28.6.04


Nunca me enganaste!

Estou n'outra


É que “determinada gente não deita fora o lixo. Convertem-no em sucata de sucesso.”
Não foi o Woody Allen, fui eu!

ps - esta música maLUKA foi gentil e simpaticamente surripiada d' A Liberdade de Escrita.

* Última hora!

Vou já votar. Aqui!

27.6.04



Para que não se pense que sou um labrego de um espectador perante o que politicamente me rodeia, hoje apetece-me escrever sobre Circo, sobre o Benfica e, mais do que tudo, sobre Santana. Campo de Santana.

Foi aí que conheci os primeiros amigos. Foi aí que frequentei pela primeira vez uma escola, dei os primeiros pontapés na puta duma bola e arranjei as primeiras namoradas. Depois, veio a primeira masturbação, a primeira comunhão e a primeira desilusão.
No meu tempo de liceu (Camões/65), já era eu um benfiquista ferrenho com um géniozinho filho da puta, tive como colegas de carteira os meus primeiros adversários de xadrez, conheci os primeiros detractores de Mao, os primeiros cabrões da Mocidade Portuguesa e os primeiros maus feitios de gente que está (hoje) muito bem posicionada na vida. Foi também aí que tive o meu primeiro cargo (chefe de sala), o meu primeiro castigo (três dias de suspensão), o meu primeiro voto e o meu primeiro olho à Belenenses. Sempre por causa do meu feitio.
Fui sempre um tipo de classe humilde - nunca que me arrependesse - cuja vida foi, e é, nestes juvenis cinquenta anos como gentilmente adjectivou o amigo Buba, recheada de mudanças. Mudanças boas. Tenho sempre sorte em mudanças de PM ou de Governo, em mudar de roupa, em mudar de ares ou em mudar só por mudar de lâmina de barbear. Continuei com sorte na mudança de maré, na mudança de regime, na mudança da lua, nas mudanças do século, e a fortuna continua a sorrir-me em quase todas as passagens onde há mudança. Desta vez, na passagem pelos blogs, nas passagens que leio e nas passas do Algarve que estão p'ra vir. Tudo por causa de Santana.
Interpelando-me, só três coisas não consigo ultrapassar: o meu cepticismo na classe política, o meu receio de uma viragem ainda mais à direita e este meu feitiozinho de merda.

26.6.04



Sábado

Hoje, como é dia de descanso semanal para alguns, vou tentar consertar umas coisas. Têm prioridade os blogs!
Questões, dúvidas, remodelações governamentais, comprimidos ou vitaminas, pesquisas, músicas, receitas da avózinha, cartas de condução, caixinhas de fósforos, qualquer coisa que alguém precise do tipo sabichão informático, faxavor...
ATENÇÃO: Só para quem ainda percebe menos do que eu desta brincadeira.

25.6.04

Rescaldo após a vitória


* Muito "very british", este manganão é o único súbdito de Sua Majestade que a consegue levar para casa.


* Ultimato à Inglaterra, Ou a Vingança do Mapa Cor-de-rosa

24.6.04




E hoje, para além dos outros incansáveis lutadores, tivemos neste senhor a estrelinha dos campeões.

(gentileza de Márcia Maia)



(Paulo Torck)

ESTAMOS TODOS CONVOCADOS como diz a minha neta.

Vou por ela mas, como mais velhinho, sei o que acontece nestas situações aos portugueses. A comprová-lo está uma das preocupações de Scolari: a definição da atitude emocional dos nossos jogadores.
"São mais reservados, não expressam facilmente o que sentem, principalmente em situações nefastas, acentuando uma certa infelicidade que, na maioria dos casos, só a atenção personalizada, uma boa dose de carinho – na verdadeira acepção da palavra – resolve."
É o fado português. Tão diferente do samba.
Mas carinho, acrescento eu, eles têm. Desde o início.
Lembro que no meu tempo de futebóis, se não chegasse, existia sempre a hipótese de abrir uma garrafinha de vinho tinto alentejano antes do jogo. Só para descongestionar.

Mas esta senhora não deixa.

23.6.04



Hoje é dia 23.
Mas não é um dia vinte e três qualquer. Sob o efeito épico de todos estes dias especiais existem benditas razões que me tornam, hoje, mais feliz. E eu, não fugindo à regra, e muito menos fazendo parte da excepção, não consigo imaginar a melhor maneira de te expressar neste blog todos estes anos de partilha, de convivência, de amor, de todos estes dias e todos os momentos que passamos juntos.
Quase toda a gente dá importância aos dias futuros. É normal, e lá terá as suas próprias vantagens. É usual recolher de toda a gente que nos rodeia os parabéns para que a vida nos sorria, que é como quem diz :”vê lá se agora tens juízo!”.
Mas eu não! Sendo do contra por natureza, cheguei à conclusão que mais que amar-te, desejar-te e querer-te, é importante estar a teu lado a toda a hora. E hoje, neste dia vinte e três em que se comemora a nossa promessa de amor, é também o teu dia, o teu aniversário. Por isso, aqui renovo a minha jura a quem, anonimamente, faz da minha vida um caminho recheado de certezas e coisas boas.

Diz que sim,
companheira,
marinheira,
diz que sim.
Diz que o mar hei-de ver,
que no mar hei-de querer-te
companheira,
diz que sim.
Diz que o vento hei-de ver
que no vento hei-de querer-te,
marinheira diz que sim.
Diz que sim,
companheira
diz,
diz que sim.

22.6.04



Orkut: A novidade que já era

Bom dia.
Há muita gente que deve pensar: “eh! pá, mas este gajo não tem mais nada mais p’ra fazer senão andar aos blogs?” Pois é! Esta brincadeira tornou-se viciante e já estou como o Scolari que quase não tem tempo para dar um abraço na mulher. (hehehe..)
Respeitante ao Orkut, e já aqui tinha referido a novidade, também tenho por lá andado a dar umas tecladas. Fui convidado – é a melhor das possibilidades para ser membro - pela minha querida amiga Civana, “há um tempinho” como ela gosta de dizer. E estou a gostar. Não difere muito dos blogs e torna-se numa relação mais directa e rápida com os amigos e as comunidades existentes por lá.
O engraçado é que, sem nunca ter estreitado algum dia relações de amizade com eles ou com elas, posso ter como “Amigos”, sem o saberem, o Miguel Esteves Cardoso (dica da minha amiga Jaqueline), a Joana Saramago, o Paulo Querido, o Seu Madruga (típico, este cara), o António Granado ou a Inês Ramos. É giro.
Nas inúmeras “Comunidades” actualizamos memórias esquecidas e podemos trocar impressões sobre Marguerite Duras, sobre o lituano Romain Gary ou ter alguma ideia sobre mulheres à beira de um ataque de nervos. A sério. Há um vasto leque de opções comunitárias que abrange temas variados: educação e ensino, fotografia, cinema, teatro ou poesia. Música, religião ou ciência, computadores, política, desporto, negócios, países e até… comes e bebes e fumas.
Ah!... já me esquecia de outra vertente engraçada: o facto de ter – na maior parte dos membros - a fotografia deste rapaziada toda. Família incluída.
Escusado será dizer que também há muita sacanice e condutas menos próprias. Mas isso é o pão nosso de cada dia em todo o lado. De qualquer das formas, para quem quiser experimentar, estou disponível para enviar o convite. É só deixar aqui o nome e o endereço de e-mail.

20.6.04



Completamente apinhada de gente, é quase meia-noite e a Avenida da Liberdade transformou-se no palco da festa nacional. São indescritíveis as cores, as pessoas e os sons. Milhares de bandeiras flutuam no ar como se tivessemos sido campeões do mundo. É o povo na sua maneira mais original de mostrar Portugal.
Apanhei-me aqui no meio e, por isso, hoje não vou dormir a casa.


Estava bela a noite quando acabou.

19.6.04



Portugal, o Euro e os Blogs(II)

Como Alfacinha interrogo-me se a minha cidade beneficia com dois estádios novos. Por vezes, o Céu sobre Lisboa tolda-me a visão nestas coisas da política. Já não bastava a ideia do Casino na Baixa Pombalina ou aquela do elevador para o Castelo.
Mas, nestas complicações, o melhor mesmo é apanhar a Via Rápida e ir ao encontro das terras gélidas do Norte. Não sem antes passar por Coruche dar uma palavrinha a um amigo que lá tenho ou dar um saltinho a Abrantes ver da palha.
Eis Coimbra, o país estudantil por onde começam as Nortadas e se encontram os Pasquins universitários de capas e batinas. Sim, porque do Portugal dos Pequeninos sempre ouvimos falar. Mais acima, podemos atravessar Viseu duma ponta a outra sem nunca encontrar um Aveirense. Rumemos, então, noutro sentido.
Direitos a Azenhas do Mar onde nos dizem que A Oeste nada de Novo. Tá bem, procuraremos novidades ao auscultar o Fórum Cidade na bonita e pacata Vila do Conde. Bem perto, um Portuense tem o mau costume de nos chamar de “mouros”, e se não fosse cá por coisas ficava já por aqui. Mas não. Está na hora de Transmontar por esses lugares Do Mundo, rumo a Chaves, esperançados de ouvir falar Mirandês.
Um pouco mais ao lado, na Grande Loja do Queijo Limiano, fala-se de futebol. E ao preço a que chegaram os bilhetes, claro.
Opsss! Ia esquecendo a Estarreja do futebol. Em duas versões: ligth e efervescente.
Depois desta viagem, não digam que duma qualquer Janela para o Rio deixarei de acompanhar o que se escreve nos blogs deste país. Inclusivamente, nem que tenha que ir às Ilhas e alegrar-me com dois dos meus regressados preferidos: o Buba e a Catarina.
Com ou sem bandeirinhas à janela.

18.6.04



Portugal, o Euro e os Blogs (I)

A descentralização nos blogs portugueses não é só um facto real como se pode tornar num apalpar de pulso ao que o Euro 2004 estará a proporcionar às regiões que o apadrinham. Vamos saber do que falam, de norte a sul, os blogoregionalistas:
Comecemos Asul por Terras do Sol. Um voltar mais rebelde e estamos em Silves. Blog que nos acolhe com a simpatia costumeira de António Baeta Oliveira. Ao subir, é imperioso olhar a Serra nos seus trilhos mais agrestes e ir Alentejanando perante o sorriso alvo das crianças em Ouguela percorrendo com agrado toda essa Planície até que se alcance a sombra de um Chaparro. Beja e todo o seu Baixo Alentejo estão presentes até dizer Avondo. Évora, Aviz, Alandroal, Santa Cita, Tomar, Sardoal e tantos mais dão-nos conta das suas inenarráveis Crónicas do Deserto. Todo o Meu Alentejo está presente. Falta-me é o fôlego para os acompanhar nestas viagens.

13.6.04



Segundo os números recebidos pelos serviços do Parlamento Europeu teriam votado 20,4% dos alemães, 24,57% dos espanhóis, 24% dos dinamarqueses e 23,95% dos holandeses, só para exemplo. Não sem antes saber que 67% da malta portuguesa baldou-se a esta treta.
Terão também aqueles gajos bandeiras na janela?


Dia 13

- Hoje é dia de definir, degustar, debruçar, denegrir, descompor, dividir, desopilar. D’arrasar, de dormir, digerir, diferenciar, distinguir, designar, decapitar, defender, descrutinar, defrontar, degladiar, deletar, demolir, demonstrar, diluir, derrapar, depender, defraudar.
Degradar, derreter, desavir, desbotar, desafiar, descascar, desatinar, discorrer, descambar, descender, desfechar. deslizar, desfraldar e descer.
Deslocar, desfazer, despir, desvalorizar, dosear, desferir, d'abrandar, dietético, diurético, diarreico, dorido, diftérico, digital.
- Em suma vai ser um dia distante, dicotómico, diminuído, disfarçado, dispendioso, dispersado, desistido.
Difícil, de merda e do diabo!

11.6.04



Ao contrário do que é habitual, hoje reparei na janela do meu vizinho da frente.
O que me fez olhar também para as janelas dos prédios da minha rua, para as janelas dos casebres pobres do meu bairro, para as moradias da minha freguesia e todas as janelas do concelho por onde passa o meu público transporte.
Senti que transbordavam dessas janelas, expectativas com um lado rubro e uma enorme esperança transmitida por um pedaço de pano do outro lado verde.

Ao contrário do que é habitual, senti naquelas janelas retratos de hospitalidade, de simpatia, de solidariedade, num povo habituado a não ganhar e amargurado por futuros áureos que nunca teve e nunca viu. Senti que nesta manifesta verdade circunstancial, estão patentes nos caixilhos dessas janelas o Fado e a Saudade, entrelaçados, que gritam os nobres feitos em oito séculos de História relatados. E senti-me bem. Senti-me honrado de ser Português. Senti orgulho do meu País.

Esta realidade a que assisti a caminho de mais um dia de trabalho pode durar apenas uma bola na trave. Pode demorar, no mínimo, uma bola que não entra. Pode ser que dure até noventa minutos, uma semana ou quinze dias. Mas, ao contrário do que é habitual, mais forte que a nossa Selecção só este povo que está atrás destas janelas.

10.6.04



I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!
Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!


II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d`amor,
E o teu Braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!
Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!


III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.
Às armas, às armas!
Sobre aterra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

9.6.04



Já sei, já sei, Paulinho... quando eu morrer também fui um gajo porreiro, pá!

8.6.04



Não é usual falar de bola. As opiniões dividem-se tanto que acho por bem manter-me alheado dessas paixões assolapadas. Regras da casa.
Mas hoje abro uma excepção.
A Federação Portuguesa de Futebol distribuiu pela manhã a alguns jornalistas uma brochura com o título "Media Guide" onde edita, para além dos nomes e números do Euro 2004, uma descrição pouco ortodoxa sobre alguns dos selecionados. Passo a citar mais ou menos de cor:
- "Deco, o Mágico... na selecção ainda não tirou nenhum coelho da cartola."
- Ricardo Carvalho... só se alguma coisa muito grave suceder aos centrais poderá jogar."
- "Rui Jorge já não tem a velocidade de outros tempos..."
- "Beto é o quarto central..."
- "Miguel perdeu terreno para Paulo Ferreira..."
- "Ricardo teve uma época infeliz. Os trinta e três golos sofridos no campeonato..."

E a desculpa esfarrapada parece-me pior que entre a emenda e o soneto.

6.6.04



Hoje acordei já com uma fisgada: “vou dar um salto ao meu amigo Molin e saber quem raio é o Vodka7 que tem sempre 77 comentários”.
BUM! Já escanhoado e com banho de odores primaveris tomado, porque hoje a minha filha do meio faz anos, deparo com um aviso: “- Bandwidth Exceeded -“ . Toma.
Felizmente para mim, o acesso a mais um reduto da blogosfera ainda estava nas Pinceladas fantásticas, a que muito envaidecido pertenço, e ao ligar-me verifiquei que "beber água faz passar a febre… do ouro". Gostei da frase que, naturalmente, o Bruno Sena Martins, outro amigo, a classificaria, antropologicamente, com um termo adequado e morfologicamente correcto.
Para um domingo que se queria calmo e não desassossegado, porque hoje a minha filha do meio faz anos, começou uma verdadeira azáfama. Por curiosidade, fui espreitar quem era Marta e de teste em teste fiquei a saber que sou muitas coisas menos aquela que dizem que sou.
Não perdendo a pedalada, porque 3tesas não pagam dívidas, aventurei-me por campos do Alentejo na esperança que deus se tornasse visível. Mas não! Está numa de protesto contra a guerra e nem as fotos de Pierre-Michel Delessert o podem demover.
Porque sei bem o que quero e para onde vou, fui. Ou melhor, quase em português: estou no ir a uma loja de perfun's regatear o melhor artigo pelo menor preço porque a minha Virgínia Raquel já está com vinte-e-quatro-anos. E como são sete primogénitas as vezes no ano com que me deparo com estas excentricidades, e porque o número 7 foi o início desta escrita, hoje faço um intervalo. Não que tenha descoberto o porquê dos 77 comentários, não senhores. É que a minha filha do meio faz anos hoje.