou. E eu sem gasóleo.
Não importa. Fico mais um tempo porque a fome aperta e os miúdos já protestam. Ainda tenho rolo na camara.

Hoje é dia de Feira dos criadores de gado barrosão e eu sem gasóleo. Mas ainda tenho rolo e uma enorme vontade de ficar aqui para sempre. Mas não posso. Chama-me o Sul e as raízes culturais da minha terra. Para uma melhor compreensão deixo aqui o que posso ver em casa quando lá chegar.
E eu sem gasóleo...

24.7.03



Nestas minhas férias entrelaçadas entre o tempo e a espera não me demove de vir abrir as janelas. Essas janelas, que em tempo oportuno se encerrarão assim como os mortais e os deuses inexistentes de Tersopul e Andromedal, terreolas de gente bárbara e distante.
Ulisses vagueou por aqui à procura de fósforos. Vinha fugido de Esther, a quem o seu cão tinha mordido. Hoje estou como ele. O tempo não abre, e o mar... ah! o Mar..., esse monstro sagrado e traiçoeiro que tantas desgraças e sonhos tem catalogado no seu sem-fim, não há maneira de ao azul tornar. Tornou-se Adamastor, o Mar. E o Ministério das Finanças também.
“Mudança de maré.” – dizem pescadores desta terra parca em recursos, mas de gentios hospitaleiros e de bom trato nesta ímpar gastronomia.
Sinto-me indeciso como Helena de Tróia. Não sei onde estou, como o acontecido a Homero ou Júlio César. Sei apenas que na última curva a tabuleta indicava: Terras de S. Nunca. -“O que faço aqui?”- não foi só Paulo que o questionou.
Mas continuo levado a acreditar que estas férias são diferentes. Como diferente está a ser o meu discurso e como o foi o destino de Cleópatra e Centopeia. Será dos odres de vinho, clarinho-macio e sem borbulhas, com que esta gente me presenteou e que pareciam ter sido resgatados de um naufrágio? Será dos enchidos que suportavam as Côrtes Espanholas nos seus manjares mais as orgias dos habitantes de Sodoma?
Não sei. Sinceramente, não sei.
E, para além disso, pouco importa. Já abri as janelas e sinto-me lindamente bem disposto. Para gáudio das elites que comigo vieram.
Notícias vou dando, se para isso me ajudar o engenho. Porque a arte está por todo o lado.


"DOM LUÍS, por graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, etc. Fazemos saber a todos os nossos súbditos, que as cortes gerais decretaram e nós queremos a lei seguinte:

ACTO ADICIONAL À CARTA CONSTITUCIONAL DA MONARQUIA "

É isto o ”24 de Julho”?
Eu a pensar que se tratava duma invasão napoleónica a que tivessemos feito frente. Ou, na melhor das hipóteses, algum título conquistado aos espanhóis no tempo do “Pantera Negra”. Ou que tivesse haver com a Amália... Cavaco Silva... um blog novo... um tiroteio numa "boite"... D. Sebastião.. sei lá...
Sou muita estúpido, graças a Deus.

23.7.03



mais um dia 23, meu amor.
...e
de tanto te amar
me perco.
sem saber amar-te tanto
nunca sei o quanto valho.

e...
de me achar tão certo,
valho-me do saber
que de te amar eternamente
nunca sei quando me perco.

20.7.03

Já me esquecia. Boas férias para todos.
E quem sabe se no mergulhar duma onda mais forte, no meio duma sardinhada ou na apetência de ficar acordado até mais tarde ouvindo sons nas discotecas deste Portugal, não encontremos por aí um companheiro/a bloguista.
Eu até tenho um


Interroguei-me: “ Os blogs vão de férias? “
Nã... não me parece. Pelos menos a maior parte. Eles cada vez são mais e podem “repartir-se” como naquelas empresas em que toda a gente, ou quase, concorda com essa aberração de dividir um direito laboral que foi conquistado. Para mim, só por necessidade ou então, nem sequer vou se houver “obrigatoriedade.
Mas hoje, como descanso semanal, calculo as idas à missa, à praia, ao supermercado,
Aos hospitais, cemitérios ou prisões. Um Domingo, parecendo as vinte e quatro horas que passam mais depressa, e “pirado” devido por vezes a não saber o que fazer com ele, é dos únicos 7 da semana em que se pode colocar tudo na ordem-do-dia. É uma questão de critério, escolha ou organização.
O meu de hoje completa-se com a ida às compras, reabastecendo o frigorífico, a arca congeladora, o bar e outras fragilidades consumistas. Já fiz.
Existe a hipótese dum almoço em Família, duma visita aos netos e/ou aos amigos ou ver as novidades na Feira da localidade de cada um. Também já fiz.
Depois há sempre a derradeira esperança que a minha “pequena” queira dar um passeio às marisqueiras do Seixal ou ver o Mar ou dar uns mergulhitos na piscina. Ainda estou à espera.
Por fim, também preciso vir aqui de quando em vez para arejar os cantos, mudar os lençóis e dar as boas tardes a quem aparecer. È para o que serve o meu blog e o que estou a fazer agora.
De qualquer maneira, quero que fiquem bem.

17.7.03


Mais umas voltinhas e, confesso, há malta para tudo. Já passei na publicidade, viajei entre Porto-Lisboa em dois minutos e estive metido em bruxarias. (cruzes canhoto) Até que ia levando um pontapé na...! Esta brincadeira está a tornar-se viciante, expectante e o sacana do velho Word está a tentar que eu corrija as palavras atrás referidas. É maluco, e eu desculpo-o. No entanto, como hoje estou “abocanhado” deixo aqui um link para me não esquecer. Cortar o bigode é que eu não corto. Quer quer, não quer não estraga. De resto, agora vou ouvir dois fados num gajo que é maluco mas é o meu melhor amigo. Maluquices a dois é o que é. Dava pano p’ra mangas...
É só cinco minutos!...


Hoje estou abocanhado de ciúme. Não me apetece entristecer e paira na minha janela a sombra da nostalgia. Tenho folhas de versos e prosas numa das gavetas da cómoda fechada e não as vou buscar. Neste pobre espaço não falo das coisas lá de fora que me arrepia. Os deficientes também amam podia ser o título de um romance, de uma análise filosófica ou uma metáfora. Não me diz muito a sucessão na CV. Pouco me importa o segredo de justiça. Está bom tempo e há quem chame à construção do Mundo um Caos. Por isso, hoje apetece-me olhar os Outros. E noto que a vaidade e pretensão são tempos a findar em algumas páginas pessoais. Faz sentido. Aprender com quem sabe não é ficar envergonhado. Muito menos sabendo que a vã glória de descrevermo-nos traduz o sentido que há em nós. Gostei destas paisagens e vou continuar a procurar os ilustres desconhecidos que também riscam coisas bonitas em folhas frias de papel.


"Ouço gritos apoplécticos na rua e coloco-me à janela. Um homem e uma mulher gritam, insultam-se, batem-se, prometem suicídio. A cena é tão opressiva que me deixa perplexo, incomodado. O homem grita, a mulher grita. O carro onde viajam foi parado à pressa, as portas estão abertas, as luzes tremem. Os passantes passam mas passam com medo, com prudência, envergonhados, espavoridos. No meio do casal, uma pequena criança assiste a tudo, aparentemente impávida e resignada, sem mexer um dedo que seja, sem nada dizer. E o homem e a mulher continuam...
In Flôr de Obsessão


"Escutar o que os outros têm para dizer, ou o que nós temos para dizer? Escutar o que temos para dizer aos outros, ou o que temos para dizer a nós mesmos? O que será mais importante? Mal o homem fez estas perguntas a si mesmo logo lhe surgiu a resposta. Escutar os outros ou a nós mesmos é igual, importante é que se tenha alguma coisa para dizer. Disse-o a quem muito bem entendeu, escutou-o quem quis."
In Mil e uma...


"Recordas-te de teres recusado beijar o mar por mim?
Pedi-to há tanto tempo, numa noite em que as minhas dores se cruzaram com as dores desconhecidas para mim como o são quase todas as tuas dores. E as tuas noites... pântanos de angústias invadidos de luar azul e de segredos?"
In Azul Cobalto

16.7.03


Só está morrer gente. Desta vez foi o Maurício. Colega da farra com o “genbrinhas”, mais o Mário “Tabuadas”, o “Saddam” e eu.
Chegámos a ouvir o Marceneiro num beco de Alfama, estivemos no Solar da saudosa Hermínia e fomos todos ao funeral da diva. Amália de seu nome.
Porra.
Não nasce cá ninguém?

15.7.03



- Há quanto tempo não lês um livro?
- Sei lá... os que eu li já morreram todos.
Podia ser uma conversa de surdos entre dois amigos que não se chegaram a formar. No entanto, prova que existiu o começo do gosto pela leitura e que uns continuaram, outros não.
Estou a ficar velho e já não acompanho esta geração diversificada de gostos e atitudes. Mais partilhada nos meios mas menos acessível no patamar cultural onde me encontro. Ninguém deve ter “culpa” disso.
Fica a saudosa experiência de ter vivido com eles, os livros. Esses ambiciosos blogs da época onde me encantava com Camilo e Eça. Com Duras ou Stendhal. Dickens e Dostoievsky.
Depois vem a nova geração, com HH, Alice Vieira, Saramago, Cardoso Pires (o trabalhão que este tipo me dava para gravar em letras douradas, um dos meus trabalhos, o Dinossauro Excelentíssimo num livro tão fininho) e outros que não perdia tempo a ler. Fiz mal.
Na actualidade, pergunto-me: “Conheces Matilde Rosa Araújo?”
-" Não.”
“E Onésimo Teotónio Almeida, José Emílio-Nelson, Ivo Machado, Inês Lourenço, Domingos Lobo, Alexandre Parafita, Luísa Augusta Monteiro Araújo de Sá, ou Pedro Eiras?”
-“Também não.”
É a minha resposta embaraçada.

14.7.03


Hoje, segunda-feira, é o meu primeiro dia de férias imerecidas. É que ainda há tanta coisa para fazer que talvez fosse melhor lá mais para a tardinha.

"Atendo o telefone e tento escutar, por detrás de um ressoar de vozes, gargalhadas e tinir de copos e daquela zoeira que costumam ter os bares em horas animadas, a seguinte pergunta:

- Como era o nome do toureiro que “comia” o Hemingway?

Pasmei. O Ernest, o maior espada, virar "Hemin gay", agora? Isto jogava no chão um dos maiores ídolos da minha infância e vida. "Por Quem os Sinos Dobram", "O velho e o Mar", "Neves de Klimanjaro", "Adeus às Armas", tudo reduzido a lantejoulas e plumas? Essa não!

Vi logo a confusão e tentei explicar por cima do barulho e risadas: Quem comia - ou ao contrário - um toureiro era Garcia Lorca, o poeta fuzilado por Franco, e o toureiro chamava-se Ignácio, El Gitano (O cigano). Para ele, Lorca fez aquela linda poesia "A las Cinco de la Tarde".

Do outro lado:

- Então foi o Picasso?

Enquanto tentava entender o que Picasso fazia nesta tourada, ouvi uma voz esganiçada ao fundo dizendo:

- Prefiro Van Gogh.

Então primeiro perdi-me, mas depois vi a conexão: o pintor que teve um caso com Lorca foi Salvador Dali, de quem dizem que continuou apaixonado pelo poeta, apesar de ter sido casado por toda a vida com Gala, a quem nunca traiu. Ela sim, com todos os amigos, antes e depois do casamento. Coisa que não importava ao pintor, porque era vidrado em ouro, ou dólares, tanto que certa vez um crítico fez um acróstico do seu nome e conseguiu "Salvador Dali = Ávida Dollares". Podem conferir, dá certinho! O pintor, que todos julgavam que ia se ofender agradeceu e disse que era isto mesmo.

Voltemos ao bar. Respondi que tinha sido Dali, o Surrealista.
Mais vozes não entendidas, então outra pergunta:

- O Hemingway então era amante do Scott Fitzgerald?

Mais esta agora. Estão pensando que sou Enciclopédia de quem comeu quem, na época que "Paris era uma festa"?

- Não! Respondi, e expliquei: - Detestavam-se. Scott morava com Zelda (a doida), sua mulher, no George V, ou no Ritz, era rico e snob, enquanto o Hemingway, de calcinha de veludo surrada, se escondia numa água furtada em Saint Germain, e pelos pobres bistrots (barzinhos) bebia e comia, sempre batendo furiosamente na sua máquina de escrever portátil, (era jornalista correspondente) nem tanto assim na época. Um escrevia sobre a high society, o outro sobre gente mesmo. E os dois eram muito bons.

Dizem que Ernest teve um caso com Zelda, aprovado pelo marido, mas isto é outra estória, e não comprovada. Más-línguas parisienses da época.

Mais um pouco de barulho, chiados, celulares e a última pergunta:

- E o Inácio, o Gitano era bonito?

E eu sei? Sei que era cigano e devia ter um charme violento, e além disto, toureiro. Devia ser um Zulu da época, todo sarado, e com toda a mídia em cima .

- Uma graça! Respondi, só para chatear.

Caiu a linha, ainda bem, pois já estava com receio das próximas perguntas. Até quando iria saber ou inventar mais explicações e estórias?"

Estes amigos que tenho ...

13.7.03


Abriu uma Casa de Fados não sei aonde mas parece que pertence a estes novos despurados blogs que acontecem.
Desta vez fui o primeiro a descobri-lo, mas não lhe vou dar muita importância porque o tipo tem a mania que é fadista.
Como outros animadores que blogueiam a cantar. Não talvez o Fado mas outras cantarolices que também se podem ouvir.
Digo eu, não sei...

E para espantar espíritos e outras sortes malfadadas nada melhor que estes poetas andaluces doutras terras.

Sabendo que há gente nova nestas andanças congratulo-me com o facto.
Pena tenho daqueles que deixaram de o fazer. Talvez a saturação de dias usados e cansativos. Penas secas de poetas que mudaram de espaços. De blogs ou de cenários mais chamativos. Pelo tempo que me fizeram companhia, pergunto com a recuperação de tempos idos:
Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
Qué miran los poetas andaluces de ahora?
Qué sienten los poetas andaluces de ahora?
Cantan con voz de hombre, ¿pero donde están los hombres?
con ojos de hombre miran, ¿pero donde los hombres?
con pecho de hombre sienten, ¿pero donde los hombres?
Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
Miran, y cuando miran parece que están solos.
Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.
Es que ya Andalucia se ha quedado sin nadie?
Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
Qué en los mares y campos andaluces no hay nadie?
No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
Quién mire al corazón sin muros del poeta?
Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?
Cantad alto. Oireis que oyen otros oidos.
Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
Latid alto. Sabreis que palpita otra sangre.
No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.
encerrado. su canto asciende a más profundo
cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres.

Rafael Alberti
in Memorian