14.12.03


(Becky Cristina no centro alto )

Hoje faz anos o "meu" cão

Do teu latido saem sons que são palavras que entendo.
Dessas palavras que emanas existem sons que se transcrevem como frases.
E toda a gente diz que és um cão.
Engano!
Além da raça canina a que pertences, preenches melhor o humano sentimento do que muitos cães que se fazem passar por isso.
O meu ruuuuef agradecido pelos teus ãos mui carinhosos.


8.12.03

Veinte años...



"Quise hacerte una canción, para cantar despacito, como se duerme a los niños... y ya ves, sólo palabras sobre notas me han salido, que al igual que tú y que yo, ni se importan ni se estorban... se soportan amistosas, mas... mas no son... no son una canción".

5.12.03



pediram-me um poema...

mas os poemas não se fazem a pedido
são estados d’alma solitários
constrangidos
com cenas de amor que nunca faço
pediram-me um poema
de normas sociais que não cumpro
e nunca escuto
pediram-me um poema
valendo coisas na vida que nunca trago
e estrago
pediram-me um poema
no palco deste rol de modos vários
de tempo que tem vento
e lento
pediram-me um poema
nos palanques de luz reflectidas
onde se ditam sentenças e joga-se futuros
impuros
obscuros
por isso
hoje quero estar sozinho
longe
escondido
onde os poemas
não se fazem a pedido


2.12.03



Textos esquecidos de Natal (3)

A minha árvore de Natal este ano não tem cor!
Foi feita, apenas e só, para os meninos da rua que eu conheço. Colocada a um canto do meu mundo, não tem presentes e, no lugar das bolinhas de fantasia, são visíveis amargas recordações duma vida constantemente injustiçada. Fruto duma visão de dor e sofrimento, de abandono e de tristeza, que abrange todos aqueles que sofrem na pele o dia-a-dia que vivemos.
É Natal, dizem-me. Eu sei muito bem que é Natal! Aliás, todos nós sabemos. E para os meninos da rua que eu conheço, estão a comprová-lo as mil e uma mensagens dum amor e carinho hipócrita que ouvimos todos estes dias. Se não chegasse, bastaria olhar os milhões de calendários coloridos que aceleram os anos e reconhecer nos jardins deste país os presépios feitos de luzes que não brilham. Apenas estão por ali.
Mas para quem está habituado a sofrer os dias pardos da desventura e da desgraça, da fome e da solidão, do esquecimento a que são votados nas horas sempre iguais, é apenas mais um ciclo de vinte e quatro horas que custam a passar. É apenas o olhar para um amanhã sem soluções. São estas as realidades deste espelho retardado que se consegue vislumbrar em dor e sofrimento de quem nunca conseguiu alcançar o que deseja e a que tem direito. É neste meu mundo que vivem os meninos da rua que eu conheço.
Nestes meninos da rua que eu conheço, há em cada história pessoal uma tragédia que se esconde. Há em cada silêncio consentido, uma revolta amarga e negra que não se consegue perceber. Existe em cada rosto imberbe de criança, uma expressão azeda e ferida de ilusões e de tormentos. De sonhos perdidos e desfeitos. De rugas que escondem as horas, os dias, os anos, a que conseguem sobreviver.
São estes os meninos da rua que eu conheço, alguns já crescidos, que melhor entendem o destino ao qual estão vinculados e a que é impossível fugir. Por cada um dos seus olhares, vagos e perdidos, destes meninos da rua que eu conheço, perfila o lado triste de quem morre de frio a cada esquina. Cada um deles apenas a mostrar o futuro incerto que se conta e se transmite. Feito de nostalgia e fé. Por vezes, recheados de sonhos desfeitos para um dia que eles sabem não ter amanhã. Ténue e vazio como a própria quadra que festejamos.
Daí que, na minha árvore de Natal deste ano, apenas haja espaço para os que se encontram isolados e tristes. Para os que da fome e da escassez fazem a fartura de nada possuírem. Para aqueles a quem mais um pouco de carinho e de atenção bastaria para esquecer toda uma vida sem sentido.
Por isso, não façam do meu silêncio uma obrigação de cobardia. Por isso, não me obriguem a mudar a cor à minha árvore de Natal. E se por milagre ou ilusão, arte mágica ou fantasia, as cores se alterem ou apareçam, ao menos que seja para os meninos da rua que eu conheço.


30.11.03



Um dia de Domingo

O meu blog faz sete meses.
Foram meses de palavras, alguns actos e muitas dúvidas.
Foram sete meses muito bons, engraçados e bastante agradáveis. Sete meses quase todos a aprender.
Sei que não é uma vida. Sei que não é uma certeza. Mas pelo que foi, são sete meses que me tiraram um pouco da rotina diária, dos mecanismos automatizados e me facultou o regresso ao interesse de coisas outras.
Nestes sete meses nem tudo se pode ter vencido. Nem tudo se conseguiu ganhar. Apenas me ficou a certeza de que nada se perdeu.
Se “isto” ainda perdura aos meus ilustres visitantes o devo. Sem eles, era como se estivesse a falar sozinho, e era crível, e menos trabalhoso, escrever em folhas frias de papel e guardá-las numa qualquer gaveta do escritório.
A todos eles, o meu sincero Obrigado.

29.11.03



Dedicado a:

Fata Morgana – Pelo seu “Mês do Sagitário”. A experiência da sua própria maternidade em palavras. Mulher e Mãe de coragem.

Substrato – Pelas suas crónicas directas de Moçambique. Terra longe. E tão perto.

Os Miúdos – Ao Alexandre, à Inês, ao Mário Nuno e à Thita, pelo seu desempenho na blogosfera. Enraizados em influências várias, mantêm a saudável e irrequieta fantasia que ditam que não é por eles que a juventude desiste.


28.11.03



Tempo dos passos perdidos

Uma parte da vida é dedicada no sentido de situações meramente pessoais.
Por outro lado, mais do que dormir, um outro terço da dita afecta as pessoas com vulgaridades. O tempo de perder tempo e amigos.
Nesse auge decadente da maturidade, gritam sozinhas e não permitem que os julguem. Nem tão pouco que lhes lembrem que a verdadeira essência desta nossa arrastada passagem por aqui é a alma humana que faz desencadear a vida que cada um merece.
Quanto daria eu para saber se o outro terço que nos resta é vivido a olhar para dentro de nós próprios ou para os outros.





Também não se pode ter sempre azar, não é?

26.11.03



Palavras ditas

Hoje estou com calma no corpo mas completo de nódoas negras na alma. Sei que, por momentos, as palavras bem alinhadas soam bem bonitas. Belas e tranquilas. Às vezes, as letras bem encontradas, têm frases escolhidas. Meigas e belas.
Mesmo sem saber o que dizer, por vezes ou quase sempre, as tais frases e palavras encontradas escondem o sentido terno do querer, escondem o sentido útil de odiar e amar ao mesmo tempo, e o sentido único de escolher.
Se por muito de falar se encontra um eco, há palavras bonitas encontradas que escondem olhares por descobrir, que escondem fórmulas por decifrar, que escondem sempre qualquer coisa que não conseguimos encontrar.
Por isso, olha-me. Vê-me. E deixa-te estar.

Pois é provável que me encontrem nos Fados.

23.11.03


Hoje
Ao contrário da paixão, as palavras de amor fazem doer. Ferem a alma e agridem o coração. Provocam espasmos no nosso próprio ser, na nossa destilada ira , e fazem sangue. Porque amamos e somos reais.
Por isso eu sei que fazem bem.
Aos olhos de outros, por muito que doa e faça sentir, o Amor assim votado não é, nem pode ser, uma jogada perdida e mal paga ou um penalty falhado à boca da regra e dos limites.
Prevalece mais o não ganhar. Impõe-se mais retribuir tudo aquilo que somos, fomos ou gostaríamos de ter sido. Daí, naturalmente, que sintamos saudades das coisas boas. De gotas de orvalho e erva fresca. Da chuva miudinha e areais com muito sol. De gente só, triste, calada por uma vida ingrata depois de tantos anos de sorrisos.
Hoje é dia 23, Amor. Dia de nunca descrever o que sinto ou, por acaso ou por destino, um dia de calar e esconder o que vai no coração.
Viverei para o saber? Sou muito bem capaz de não...
Mas preciso de você.

21.11.03



À mesa com os amigos

Por vezes, fica-se perdido em recordações temporais de dias e noites que nunca mais regressam. Vive-se em conversas trocadas sem sentido. Filosofias vãs que aniquilam a oportunidade de nos voltar-mos a encontrar.
Mas os tempos, hoje, são diferentes.
As noites podem ter a lua como horizonte, mesmo não tendo o ritmo frenético da nossa juventude. As esplanadas não deviam nunca perder o brilho de todos os bancos de jardim. E os espaços... esses espaços tão nossos, deviam continuar a serem feitos com o timbre artesanal do nosso lado artístico e sentimental.
As flores deviam continuar a ter o seu próprio perfume. Para mim, um cheirinho a maresia. Para ti... para ti, a escolha do teu próprio tom.
Temos que descobrir as noites inventadas por crianças. Dias menos agrestes que nos façam amar e rir até que volte a anoitecer. Daqueles que iludem e deixam rastos. Que deixam pistas para reduzir o outro lado da vida e da má-sorte. Embriagando-me nesse odor, posso ver menos tragédias e ventos impelidos por desgraças. Posso ver partes iguais naqueles que nascem mais perto.
Temos diversas maneiras de sentir. É a própria vida que nos ensina no dia-a-dia. E “se há gente que encara a tristeza a rir, existem muitos outros que choram de alegria”.
Por isso, da minha janela vê-se o mar.


Reservada

20.11.03



Textos esquecidos de Natal (2)

Para quem tem uma vida dura pela frente e pintada em vários tons, vive sempre em função dos dias e das horas que passam vigorosas. Muitas delas lentas e difíceis, outras incrivelmente rápidas e decisivas.
Daí que, para além dos filhos e netos que já tenho, mais não deixo que a minha própria estória de ninguém. Que nunca escrevi. Mas que só eu sei onde está.
Talvez por mágoa, talvez por medo, angústia pelo dia de amanhã, se torne a máscara de mim e de todos os momentos. Pode ser até a sina minha, o meu fado, o egoísmo de todas as coisas e o terminal dos sonhos cor-de-rosa.
Existe sempre, algures, um mar abandalhado nas areias dum rio que nunca encontra a foz. São trabalhos forçados atribuídos a um crime que não se praticou. São condenações a mais para um homem só. Mas por amor, sou capaz de tudo. Até deixar de amar.

18.11.03


Hoje tenho que trabalhar fora das horas de expediente. Liga-se-me a vontade de escrever com a maior vontade de vos ler e mais ainda a vontade de dizer que vida de pobre é mesmo assim. Mas é só financeiramente falando. Ou melhor, escrevendo. Porque estando por aqui sempre vou "ganhando" mais do que se estiver a trabalhar. A sério! Não é treta.
Vão ver amanhã!
Se desejarem fiquem com Ottis Redding, Xutos & Pontapés, 4NonBlonden ou com os gestos e sinais poéticos da minha mais recente visitante: Cat S.
Claro que os amigos do lado esquerdo linkados também são opções ... mas ninguém tem tempo para tudo.
Um bom resto de dia e noite! Divirtam-se e até amanhã. Porque tenho um " vim te convidar para o Flash Blog lá no Navegando na Insônia. Já participou de algum? Se não, venha, vai adorar! Passe lá pra saber como é um Flash Blog."
Tenho que me preparar...

17.11.03



Textos esquecidos de Natal

Há muito tempo tiraram-me o lado feliz da inexistência.
Na continuidade, tiraram-me o mundo puro da minha meninice.
Com tempo enorme de isolamento tiraram-me o lado forte da adolescência e, com o decorrer dos sonhos, fui crescendo ao sabor dos dias que iam chegando.
Formei-me em doses de intuitos e alguma imaginação. Fiz-me de fardos e cruzes em montes e vales que nunca vi. Transformei-me, sem o querer, num labirinto de emoções revolto em mares viciados e dispersos.
Fiquei líquido. Um líquido sólido de gelo e fogo que ultrapassa a nostalgia desta vida.
Sou por vezes um emaranhado de surpresas que ninguém viu, ninguém sabe.
Por alguns anos tiraram-me as raízes do meu próprio destino. Arrancaram-me a crença num deus que não existe ou já morreu.
Fizeram de mim um embrulho de restos e pedaços de cores dispersas e, pelo rumo que vou levando, sobra-me sempre qualquer coisa que insistem, continuadamente, em tirar-me.
Agora foi a vez de me roubarem o lado feliz do meu isolamento. Levaram também o sentido da minha própria liberdade. Perante tudo isto e de tudo mais o que possuo, espero que não consigam privar-me do que me resta: Tu!

15.11.03



Linguagem das Flores

Os nossos jardins estão cheios de estórias e a História das Flores é uma parte da história da humanidade. Desde o início dela, as flores têm servido como inspiração de poetas e pintores. Muita boa gente constituiu família por causa de uma flor. Pensamentos belos foram expressos através das flores e muitas mensagens correram o mundo acompanhadas por uma flor. Inúmeras namoradas receberam flores e alguns bons rapazes foram advertidos por assaltarem o quintal do vizinho para as conquistarem.
Já falou com alguma? Então clique aqui, s.f.f.

14.11.03



Por acaso sabem quão espectacular é o espaço de J. V. de Sousa que até teatro tem?
Esta é para ele.


Já alguém leu Fata Morgana?
Só para ela.

Por acaso, alguém conhece o Buba?
Para ele ouvir.

Conhece a Titas? Uma anarquista adorada que tem um fã fundamentalista?
Dedicada a ela por ele.

Bem me pareceu.

Agora vou jogar um bocadinho contra os americanos.


Há dias assim

Hoje não sei porquê sinto-me assim-assim.
Ou é da terra girar rapidamente e me põe a cabeça em fanicos ou da variedade de pessoas que não conheço e me assinalam.


Por um lado, estou bem. Talvez pelas comodidades e atenções de que sou alvo e não estando habituado a essas coisas me sinta como se tivesse renascido duma qualquer transcendência orbital. Daí sentir-me estranho e descansado.

Por outro, encontro-me mal. Sem querer ampliar a miopia que gera estes casos, não me vejo com ideias claras e liberais – que sempre quis ter – para duvidar das acções favoráveis que tenho presenciado nos últimos tempos. Parece até que me sinto anulado, incapacitado e ao quadrado. Para uma melhor compreensão pedagógica sou capaz de estar absorvido por algum malefício asiático ou por um vírus qualquer que ninguém ainda descobriu.

Seja como for, incrédulo como sempre fui, pode ser que seja agora que o futuro que me resta seja a resposta ao passado que nas vossas mãos existem. Para bem dos outros e de mim. Mesmo que sejam filhos da fruta. E sabem porquê? Porque há dias assim

11.11.03

EFEMÉRIDES

1775 - João Baptista Pelle, presumível autor do atentado contra o Marquês de Pombal, foi executado
1788 - Morreu o príncipe português D. José
1820 - Em Portugal, ocorreu uma revolta denominada por Martinhada
1821 - Nasceu o escritor Fiodor Mikhailovich Dostoevsky
1868 - Nasceu o pintor francês Jean Édouard Vuillard
1885 - Nasceu o General americano George Smith Patton
1911 - Foi criada, por Decreto, uma comissão responsável por coligir todos os documentos guardados no arquivo do Ministério das Colónias, que interessassem à administração colonial
1915 - Morreu o escritor português José Pereira de Sampaio Bruno
1918 - Terminou a I Guerra Mundial, após a assinatura do armistício
1920 - O Soldado Desconhecido foi enterrado na Abadia de Westminster


2003 – Hoje é dia de S. Martinho, vai à adega e prova o vinho.
Se faltarem castanhas têm aqui uma casa às ordens.




10.11.03



Uma questão informática

Ontem fiquei admirado por uma descoberta feita noutro computador: visualizei este blog de uma forma completamente diferente. Quer na cor, nos links ou nas imagens.
Eu pergunto: como é que vocês (os meus ilustres visitantes) me “vêem”. A azul, a verde ou vermelho? Para o escuro ou nem por isso?
É que o mesmo se passa com quem visito. Ou mudaram o Template ou visualizados por um sistema operativo que não o meu vislumbro outra perspectiva. Às vezes melhor outras nem por isso.
Como sou um “nabo” em questões informáticas avançadas apenas pretendia actualizar-me com quem sabe. Se quiserem ter a amabilidade de me explicar sucintamente, agradecia.
Agora vou dar uma voltinha aos blogs. Fiquem bem.

Noutra onda
Devo dizer que, a título posterior, estou orgulhoso do meu querido e ilustre homónimo. A Famiglia, às vezes, tem destas coisas. E mais não digo...

9.11.03



A propósito de nada e de tudo

Andei na cusquice outra vez. Estava numa de me referenciar por critérios mais objectivos no campo da informação mas, qual quê...! Um tipo perde-se logo no primeiro encontro * fora dos blog's. Aqui vai uma curiosidade que desconhecia sobre as mulheres:
- 45% das mulheres preferem fazer amor no escuro.
- 56% preferem que seja de manhãzinha.
- 55% dormem nuas.
- 86% nunca fizeram sexo numa banheira.
- 99% não pretendem fazer amor no escritório.
- 100% das mulheres sonham fazê-lo no meio da natureza.

Conclusão:

Parece ser estatisticamente muito mais fácil dar a volta a uma mulher no meio dum bosque de manhãzinha, do que à noite no escritório.
Por isso não vale a pena ficar a trabalhar até tão tarde.
* Mas há mais...

29.10.03



Uma semana complicada

Boa noite!
Eu não sou erudito, especialista, doutor, professor ou jornalista. Tanto quanto posso, acompanho o desenrolar da própria vida. Faço de avô, pai, irmão e amigo.
Já o tinha dito: sou psicólogo nas horas vagas e poeta pobre das palavras e de rimas ainda mais escasso. Mas, como disse o Bruno Sena Martins: “Ao fim de uns meses a ênfase parece ser dada à obrigação que o blogger criou para com os seus leitores, às expectativas criadas e ao desejo de não as desiludir.”
Não é o caso deste blog que nada tem de especial . Mas mexe, inconscientemente, com o meu sistema nervoso, e parece que essa “obrigação” de vir cá todos os dias e a todas as horas se torna algo que me falta fazer durante o dia. Não deveria ser verdade. Mas é.
E esta semana está complicada para isso.
Daí, o meu agradecimento às pessoas que perdem um bocadinho por aqui.
Mas eu volto. Por mim.

27.10.03



Segunda-feira! Tu. Eu. Nós. Todos. A vida embrulhada em palavras.

* "Afinal, Pedro Rolo Duarte, sufixamente conhecido por deitar abaixo tudo quanto é novidade só porque chega tarde a meios que transportam consigo revolução nos media - foi assim com as rádios livres, foi assim com a internet ( pobre Zé Magalhães o que tu lhe aturaste )- sufixa , pejorativamente, todos os sábados, a existência dos blogues com uma coluna a que chamou "bloguices"!
Vale a pena ler na íntegra a resposta de Ricardo Araújo Pereira."
gentileza de...

* "Sou forçado a considerar que o pior mal dos nossos dias, aquele que não permite que nada chegue a amadurecer, reside no facto de os homens deixarem que cada momento se consuma completamente no momento seguinte, que o dia se esgote em si mesmo, ou seja, em viverem exclusivamente o dia-a-dia sem qualquer perspectiva de futuro."
gentileza de...

* "Disse-me um dia, por carta, o meu avô:
O completo descrédito em que os ensinamentos tradicionais caíram, são apenas uma das formas de os preservar."
gentileza de...

* "Lugares onde um intervalo na superfície dos dias. Ir revisitar lugares onde nunca se esteve mas que se reconhece, pelo olhar de alguém, pela ausência de alguém. Lugares de que sentimos saudades sem nunca lá termos estado, mas que não conseguem sair da nossa alma, não importa a força com que o tentemos. Lugares, palavras mágicas e tristes, que nos levam ao que queríamos conhecer e que por incúria ou incapacidade, perdemos. Lugares onde queremos um dia voltar, sem nunca de lá termos partido."
gentileza de...

* "Às vezes olho para a quantidade de pessoas que está online e dá-me vontade de vos abraçar e no entanto nem sei quem são... é tão estranho."
gentileza de...

* "Chega aqui...

... e abraça-me de novo. Deixa-me beijar-te e ouvir esse não que dizes enquanto o teu corpo treme e me puxas para ti. Chega aqui...deixa-me dizer-te o que não quiseste ouvir, diz-me de novo que não és para mim, diz que não dez vezes seguidas e dá-me mil explicações.
E depois, olha-me nos olhos, só quero saber onde está a verdade..."
gentileza de...

* "Talvez seja o inverno, não sei bem. Quando o frio aperta lembro-me sempre dos meus longos cabelos e das minhas mãos de menina fora dos cobertores - da minha posição retorcida, quase fetal, dentro de um qualquer pijama – e lembro-me também da chuva, na minha janela, a bater nos estores."
gentileza de...

* "Incentivados por ideias competitivas e possessivas, frequentemente, esmeramo-nos na pretensão de controlar e dominar tudo o que se passa à nossa volta. Só que o verdadeiro domínio, o único realmente possível, é aquele que exercemos dentro de nós mesmos. Talvez até seja esse o objectivo final da nossa evolução."
gentileza de...

* "se fosse preciso inventar-me
conjugar um verbo fora do lugar
adivinhar os regressos do mundo

convocaria um poeta à beira da morte
o rumor nocturno em que te amo
e as fontes"
gentileza de...

Todas as gentilezas foram furtadas sem aviso. É segunda-feira, perdoa-se.
Digo eu, não sei!

24.10.03


"Tudo começou no ano de 1904, na Rua Direita em Belém. Existia uma farmácia que tinha o nome de "Farmácia Franco". Alguns andares acima dessa farmácia, viviam algumas famílias que gostavam bastante de futebol..."


Até Sempre Estádio da Luz
Onde um menino percorria os campos lamacentos e repletos de senhores guardas a cavalo para ver o “seu” Benfica.
Fugido à casa por instantes nunca percebera os perigos que corria. O seu “bilhete” era um “deixe-me entrar consigo”. Lá dentro era como se de um Paraíso se tratasse.
Havia sempre cinco tostões para uma laranjada. Havia sempre aquele tempo de gritar golo. Havia sempre uma nova descoberta naquela vida de hora e meia de gente humilde que só pedia mais um golo, mais um centro, mais uma defesa.
Recordo hoje a nostalgia que me resta desse tempo.
Porque amanhã... amanhã é outro dia.


Bem vindo Estádio da Luz

23.10.03

Hoje é dia 23.
Mais um dia que juntamos ao tempo que nos amamos. A poesia não está na mão de quem a escreve, mas sim nos olhos de quem a lê. Por isso, meu amor, ofereço-te estes poemas.

Com muito Amor.

22.10.03


Hoje desenho eu

Pegando numa ideia em visita ao acima citado, gostei da forma como se pode postar sem escrever. Dá mais trabalho mas é mais giro. Isto a propósito de se considerar os blogs portugueses sensaborões, branquinhos ou com pouca cor, sem animação e silenciosos. Discordo porque os portugueses não são tristes. Podem não ter é a paciência dos meus amigos brasileiros. Olhem só como eles podem linkar os amigos:





E nós? Também podemos não estar tão mal. Há exemplos que o Maizum dá. Ora vejam:


Agora é puxar um pouco pela imaginação e não tarda muito estamos todos mais alegres.

20.10.03


Hoje escrevo eu.

* Ouvir Outro Poema, numa tarde de um Artista Anónimo.

* Para relaxar o corpo e o espírito.


* Histórias de Família
Gonçalo: Fodaxe, caraiu, axim não brinco
Mariana: Vou contar à Mãe
Tomás: Mariana!!!! Fogo, Gonçalo. A Mamã disse que ficavas uma semana sem ver televisão.
Gonçalo: fodaxe, fico noentinho e venho pa caja da titas!

* Anúncio
Para aqueles e aquelas que gostam,ou melhor, são viciados e viciadas em chocolate tal como eu, é preciso desde já anunciar que o Festival Internacional de chocolate de Óbidos vai decorrer de 4 a 9 de Novembro.

* O Jornaleiro
Ele estava lá todos os dias. No mesmo cruzamento, à mesma hora. Aparentava uns doze anos, era magro e tinha o sorriso mais luminoso que conheci. Estava sempre alegre em seu ritual quotidiano: caminhar entre os carros, conversar com os motoristas, vender jornais.

* Violeta Harcore
Meu novo blog favorito é o da Violeta Harcore. Sempre gostei, mas ele tem estado cada vez melhor.
Admiro sua boca suja, sua sinceridade, sua força, sua liberdade.

* Ficar ou não ficar?
E se eu ficasse?
As longas caminhadas de fim de tarde, ao lado do meu pai, fugindo aos cães vorazes que saem das criptomérias. O sol que inunda o pára-brisas e me encandeia no caminho matinal de Angra. Os pobres que se amanham com uma panela de sopa.
E se eu ficasse?

* Insustentável leveza do ser
Há uns anos disseram-me, em plena Av.da Liberdade à hora de ponta, que o meu maior problema era ser o Tomas da obra de Kundera. Quem o disse, fê-lo com cuidado e com amizade. Na altura sorri, espantado e divertido. Depois, passados uns minutos, percebi finalmente.E foi, talvez, o mais belo e eficaz puxão de orelhas que recebi até hoje.

* Conversas de merda
Não se diz "Estou-me a cagar para o segredo de justiça". Deve dizer-se "Estou a cagar-me para o segredo de justiça". Defendo que, mesmo quando se diz merda, como Ferro Rodrigues, deve-se fazê-lo correctamente.

* Calão
Peço a ajuda dos etnógrafos amadores: alguém já deu por designações em calão para os Euros? Já apareceram os equivalentes de "paus", "contos", "milenas", etc.? Acho estranho que tal ainda não tenha acontecido. Como é que jovens, marginais, cromos e pintas e todos os produtores compulsivos de calão se relacionam com a "nova" moeda? Agradecem-se informações sobre este candente assunto de invenção cultural...

* Livros
Queimar o "Mein Kampf" significa, apenas e só, aceitar e praticar as ideias do autor!

* O preço da cobardia
Oiço na rádio que o principal suspeito da violação e morte da menina de dois anos já antes tinha estado preso precisamente por ter abusado sexualmente de uma criança.
Esta menina devia ter sido protegida pelo Estado. Porque estava indefesa, e a Lei existe para defender os mais fracos da tirania dos mais fortes. A família falhou. Não devíamos ter falhado nós.









18.10.03



Breves e soltas

* A Rita foi operada com êxito e já está em casa. A titas vê-se na contingência de a proibir de ir às compras. Pudera..., com um tempo destes. As Matoso são assim.

* Ainda a Solidariedade, “um pequeno gesto que pode fazer toda a diferença”, tem um blog que permite ser feito por todos e para todos. E também podem descobrir José Carreras e a sua Fundação para o tema que foi abordado no dia 15.

* O senhor Salvador tem um blog. Como disse a minha amiga Civana num dos post abaixo “blogar não é privilégio (só) dos jovens”. Bastas vezes o amigo Bruno repara nestas coisinhas singelas, e importantes (acrescento eu), e "colo-me" a ele porque gosto de ler o que escreve.

Com esta momentânea e, espero , duradoira satisfação não ocupo mais espaço. Estou como o tempo: à espera de melhores dias.
Bom fim de semana na companhia de The Sounds of Silence.