12.1.04



Rir, talvez...

"É preciso que as pessoas riam, para seu próprio bem, pelo menos 12 minutos por dia", explica muito seriamente Daniel Kiefer, presidente do "clube do riso da França". Em Maio de 2001, ele abriu o seu primeiro clube em Mulhouse, após uma formação com o dr. Madan Kataria, um médico indiano, que elaborou um método em que se passa numa única sessão de 45 minutos de riso forçado ao riso natural.

Os adeptos dessa terapia são na maioria jovens e de várias camadas sociais. "Essas pessoas descobriram que o riso, além de ser muito benéfico à saúde, fornece um importante capital de optimismo. Muitos não riam desde os 10 ou 15 anos de idade, em razão de depressões e de outros problemas nas suas vidas. Nas sessões, reencontraram a motivação e o prazer de rir", diz Kiefer.

A ideia é não só ampliar o número de adeptos da terapia, mas organizar quatro clubes em Paris. Na Grã-Bretanha, Alemanha, Austrália e Suécia, já existem em funcionamento clubes semelhantes.
A receita do dr. Kataria é "rir de qualquer coisa", inclusive do que está em torno de nós.
As virtudes do riso são múltiplas: efeito anti-stress, anti-depressão, reforço do sistema imunitário e da circulação abdominal, massagem do pâncreas e aumento da autoconfiança.

Daí, o meu sorriso pessoal com estas dúvidas e outras tantas certezas. Senão fizer bem, mal também não faz.

*Quereis conhecer um homem? Dai-lhe um grande poder. (Pittaco)
*De punhos cerrados, não se pode apertar a mão a ninguém. (Indira Ghandi)
*Dar é o verbo mais curto da primeira conjugação. Não dar é o mais barato. (Noel Clarasó)
*A virtude do homem não se mede pelos seus esforços, mas pelo comportamento ordinário. (Pascal)
*Infelizes os homens que têm todas as ideias claras. (Pasteur)
*Os mais soberbos na prosperidade são os mais débeis na adversidade. (Fenelon)
*Não fales da tua felicidade a quem não for tão feliz como tu. (Pitágoras)
*A única pessoa que pode mudar de opinião é aquela que tem alguma. (Edward Westcott)
*Quem se irrita com as críticas está a reconhecer que as merece. (Tácito)
*Não me digas o muito que trabalhas; fala-me antes do muito que fazes. (James Ling)


9.1.04



As minhas prendas de Natal (1)
(a prenda da minha filha mais velha. Cristina)

"Há algum tempo atrás uma mãe castigou o seu filho de 5 anos de idade por estragar um rolo de papel dourado que ia, por fim, decorar uma caixa a ser colocada sob a Árvore de Natal.
Na manhã seguinte à noite de Natal, o menino trouxe a caixa e entregou-a à mãe dizendo: "Isto é para si, mãe".
A mãe ficou embaraçada pela sua reacção precipitada, mas a sua raiva aflorou, novamente, quando viu que a caixa estava vazia, e falou rudemente com o menino: "Você não sabe que quando se presenteia alguém é esperado que haja alguma coisa dentro do presente?"
O menino olhou-a em lágrimas e disse:
" Não está vazia, mãe. Eu soprei para dentro dela, até ficar cheia de beijos".
A mãe ficou arrasada. Ajoelhou e pedindo perdão pela sua ira irracional, abraçou-o com ternura.

Um acidente tirou a vida do seu menino pouco tempo depois e é sabido que a mãe guardou aquela caixa dourada perto de sua cama por todos os anos de sua vida.
Sempre que estava deprimida ou tinha de enfrentar problemas, ela abria a caixa e imaginariamente tirava um beijo e lembrava o amor que a criança lá tinha colocado.
Verdadeiramente, cada um de nós, seres humanos, temos recebido uma caixa dourada repleta do amor de nossos filhos, família, amigos.
Não há maior tesouro para se possuir. "


6.1.04



Venturas de Infância (em Dia de Reis)

Quando eu era pequeno, a infância (e mergulho fundo na minha infância) , esse grande território de onde todos saímos, era um Mundo ! Pois de onde sou eu ? “Sou da minha infância como se é de um país...”, escrevia Saint-Exupéry numa das suas obras: O Piloto de Guerra. Todos, realmente, comprovamos isto diariamente. O nosso mundo interior está povoado de imagens e recordações, muitas vezes nebulosas, que têm origem nos anos da nossa juventude. Em muitas ocasiões, temos, até, de recuar a essas épocas da nossa vida para compreendermos certas atitudes, hábitos, reacções, gostos, que fazem parte da nossa maneira de existir.
E aqui entram os nossos heróis. Cada qual com o seu tempo e com o seu espaço. Sou do tempo do Fúria e da Lassie. Li as histórias de cow-boys de Kit Carson e Bill the Kid. Armei-me em Zorro e em Tarzan. Quis ser Robbin dos Bosques e ter a poção mágica do Astérix. Passeei em França com Tin-Tin e ia ao Brasil com o Tio Patinhas mais aquela malta toda do Walt Disney. Vi os filmes do Bonanza, do Rim-Tim-Tim e diverti-me imenso com Mr. Ed, o cavalo que falava. Havia até uma maneira razoável de comer legumes: imitar o Popeye comendo tudo o que era verde parecendo serem espinafres.
Um pouco mais tarde, com a escolaridade mais avançada, aventurava-me com D. Quixote e ia à Lua com Verne descobrindo novos mundos e novas gentes. Conheci meninos pobres com Dickens e Dostoievski, amei com D.H. Lawrence as donzelas dos seus livros, e tornei-me Corsário por volta dos doze e andava à espadeirada como se dos Três Mosqueteiros fizesse parte. Sem antes, ter todos os cromos da bola e ainda ser do tempo do Benfica europeu.
Tempos bons esses do berlinde e do pião. Do arco e dos carrinhos de esferas construídos por nós próprios.
Lembro-me, e nisso fui privilegiado no tempo, do primeiro filme na minha primeira televisão: O Ivanhoe. Agora somos o que somos mais tudo aquilo por que passamos.
Em tempos idos dizia-se da Cultura que era tudo o que nos restava depois de ter-mos esquecido tudo o que aprendemos. Talvez fosse. Até ao momento em que apareceram os blogs, estes desnaturados que me fazem engordar.


5.1.04



Ele há dias em que quando se sai de casa esperamos nunca mais voltar. Não sei se foi do sol que apanhei ontem ou se foi das pataniscas que tudo tinham menos bacalhau. Por isso, hoje aprendi...

Que o maior obstáculo é... o medo.
Que o mais belo dia é... hoje.
Que os melhores mestres são... as crianças.
Que o maior erro é... dar-se por vencido.
Que o maior defeito é... o egoísmo.
Que a maior distracção é... o trabalho.
Que a pior decadência é... o desânimo.
Que o mais vil sentimento... é a inveja.
Que o presente mais bonito... é o perdão.
Que a maior felicidade... é a paz.
Que a maravilha do mundo... é o amor
E que o alimento da alma... é a poesia!

Com dias assim, se calhar só cá venho amanhã.


3.1.04



Previsões e análises de 2004

por Prosiquieski Tamara

JANEIRO
O mês do silêncio, de análise, da calma e tranquilidade sentida num copo de aguardente.
FEVEREIRO
Ter Carnaval é possuir encanto ao desconhecido, tolerar o intolerável e proclamar a crença de que em nada se acredita.
MARÇO
São 31 dias que nos fazem sentir vivos perante o permanente conflito com tudo o que nos diga mais de perto.
ABRIL
Se ninguém sabe, é o mês em que florescem floridas flores e faço anos de quando em vez.
MAIO
Não venham com as tretas do Trabalhador. Já está toda a gente a pensar nas férias e ainda por cima é sábado.
JUNHO
Num segundo passa mais meio ano. Em menos tempo passarinho, passarada, passarão os outros seis.
JULHO
Se “isto” ainda durar preciso de um comprimido para te aturar. Olha, fiz um verso.
AGOSTO
Já sei! Sexo, praia, sexo, muito mar e muito sexo com bronzes e barriguinhas ao léu. Quer-se é ginjas e já nos esquecemos de Hiroxima.
SETEMBRO
Não saber que mês é este pode trazer modernidade. Acontece a todos que sabemos existir e para lá do Marão mandam os que lá estão.
OUTUBRO
Nem tudo se pode ter perdido. Ficarão ficará sozinho republicando monarquias.
NOVEMBRO
Castanhas de S. Martinho. Tintas azuladas como a água-pé porque abriu a caça aos estorninhos.
DEZEMBRO
Outra vez Natal, porra. Mais nostalgia, mais bolinhos e vinho doce. Mas antes de tudo o mais recebe-se o pilim com que se compram os melões.


2.1.04



Hábitos educacionais

A partir de hoje vou corrigir uma falta de educação!
Quando entro no talho cumprimento as pessoas. Assim como quando vou à mercearia, ao barbeiro, à drogaria. Quando entro num táxi ou num autocarro cumprimento o/a motorista. Indo a casa de pessoas amigas, ou a casa de outros por ter sido convidado, faço o mesmo. Porque carga d’água, quando entro nos blogs que visito, não o faço regularmente?
A partir de hoje, não se admirem se deixar nos vossos “comentários” um simples Bom dia.
Mesmo que não tenha nada a ver com o texto.


31.12.03


Bem vindos ao FlashBlog!






Coisas giras (penso eu)

Ajude George W. Bush a "farejar armas maciça$".

Estrelinhas de Natal
(Gentileza de Charlotte)

Ratinhos

Serenata

Ténis

Carlos Cus (ñ aconselhável)


Testes

Como é que se sente hoje?
Você É Ajustado(a) Sexualmente?


É amigo(a) do seu amigo?
Teste a sua Popularidade


Como é que estamos de código?
Você É Um(a) Bom(Boa) Motorista.


Oferecimento: InterNey.Net




Curiosidades

P: Sabem qual é o concelho de Portugal com mais adeptos do F.C. do Porto

R: É o conselho de arbitragem, carago!

P: Como é que sabes que passas tempo demais à frente de um computador?

R: Quando procuras um ícone para abrir a janela do quarto.



Baú de recordações musicais

* Elton John
* Neil Diamond
* Rolling Stones
* Rui Veloso
* Zeca Afonso
* Jacques Brel
* Beatles
* Elis Regina
* Bee Gees
* Bob Dylan
* Chico Buarque
* Las Ketchup
* Gloria Gaynor
* Europe
* Kenny Rodgers
* Ottis Redding


Anedotas

- Em que pensas, querido?
- Ora, no mesmo que tu fofinha ...
- Malcriadão! Indecente. Não tens vergonha nenhuma nessa cara?

******

- Querido, hoje o relógio caiu da parede da sala e por pouco não bateu na cabeça da mãe...
- Maldito relógio! Sempre atrasado...

******

Num avião, a hospedeira pergunta a um passageiro:
- Aceita jantar, senhor?
- Quais as opções? - pergunta ele.
- Sim, não.

******

- Ó mãe, compra-me um computador.
- Para quê?... se tu és careca.
A avó, com desgosto, deixou de beber café.



Momentos de Poesia

* Antero de Quental
* Natália Correia
* Sophia de Mello Breyner Andresen


Teatro
* Gil Vicente
(Gentileza de Aranha Tecelã)





Já passaram 19 horas desde que aqui cheguei!
Mantenha-se com a boa disposição do último dia do ano e agrade-se por aqui.
Entretanto, vá-se actualizando com as notícias em directo na TSF.

Reflexões
2003 foi sem dúvida o ano da explosão dos blogs portugueses. O lançamento febril na blogosfera deu-se por altura do começo da guerra no Iraque. De pouco mais de duas centenas passou-se para um patamar que já vai nos milhares.
Dê a conhecer os seus blogs preferidos que nós vamos lá dar uma saltada. O primeiro blog que visitei, ainda me lembro, foi o Soda Cáustica. Ainda mexe e, nessa altura, estava a votos no sapo.
Velhos tempos.


Referências
À Inês. Menina de 11 anos que tem um blog só de Provérbios.
Pequeninas coisas com grandes resultados.
Um exemplo:
Quem foi que inventou?

Agora tente descobrir a resposta. Pois é!


Juízos de valor

“Best of the Year”.
31 de Dezembro é o último dia do ano! Não estou a mentir.
Os portugueses, de um modo geral, não são participativos! Estou errado?
Este primeiro FlashBlog em Portugal teve a importância que teve e não se fala mais disso, mas...
O que gostaria de saber era quais as coisas boas que vos aconteceram e que possam partilhar neste momento. E queiram eleger como facto mais importante nas vossas vidas em 2003. O resto, amanhã, já estará esquecido.


Os meus agradecimentos
Aproxima-se a hora de nos despedir-mos deste ano velho para acalentar esperanças na vinda do Novo Ano que se aproxima. Ficamos mais gastos, mais usados, mas mais sábios. O que vos posso desejar a não ser saúde, amor e sorte?
Tudo o resto virá por acréscimo.
O meu Obrigado a todos quantos participaram nesta pequena iniciativa. No Brasil é da praxe passar-se o “testemunho” ao visitante mais participativo, mas como foi uma experiência, pode ser que alguém queira tomar a iniciativa num próximo FlashBlog.
A todos os que aqui passaram, durante estes oito meses, e aos que vierem a seguir o meu desejo de um óptimo ano de 2004.
FELIZ ANO NOVO A TODOS

Adeus Ano Velho


Bem-vindo Ano Novo



30.12.03




EM FASE EXPERIMENTAL


Sabe o que significa "tintim por tintim"?

À quanto tempo não houve os discos da sua época?
para um "cheirinho"... clique aqui.

Já pensou em eleger "Best of the Year"?


Falta pouco menos de meio-dia para o início do FLASH BLOG.
Fones nos ouvidos! Colunas no máximo e dedos sem anéis para não ferir o teclado.
Não se vai perder tempo à espera da passagem do ANO!
Divirta-se um pouco.! Ria e cante. Faça poemas ou conte anedotas.
Abra qualquer coisa fresca que a gente bebe, enquanto nos conta o raio da vida que leva.

Venha daí à procura de um convidado surpresa!


Descongestione, até lá, com a música escolhida pelo meu amigo Kappa. Ou outra que tiver.

27.12.03



FlashBlog

Estou a pensar em fazer um Flash Blog de Fim de Ano - ou o que isso queira dizer - (copiei a ideia da minha amiga Civana) para se poder conversar sobre tudo e sobre nada. Apenas estar por aqui. Ouvindo, conversando, trocando loas e olás e, sobretudo, divertir e ajudar a passar o tempo que faltar para a Meia-Noite.
Para ver como decorreu o dela clique aqui.

Não sei se sou capaz! Mas fica a ideia e a vontade.
Dia 31 tentarei estar por aqui, quase as vinte e quatro horas, em posts permanentes. Com as coisas mais malucas que me vierem à ideia.

As regras são simples:
- No Flash Blog publico o que me der na gana
- Quem por cá passar deixa um comentário a que eu tenho que responder
- Depois é seguir em frente e ver no que vai dar

Não tenho um template fabuloso. Sou um zero-vírgula-um em informática e até posso estar aqui sozinho todo o dia. Mas vou fazer, pronto!
Inclusivamente, até fico grato por sugestões.



Não têm que se preocupar com comida. Ao meu serviço está contratado Signori Albertini Carrascutto.

Sobre segurança, nada a dizer dos serviços graciosamente prestados pelo guarda Abel Costa.

Qualquer eventualidade mais problemática em termos de saúde, que ninguém fique preocupado. Contamos com a Dra. Bettencourt Rosinhas.

Na recepção teremos a nossa mais próxima colaboradora, D. Georgette (com dois tês) Mendonça Fidalgo, inteiramente à vossa disposição para qualquer conveniência. (só depois das badaladas)

Temos também uma equipa de reportagem na rua para cobrir (!) todo o evento. Responsabilidade a cargo do ilustre camera-man Tony do Bairro Alto.

E se não parecer ousadia da minha parte, os serviços mínimos estarão garantidos por Sebastião Fernandes. O nosso engraxador oficial.

Qualquer reclamação ou sugestão, estou por aqui no dia 31.
Peça que a gente passa.




26.12.03



E eis mais um Natal passado e um novo ano que se aproxima.
Continuando a haver um mundo em cada um de nós. Feitos de mudanças radicais e constantes.
Muito por força dos dias entrelaçados de nadas e a começar do zero.

Sabendo que a Vida “é uma trampa”, continuaremos a não descobrir soluções para nos virarmos. Ou quedar-nos para pensar um pouco naquelas vinte-e-quatro-horas que, obrigatoriamente, temos que passar todos os dias.
Por vezes, estamos fartos mas aguentamos. Ficamos tristes mas rimo-nos. Estamos “fritos” e pensamos que amanhã podemos ter futuros frescos. Daqueles vindos de longe. Enlatados e embalados em caixas coloridas e bem feitas.

Mas passou mais um Natal e parece-me que falta qualquer coisa. Não pode existir sempre o rosto com que nos conhecem. Mas somos nós na mesma. Ou até ver, pensamos ser o que os outros vêem em nós.
O que pode ser perigoso. Mesmo com o novo ano que se aproxima.


24.12.03



Sou simples nos sentimentos.

Quando gosto, é para sempre.

Pessoas que passaram na minha vida são sempre inesquecíveis.

Lembro com muito afecto aqueles que já se foram, pensando só nos momentos felizes.

E o que me acalenta é que os amigos de hoje, mesmo a alguma distância, estão sempre ao alcance dum clique.





23.12.03



"Como noche como sueños,
son los ojos negros,
de mi amor Manuela.
Como espiga en primavera,
como luna llena es mi amor Manuela.
Sus palabras cariñosas,
la mirada inquieta,
de mi amor Manuela.
Tiene mis sentidos presos,
y todos mis sueños son para Manuela.
Desde que llegó a mi vida,
desde aquella tarde que encontré a Manuela..."



Dia dedicado ao meu Amor

22.12.03



Eu sabia.

Eu sabia que esta quadra me provoca uma nostalgia que faz doer.
Uma dor que não é fácil transcrever e muito menos aceitar. É uma nostalgia de raiva e rebeldia que me invade por nada ou pouco poder fazer, ou transformar, tudo aquilo que acho que falta ou esteja errado. Não conhecendo pessoalmente ninguém, já puseram a chorar a minha neta e fazem-me andar, feito maluco, a tentar não esquecer todos aqueles que comigo partilharam alguns momentos nestas coisas dos blogs.
Se eu pudesse..., ai se eu pudesse..., ficava neste estado em todos os posts, em todos os lugares que visito e onde me sinto bem. Mesmo que doa e saiba a amargura, fico feliz por saber que ainda existe gente capaz de “se não puderem estar com aqueles que amam, pelo menosque consigam amar aqueles com quem estão.”
Merda de Vida.
Porque não é Natal todos os dias?


21.12.03

Dia da Mãe (neste blog)


Marina diz, misteriosa, com a mão no peito:
- Meu coração está partido.
- O que foi, filhotinha?
- É que metade é do Papai e metade é da Mamãe.

in Mãe de gémeas



"Mãe, lembrei-me hoje muito de ti e fui aos meus papéis buscar o único documento escrito que sabias fazer: a tua assinatura.
Quando nasceste, na tua e minha aldeia, campónios não iam para escola, e tu também não. Mas quando te apercebeste, à beira do casamento, que havia gente que se identificava através da assinatura de um estranho a rogo de, a determinação de mulher forte que sempre foste levou-te a aprender as primeiras letras para ao menos saber fazer teu nome.
Mãe, nunca mais escreveste nada. Mas eu sei que a tua assinatura testemunha uma grande obra. Por isso a vim colocar na Internet que espero também chegue ao céu onde te encontras.
Apoiado na tua assinatura, grito ao mundo inteiro o meu grande orgulho em ser teu filho."

in Proverbiota



Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Tenho medo da vida, minha mãe.
Canta a doce cantiga que cantavas
Quando eu corria doido ao teu regaço
Com medo dos fantasmas do telhado.
Nina o meu sono cheio de inquietude
Batendo de levinho no meu braço
Que estou com muito medo, minha mãe.
Repousa a luz amiga dos teus olhos
Nos meus olhos sem luz e sem repouso
Dize à dor que me espera eternamente
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa
Do meu ser que não quer e que não pode
Dá-me um beijo na fonte dolorida
Que ela arde de febre, minha mãe.

Aninha-me em teu colo como outrora
Dize-me bem baixo assim: — Filho, não temas
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme.
Dorme. Os que de há muito te esperavam
Cansados já se foram para longe.
Perto de ti está tua mãezinha
Teu irmão. que o estudo adormeceu
Tuas irmãs pisando de levinho
Para não despertar o sono teu.
Dorme, meu filho, dorme no meu peito
Sonha a felicidade. Velo eu

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique
Afugenta este espaço que me prende
Afugenta o infinito que me chama
Que eu estou com muito medo, minha mãe.

in Vinicius de Moraes



"mãe vem ver, quero este"
...dividida entre o desejo de lhes fazer a vontade e o desejo de os surpreender, dividida entre as genuínas expressões de felicidade quando abrem os presentes e o sentimento...”

in Isabel

20.12.03



Um dos meus filhos fez hoje anos

Por isso, decidi que amanhã é Dia da Mãe neste blog.
E um Dia da Mãe acontece num calendário qualquer. Em qualquer dia da semana e numa qualquer família que tenha Mãe.
Para tentar ser mais exacto, um Dia da Mãe pode fazer-se num dia qualquer em que nos lembremos dela. Inventa-se uma qualquer hora que se queira e, por forças circunstanciais, podemos torná-la especial, particular ou pública. Por vezes, pode só depender do filho/a. Da Mãe. Ou da Mãe que cada um de nós possa ter.
Para além de se poder, ou não, gostar de qualquer pessoa, gosta-se sobretudo da Mãe.
Seja ela boa ou má (no pressuposto de que as há), bonita ou feia, humilde ou depravada, sensível ou desligada. Pobre ou rica, velha ou nova, gorda ou magra.
É a Mãe!
A Mãe foi uma pessoa que fez força para que se pudesse nascer de cabeça. Mãe é a pessoa que primeiro nos acorda, nos dá o pão e sabe o que é melhor p’ra nós. A Mãe é uma criatura a quem se fica ligado/a pelos sons, pelo cheiro, pelo calor irmanado dum corpo igual à nossa espécie. Sem pedir nada em troca e ficar feliz por existirmos, a Mãe é um exemplo que se copia durante um tempo.
Daí que, o Dia da Mãe, seja quando eu quiser.
E pode até não ser por mero acaso, mas eu quero que seja nos dias em que pensar nela.
Seja ela a minha, a sua ou a dos meus filhos.

17.12.03



Com esta coisa do Natal andei na Net à procura duma lembrança para dar a um amigo meu que é psicólogo mas que para o caso não interessa nada. Logo na primeira:


ANÚNCIOS CLASSIFICADOS:


Procuropessoaltécnicopararepararbarradeespacos.

Se a sua sogra é uma jóia...Temos o melhor estojo...
Funerária Sousa


Vendo automóvel de 4 portas com excelente vista para a rua.

Psicopata assassino procura rapariga para relação curta.

Troco caixa de brinquedos por revistas pornográficas.

Vndo máquina d scrvr com falta d uma tcla.

Troco preservativo roto por roupa de bebé.

Empresário com dois pénis procura secretária bilingue.

Precisa-se namorada com automóvel.
As interessadas devem mandar fotografia da viatura.


Procuro cão e sogra perdidos. Recompensa pelo cão...

Troco sogra por víbora. Pago a diferença.

Troco pastor alemão por um que fale português.

Daoce aulas de hortografya

Troco lindo cão Doberman por mão ortopédica.

Homem de bons costumes procura alguém que lhos tire.

Jovem solteiro e sem compromisso arrenda meia cama.


Alguém acredita que já não me lembro do que andava à procura?


15.12.03



feliz natal, menino deus.

Leio o teu nome
Na página da noite:
Menino Deus ...
E fico a meditar
No milagre dobrado
De ser Deus e menino.
Em Deus não acredito.
Mas de ti como posso duvidar?
Todos os dias nascem
Meninos pobres em currais de gado.
Crianças que são ânsias alargadas
De horizontes pequenos,
Humanas alvoradas ...
A divindade é o menos.

(Miguel Torga)




Abra! É a minha prenda do Natal deste ano para si.


14.12.03


(Becky Cristina no centro alto )

Hoje faz anos o "meu" cão

Do teu latido saem sons que são palavras que entendo.
Dessas palavras que emanas existem sons que se transcrevem como frases.
E toda a gente diz que és um cão.
Engano!
Além da raça canina a que pertences, preenches melhor o humano sentimento do que muitos cães que se fazem passar por isso.
O meu ruuuuef agradecido pelos teus ãos mui carinhosos.


8.12.03

Veinte años...



"Quise hacerte una canción, para cantar despacito, como se duerme a los niños... y ya ves, sólo palabras sobre notas me han salido, que al igual que tú y que yo, ni se importan ni se estorban... se soportan amistosas, mas... mas no son... no son una canción".

5.12.03



pediram-me um poema...

mas os poemas não se fazem a pedido
são estados d’alma solitários
constrangidos
com cenas de amor que nunca faço
pediram-me um poema
de normas sociais que não cumpro
e nunca escuto
pediram-me um poema
valendo coisas na vida que nunca trago
e estrago
pediram-me um poema
no palco deste rol de modos vários
de tempo que tem vento
e lento
pediram-me um poema
nos palanques de luz reflectidas
onde se ditam sentenças e joga-se futuros
impuros
obscuros
por isso
hoje quero estar sozinho
longe
escondido
onde os poemas
não se fazem a pedido


2.12.03



Textos esquecidos de Natal (3)

A minha árvore de Natal este ano não tem cor!
Foi feita, apenas e só, para os meninos da rua que eu conheço. Colocada a um canto do meu mundo, não tem presentes e, no lugar das bolinhas de fantasia, são visíveis amargas recordações duma vida constantemente injustiçada. Fruto duma visão de dor e sofrimento, de abandono e de tristeza, que abrange todos aqueles que sofrem na pele o dia-a-dia que vivemos.
É Natal, dizem-me. Eu sei muito bem que é Natal! Aliás, todos nós sabemos. E para os meninos da rua que eu conheço, estão a comprová-lo as mil e uma mensagens dum amor e carinho hipócrita que ouvimos todos estes dias. Se não chegasse, bastaria olhar os milhões de calendários coloridos que aceleram os anos e reconhecer nos jardins deste país os presépios feitos de luzes que não brilham. Apenas estão por ali.
Mas para quem está habituado a sofrer os dias pardos da desventura e da desgraça, da fome e da solidão, do esquecimento a que são votados nas horas sempre iguais, é apenas mais um ciclo de vinte e quatro horas que custam a passar. É apenas o olhar para um amanhã sem soluções. São estas as realidades deste espelho retardado que se consegue vislumbrar em dor e sofrimento de quem nunca conseguiu alcançar o que deseja e a que tem direito. É neste meu mundo que vivem os meninos da rua que eu conheço.
Nestes meninos da rua que eu conheço, há em cada história pessoal uma tragédia que se esconde. Há em cada silêncio consentido, uma revolta amarga e negra que não se consegue perceber. Existe em cada rosto imberbe de criança, uma expressão azeda e ferida de ilusões e de tormentos. De sonhos perdidos e desfeitos. De rugas que escondem as horas, os dias, os anos, a que conseguem sobreviver.
São estes os meninos da rua que eu conheço, alguns já crescidos, que melhor entendem o destino ao qual estão vinculados e a que é impossível fugir. Por cada um dos seus olhares, vagos e perdidos, destes meninos da rua que eu conheço, perfila o lado triste de quem morre de frio a cada esquina. Cada um deles apenas a mostrar o futuro incerto que se conta e se transmite. Feito de nostalgia e fé. Por vezes, recheados de sonhos desfeitos para um dia que eles sabem não ter amanhã. Ténue e vazio como a própria quadra que festejamos.
Daí que, na minha árvore de Natal deste ano, apenas haja espaço para os que se encontram isolados e tristes. Para os que da fome e da escassez fazem a fartura de nada possuírem. Para aqueles a quem mais um pouco de carinho e de atenção bastaria para esquecer toda uma vida sem sentido.
Por isso, não façam do meu silêncio uma obrigação de cobardia. Por isso, não me obriguem a mudar a cor à minha árvore de Natal. E se por milagre ou ilusão, arte mágica ou fantasia, as cores se alterem ou apareçam, ao menos que seja para os meninos da rua que eu conheço.


30.11.03



Um dia de Domingo

O meu blog faz sete meses.
Foram meses de palavras, alguns actos e muitas dúvidas.
Foram sete meses muito bons, engraçados e bastante agradáveis. Sete meses quase todos a aprender.
Sei que não é uma vida. Sei que não é uma certeza. Mas pelo que foi, são sete meses que me tiraram um pouco da rotina diária, dos mecanismos automatizados e me facultou o regresso ao interesse de coisas outras.
Nestes sete meses nem tudo se pode ter vencido. Nem tudo se conseguiu ganhar. Apenas me ficou a certeza de que nada se perdeu.
Se “isto” ainda perdura aos meus ilustres visitantes o devo. Sem eles, era como se estivesse a falar sozinho, e era crível, e menos trabalhoso, escrever em folhas frias de papel e guardá-las numa qualquer gaveta do escritório.
A todos eles, o meu sincero Obrigado.

29.11.03



Dedicado a:

Fata Morgana – Pelo seu “Mês do Sagitário”. A experiência da sua própria maternidade em palavras. Mulher e Mãe de coragem.

Substrato – Pelas suas crónicas directas de Moçambique. Terra longe. E tão perto.

Os Miúdos – Ao Alexandre, à Inês, ao Mário Nuno e à Thita, pelo seu desempenho na blogosfera. Enraizados em influências várias, mantêm a saudável e irrequieta fantasia que ditam que não é por eles que a juventude desiste.


28.11.03



Tempo dos passos perdidos

Uma parte da vida é dedicada no sentido de situações meramente pessoais.
Por outro lado, mais do que dormir, um outro terço da dita afecta as pessoas com vulgaridades. O tempo de perder tempo e amigos.
Nesse auge decadente da maturidade, gritam sozinhas e não permitem que os julguem. Nem tão pouco que lhes lembrem que a verdadeira essência desta nossa arrastada passagem por aqui é a alma humana que faz desencadear a vida que cada um merece.
Quanto daria eu para saber se o outro terço que nos resta é vivido a olhar para dentro de nós próprios ou para os outros.





Também não se pode ter sempre azar, não é?

26.11.03



Palavras ditas

Hoje estou com calma no corpo mas completo de nódoas negras na alma. Sei que, por momentos, as palavras bem alinhadas soam bem bonitas. Belas e tranquilas. Às vezes, as letras bem encontradas, têm frases escolhidas. Meigas e belas.
Mesmo sem saber o que dizer, por vezes ou quase sempre, as tais frases e palavras encontradas escondem o sentido terno do querer, escondem o sentido útil de odiar e amar ao mesmo tempo, e o sentido único de escolher.
Se por muito de falar se encontra um eco, há palavras bonitas encontradas que escondem olhares por descobrir, que escondem fórmulas por decifrar, que escondem sempre qualquer coisa que não conseguimos encontrar.
Por isso, olha-me. Vê-me. E deixa-te estar.

Pois é provável que me encontrem nos Fados.

23.11.03


Hoje
Ao contrário da paixão, as palavras de amor fazem doer. Ferem a alma e agridem o coração. Provocam espasmos no nosso próprio ser, na nossa destilada ira , e fazem sangue. Porque amamos e somos reais.
Por isso eu sei que fazem bem.
Aos olhos de outros, por muito que doa e faça sentir, o Amor assim votado não é, nem pode ser, uma jogada perdida e mal paga ou um penalty falhado à boca da regra e dos limites.
Prevalece mais o não ganhar. Impõe-se mais retribuir tudo aquilo que somos, fomos ou gostaríamos de ter sido. Daí, naturalmente, que sintamos saudades das coisas boas. De gotas de orvalho e erva fresca. Da chuva miudinha e areais com muito sol. De gente só, triste, calada por uma vida ingrata depois de tantos anos de sorrisos.
Hoje é dia 23, Amor. Dia de nunca descrever o que sinto ou, por acaso ou por destino, um dia de calar e esconder o que vai no coração.
Viverei para o saber? Sou muito bem capaz de não...
Mas preciso de você.

21.11.03



À mesa com os amigos

Por vezes, fica-se perdido em recordações temporais de dias e noites que nunca mais regressam. Vive-se em conversas trocadas sem sentido. Filosofias vãs que aniquilam a oportunidade de nos voltar-mos a encontrar.
Mas os tempos, hoje, são diferentes.
As noites podem ter a lua como horizonte, mesmo não tendo o ritmo frenético da nossa juventude. As esplanadas não deviam nunca perder o brilho de todos os bancos de jardim. E os espaços... esses espaços tão nossos, deviam continuar a serem feitos com o timbre artesanal do nosso lado artístico e sentimental.
As flores deviam continuar a ter o seu próprio perfume. Para mim, um cheirinho a maresia. Para ti... para ti, a escolha do teu próprio tom.
Temos que descobrir as noites inventadas por crianças. Dias menos agrestes que nos façam amar e rir até que volte a anoitecer. Daqueles que iludem e deixam rastos. Que deixam pistas para reduzir o outro lado da vida e da má-sorte. Embriagando-me nesse odor, posso ver menos tragédias e ventos impelidos por desgraças. Posso ver partes iguais naqueles que nascem mais perto.
Temos diversas maneiras de sentir. É a própria vida que nos ensina no dia-a-dia. E “se há gente que encara a tristeza a rir, existem muitos outros que choram de alegria”.
Por isso, da minha janela vê-se o mar.


Reservada