7.2.05



Carnaval 2005

Há seis mil anos atrás, o Carnaval justifica que afirme que “a tradição já não é o que era”.
Nem Baco tem o mesmo grau, nem Ísis aderiu ou se converteu às novas tecnologias.
Coincidente, ou talvez não, os carrum navalis da homenagem a Saturno, que eram viaturas puxadas por algumas cavalgaduras dessa altura, quer fosse em Roma ou no Egipto, afloriam nas ruas e vielas transportando em cima homens e mulheres nus. Despidos do seus mais elementares direitos ao agasalho, à reconversão de matérias fantasiosas ou outras abstinências pagãs.

Nos dias de hoje, o Corso está inserido numa sociedade menos clássica onde as máscaras surgem mascaradas. Menos artísticas, mais alegóricas. Pertinentemente mais Sócrates, infelizmente menos Dionisus, mas aonde se mantém alguns vestígios de bacanais, saturnais, lupercais e outros tantos uis e igual número de ais.

A Igreja sempre condenou estas manifestações até surgir Paulo II. Não este, o outro do século XV, quando permitiu o Baile de Máscaras no seu palácio. Uma abertura vista como mais uma fantasia dos tempos. Aqueles tempos. E nesses tempos, como nos de agora, posso aproveitar os ensinamentos do Dr. Hiram Araújo, um estudioso em assuntos relacionados com culturas carnavalescas, que considera estas barracadas em quatro períodos de excelência: O Originário, o Pagão, o Cristão e o Contemporâneo.

E se tudo isto é Carnaval, se tudo isto existe, se tudo isto é fado,

vais te mascarar de quê?

5.2.05



"xi... o Miguel Cadilhe, pá! Onde é que eu andava com a cabeça?
Tenho que reaver a minha agenda dos tempos do liceu..."

As minhas diferenças com Pedro

Pode até parecer absurdo, mas sempre admirei o Pedro.
E porque não somos todos iguais, simpatizo menos com Santana Lopes.
Estudamos juntos, reinamos muito, mas as nossas distinções verificaram-se logo após a infância pela altura da escolha dos nossos actuais dissabores : eu escolhi Benfica, ele optou Sporting.
Porém, a sorte ou azar que os (des)equilíbrios económicos provocaram não se ficaram por aqui.
Ele seguiu os estudos, eu fiquei pelo caminho. Chegou a PM, e eu, por outras vias, consegui um patamar social que, mesmo com as diferenças reais existentes nessa matéria, nada me envergonha de poder estar à altura dele. Como cidadão. Apenas com a diferença de ser eu a poder julgá-lo. A ele, o "retórico", porque sempre fui mais "prático". Ele comprava o "Diário de Lisboa", eu pedia emprestado o "República". Ele escarnecia disto, eu ria-me daquilo. Ele tem que arranjar trabalho, eu já o tenho. Ele tem um partido. Eu ainda não.

Nunca foram as festas de garagem que nos separaram. A função social encarregou-se disso. No entanto, convém sublinhar, que o Pedro sempre foi um visionista. Lírico e sonhador. Um "sebastião" convicto e sem Império. Como eu. Só que ele sempre possuiu o condão de ter mais lábia. Um exemplo de oratória para os engasgados. Mas, depois de alguns comportamentos corrigidos, e com uma vida - a minha e a dele - recheada de experiências, ele é uma pessoa rejeitada pela maioria dos putos da nossa escola (São Domingos de Benfica).
Eu nem tanto assim.

Nem ele se lembrará que costumávamos comparar cada "conquista" (se eu tivesse "duas", ele ia a terreiro e arranjava "três"), e onde o rumo de cada um de nós se foi desenvolvendo em separado. Eu casei, e ele já o fez mais vezes. Tem um património maior que o meu, e nunca o invejei por isso. Desenvolveu as suas apetências, sabe do mundo, da vida, e toda a gente o conhece. Eu não consegui. Só nos filhos é que (ainda) lhe ganho: sete a cinco.

Por isso, encontrar pessoas como o Pedro nas nossas vidas não sucede a todos. Agora ter Santana Lopes por perto, pode acontecer a qualquer um. Daí, ser apenas isto que me faz ter a mão na consciência e decidir se o avise, ou não, do fim da sua carreira quixotesca . Uma fase terminal de um círculo viciante e compulsivo onde a política o levou e que faz as diferenças que nos separam. Que pode acabar mal e anular, irremediavelmente, o Pedro que eu conheci.

Dá para acreditar?

3.2.05


Estou danado!

Não me convidaram para o debate.

(foto d'A Capital)

Mas fui ver! (sozinho)

A mulher adormeceu meia hora depois não sei antes de me responder a um comentário à mesa no jantar.
Eu - Estes gajos mentem com quantos dentes têm na boca!
Ela – Claro. São políticos.
A neta nem me disse nada quando veio buscar os bilhetes para “O Aviador”. Um beijo reconfortou-me a noite.

E eu que tinha tantas coisas para abordar...
Mas vali-me de um senhor que já foi vivo e que escreveu o que nunca morre, infelizmente:

“Aproxima-te um pouco de nós, e vê. O País perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já não se crê na honestidade dos homens públicos...”
Eça de Queiroz n’As Farpas

Depois... acho que também adormeci.

1.2.05



Ainda sou do tempo…

Hoje tenho vestida a minha farpela de sociólogo de meia-tigela. Não apenas para ter uma aparência diferente, mas porque a outra, a de operário, foi para lavar.
Já velho e cansado destas coisas da política, lembrei-me (faz hoje anos) que o Costa e o Buiça deram uns tirinhos para alterarem um regime.
Desta vez, no dia 20, Portugal, ou melhor, os portugueses vão dar tirinhos não para a mudança do dito mas, muito provavelmente, escolher outro chefe de governo.

Ainda sou do tempo em que os valores que despertavam nas pessoas a vontade de se expressar pelo voto eram a honestidade, a honradez e os ideais que os candidatos a tal cargo possuíam e com seriedade os defendiam.
Mas o "people" olha para estes tipos e fica logo a bater com "eles" numa lage. Não apenas pela forma como se degladiam, mas pela expressa falta de vergonha na cara, pela baixeza e a deselegância nos ataques pessoais, por golpes sujos e outras vilanesas, pela merda dos argumentos que arrastam atrás de si e pelo palavreado que alardeiam e nada muda.

Ainda sou do tempo em que os melhores políticos eram bem formados e as "promessas" que faziam não ultrapassavam o irreal. Ainda sou do tempo em que os políticos tinham um passado. Limpo. Cristalino e coerente. Sem correr o risco de lhes apontarem esquisitices, devaneios ou comportamentos que nunca podem ser de exemplo. Onde a arrogância e a prepotência logo ficavam banidos à partida , por quem de sol a sol fazia a sua vida.

Houve tempo em que lutei para acabar com a submissão implícita daquela gente e incentivar a liberdade no indivíduo como tal. Mas os tempos adulteraram-se e a escola destes gajos transformou-se. Por isso, não me admira que este povo transforme esta "cena", que devia ser bastante séria, numa palhaçada de risada à boca larga.
Diria mais: eles não sabem ou já não se lembram, que ainda sou do tempo em que umas trolitadas bem assentes faziam impor respeito e davam dignidade a quem assim lutava.
"à Buiça", se preciso fosse!

Mas... os tempos são outros agora.
Vá, vão lá votar, enquanto vou ver se a farpela que vesti ontem já está seca.

27.1.05



Auschwitz - 60 anos

Primeiro eles vieram atrás dos comunistas
e eu não disse nada porque não era comunista.
A seguir vieram atrás dos judeus
e eu não disse nada porque não era judeu.
Depois vieram atrás dos católicos
e eu não disse nada porque nunca o fui.
Quando vieram atrás de mim
já não havia ninguém para falar em minha defesa.
[Martin Niemöller]


Memórias

Chegaram era já noite. Sem aviso prévio.
Levaram-me e tiraram um retrato a preto e branco.
Despiram-me as roupas, roubaram-me acessórios e a alegria que me invadia nessa tarde. Chocalharam-me os ossos e o que restava da raiva que trazia. Humilharam, ofenderam e tatuaram-me na pele um número. De algarismos desiguais na casa de imensos mil.
"ARBEIT MACHT FREI" era o tapete da minha casa nova . Velha e sombria, gelada e sem réstia de esperança de rever o meu país. A família, os amigos e o futuro.
Nas marcas dos carris dos vagões da morte como destino, ouviam-se tiros. Réplicas às respostas dos sins e nões que nunca acertavam nas perguntas. Vazias e vagas. Sem assinatura.
Três anos de amarga resistência naquelas campas sem nome onde havia um esgar de aviso. O último aviso que podiam ter deixado: “sobrevivam!, para que possam contar que aconteceu.”

26.1.05



Estou um pouco mais liberto depois de uma semana complicada.
Quase como todas as semanas. Porque ninguém me afiançou que a vida era fácil.

Consternação
Pelo falecimento do pai da Blue Shell.
Uma das ilustres visitantes recém-chegadas ao convívio deste pequeno espaço, mas que a amizade que se adquire, virtualmente ou não, faz com que pareça que somos todos íntimos. De longa data. E nestas coisas, é como se de família se tratasse.

Percepção
É das minhas vitais qualidades que arrasta consigo um dos meus piores defeitos: o perfeccionismo. Custa-me ter de aceitar que, há medida que a esfera de contactos se alonga, menos tempo tenho para “retaliar”. Não se trata de desculpa esfarrapada. É mesmo assim. Tomara o meu dia ter horas que nunca acabem. Saber de todos ao mesmo tempo e ir ao encontro imediato de quem passa por aqui. Mas não consigo.
Tenho horários compridos, uma família a sustentar, compromissos a que não posso fugir. Mas vai devagarinho. Ninguém está esquecido/a.

Detecção
Soube que alguns dos ilustres candidatos às eleições de 20 de Fevereiro “descobriram” os blogs. Ainda por cima, no “sapo”: um dos piores alojadores de páginas web. Com a agravante de apenas o Ministro da Defesa em gestão ter um sistema de comentários directo. Ele nem calcula os "piropos" a que se pode sujeitar. Mas demonstrou a coragem de que quando era jornalista.
Aos outros, os que o quiserem fazer (ajavardar), colocar dúvidas, sugestões ou mandá-los para um sítio que agora aqui não digo, só por e-mail.

23.1.05



Hoje é dia 23

Eu e esta senhora vamos festejar à moda antiga.
Por isso, depois do trabalho e de um banhinho tomado, vou estrear os sapatos novos. Pode ser que calhe um tango.
Nada de poemas e outras coisas líricas.
Hoje é assim

E nos outros dias também. Xau, até amanhã!


21.1.05



Seixal-Lisboa-Seixal

Numa cidade com mais de um milhão de pessoas entre as oito horas da manhã e as sete da tarde é difícil reconhecermos alguém durante esta viagem.
As pessoas levantam-se absortas, programadas e sem um pingo de alegria nos olhos.
À medida dos seus trajectos, tomam um pequeno-almoço errado e insuficiente, pegam o Destak na estação e dão uma vista d’olhos apressada pela outra informação.
Compram tabaco, uma revista e sentam-se para, em média, cinquenta e seis minutos de pública tortura.
Para muitos, um suplício maior do que o de Tântalo.

Hoje, declaradamente, fiz figura de parvo, mas não resisti olhar nas pessoas os seus tic-tac matinais e saber como que se envolvem nesta viagem.
Por hábito, as pessoas não entabulam conversa. Os portugueses ainda menos. Olham pela janela, distantes, a paisagem que sabem de cor e salteada. Olham diversas vezes para o relógio como se pudessem controlar o tempo que lhes foge. Remexem-se, inquietos, nas curtas cadeiras, suficientemente mini para quem tenha cento e noventa centímetros de altura e pernas longas. E não estou a falar de Naomi Campbell.

Os horários são outra desgraça que afecta quem viaja à procura do pão, do suor e das lágrimas.
As mentes brilhantes das administrações dos vários concessionários nos serviços de transportes, optaram pela redução em vez da dispersão e do método. Conseguem afunilar dez pessoas por metro quadrado. Juntam-nas em magotes de massa humana em movimento lento e levam-nas. Como quem dirige um rebanho opaco, Sempre na pior das horas: a de ponta. Quentinhas, ao molho e obrigatoriamente aconhegadas. Na fé de que um dia destes metade delas se reforme.

Para agravar ainda mais a situação, a maior parte das pessoas não sabe andar de Metro, escada rolante, ou até mesmo saber como funciona, socialmente falando, uma fila na paragem do autocarro.
Devido, quiçá, à múltipla variedade de raças e credos desta moderna escravatura, muito menos se preocupam por onde anda o título de transporte ou se trazem os trocos certos para a compra do ticket. E perdem-se minutos. Horas.
E paciência.

Será por isso que estou sempre desejoso de chegar a casa?

17.1.05



A falta de assunto

Quando assim pensei, notei que a mim próprio me enganava.
A falta de assunto, só por si, já é assunto. Vesgo e parvo, desinteressante e vago, mas é assunto. Tão bom ou melhor do que qualquer outro por onde o mar nos leva.

Bem posso socorrer-me, de entre outros, da Língua Portuguesa.
Essa pátria tão maltratada, e mal tratada, nos seus mais recônditos segredos. “Essa a língua em que por acaso de gerações nasci..."
Ou, melhor podia optar por Torga, o maldito, que “nem sempre escreveu que era intransigente e duro, capaz de uma lógica que toca a desumanidade. (...) e que nem sempre admitiu que estava irado com este camarada e aquele amigo. (...) tal a desgraça de nunca o deixarem estar só, pensar só, sentir só.”
Ou até mesmo de Cervantes. Ilustre andante Cavaleiro em que “ não havia medo em nada e de ninguém” e afirmava aos áureos ventos em generoso acto, que “se nos ladram é porque cavalgamos” e somos “o casto ardor de uma amorosa chama”.

Falta de assunto?
Falta assunto a quem é morto. Jaza cadáver. Frio, enregelado já, pela longa espera da mortalha a quem a “palavra que me lavra, alfaia escrava, de mim próprio matéria bruta e brava, é expressão da multidão que está comigo”. Falta de assunto?
Não!

Sei de Martinus e Adriana Iliescu,
mais Titã e os sons do infinito.
Sei do tremor da terra
e o flagelo sombrio e nu
que me traíu
e que me cega.
O castigo ténue,
o labirinto,
e a palavra vã.
Sei o tom deste ciclo
que não encerra.
Sei da raiva,
da vida pela manhã,
incontida,
foragida,
em vários credos
atravessada,
pela parca
e pobre Liberdade
adulterada
nos dias e horas que atravesso.
Sei de mim.
Do Mundo.
De ti
e do Mar calmo ao seu regresso.
Sei do poeta
e do amigo.
Por isso,
e sem desculpa,
faltar assunto
é coisa que eu não digo.

16.1.05



Apelo à Humanidade

"Tivemos a tristeza de ver recentemente o tsunami, causando uma grande destruição e vitimando um número inconcebível de pessoas em sete países da Ásia. Sabemos que esse tipo de facto é um acontecimento natural, porém havemos de analisar e acrescentar que a intensidade desse tsunami mostra-nos claramente que o desequilíbrio ambiental é, incontestavelmente, potencializador de forças naturais deste porte. Cabe a nós, definitivamente, uma reflexão séria sobre o assunto e buscarmos maneiras mais correctas de lidarmos com o espaço em que vivemos para que não sejamos os responsáveis por catástrofes desta natureza."

Continue a ler esta cadeia de solidariedade em Diálogos Fraternos ou Fraternidade.

* Subcritores

13.1.05



Efeitos colaterais
(Como devem calcular, esta generosidade não podia ficar escondida na caixinha dos comentários.)

"Fiz este poema a pedido da Inês, de 8 anos. O poema foi-lhe dedicado, mas a generosidade das crianças deixa que o partilhe hoje contigo (e todos)." *


A AMIZADE

A amizade é:
como o fresco da sombra,
no Verão!
Como a carícia do mar,
ao nadar!

A amizade é:
água que mata a sede,
pão que mata a fome!

A amizade é:
gostar do outro como de nós.
Não o querer mudar.
E como é, o aceitar!

A amizade é:
Estar atento e dar,
ao amigo,
o que de nós precisar!

A amizade é, também:
A VERDADE,
mesmo que doa!
Mas não por QUERER
Magoar!

A amizade é:
Jogar a mão e suster na queda.
É amparar,
presente estar
quando de nós necessitar.

A amizade é RIR!
Rir muito, gargalhar
mesmo sem porquê saber,
se o amigo feliz estiver!
E é também
a capacidade de com ele chorar, mas
principalmente,
ajudá-lo sempre a andar,
pois é vasto o mundo
e longo o caminhar.

* - TMara (01.11.05 - 6:21 am)

12.1.05


Depois da "Rave", arrumar e limpar é a minha tarefa.
Depois irei conhecer os convidados de ontem que tiveram a gentileza de estar por aqui.

11.1.05



De volta ao meu cantinho, descobri em cada espaço acarinhado uma bela primavera que nos vê. E a cada nova descoberta junta-se um amigo, e por cada amigo renascem as palavras que não consigo transcrever.
A vida quase sempre nega as coisas que queremos, deixando-nos, por momentos breves, pensar que podemos ficar com elas. Desta vez, iludiu-me e enganou-se.
Ao vir aqui, senti que recuperei o mundo da minha meninice. O lado bom da minha criancice. O lado forte da minha pieguice.
Fiquei líquido.
Gelo e fogo ao mesmo tempo.
Tornei-me um labirinto de emoções.
Um mar revolto em sentidos variados e dispersos.
Um homem com um deus que não existe ou já morreu, mas ganhou o sol.
Na eterna questão de definir futuros em galhos de copas altas ou em ruas de algodão viscoso e cimento grado, aprendi na vida a não chorar. Da forma que sempre dói.
Mas hoje não consigo, Amigos.

Obrigado.

6.1.05



Vou estar fora uns dias, à boleia.
É.
Sabe bem desanuviar um bocadinho. E nada melhor que descansar a vista naquilo que os outros pensam e escrevem.
Vou ver de protestos e opiniões. Ler novas rimas e saborear imagens desnudadas e sem alma. Vou ao encontro de sinais, coisas pungentes e silêncios. Descobrir programas, encantamentos e sons que se podem ouvir bem fundo. Vou abrir janelas, desencantar amigos. Vou ajudar a perturbar-me, actualizar o raspanete, procurar papéis e deixar um olá por onde passo, e onde for preciso.
Mas volto.
Nem que seja só para verificar se há recados. Ou acenos no final das tardes.

Entretanto, uma pequena referência aos meus últimos ilustres visitantes: Pecola, Joana, Sibylla e ajm, a quem não tenho dado a importância que merecem. E deliciem-se com mais uma história ilustrada de humanismo do meu amigo Buba.

A gente vê-se por aí!


Entretanto, a "rave"...



Agora entram eles...



Parabéns Seila, é para ti.

A titas já está à vontade...
(gentileza da FundaSão)

mas há mais ...


com muitos comentários

Bom, agora eu vou embora

o último que

Até amanhã!

4.1.05



As listas

Hoje passei-me e estive muito seriamente a pensar em votar. A sério!
Lembro-me que da última vez que o fiz levei uma banhada completa. “Perdi”. Mas além de “perder”, sempre ganhei uma coisa de que nunca abdiquei: a razão.
Digamos que é a compensação dos justos. A minha, claro. E o tempo veio confirmar que a tinha.

Quase trinta anos passados, a classe política (profissionalizada) nada veio alterar ao dispositivo da minha auto-defesa. Continuam a pensar que somos todos parte de um rebanho, que o povo é sereno e nunca interrompe uma masturbação. Nunca abdica de um convite para uma festa. Um bailarico, um copo, uma jantarada, quanto mais um coito. E sentem-se felizes por conseguirem realizar os desejos mais prementes deste povo.

Olhando para esta geração política, hoje, penso que estamos mais mal servidos a cada ano que passa. Quer em termos de qualidade, quer em quantidade. E para contra-ajudar, os portugueses estão a ficar velhos, pasmaceiros e rabugentos como eu, para os poder mandar para um sítio que eu cá sei.
Pegando nas palavras dos doutorados e entendidos na matéria, parecem cogumelos depois de um dia de rega, diria que esta lista de pessoas apresentadas a sufrágio, garante-me a célebre frase que a minha já gasta memória me recorda: mudar para que tudo fique na mesma.

Era precisamente o que não esperava destes gajos que se dizem inovadores.

Ainda não éramos seis milhões de benfiquistas e já o meu pai me alertava:” filho, tem cuidado porque eles andem aí.
Palavra de honra se conheço metade dos arautos da mudança!?
Em determinados círculos eleitorais, presumo até que os nomeados desconhecem os problemas de que a região padece e onde a formação académica de cada um nem sequer tem nada a ver. Abstenho-me até de abordar questões de favores emocionais onde em Coimbra é mais patente.
Em todos os distritos, que a Constituição prevê o fim e que ninguém ainda teve a coragem de assumir, é notória a clivagem e a oferta dos cargos públicos. Os aparelhos partidários sonegam a competência, a experiência e a não-obrigação das doutrinas programáticas dos chefes, em detrimento dos nomes mais sonantes. Dos gajos com as quotas em dia ou do raio que os há-de partir. Eles são arguidos, eles são suspeitos de actos pouco claros, eles são corruptos, oxigenados paneleirões e outros que tais.

Ainda assim exigem-me que escolha? Não estou a ver...

Mas este povo foi habituado assim. A barba e cabelo. A pão e chicote.
Mas nem para isso temos um aprendiz de feiticeiro, fosca-se...

Vou tomar banho de água fria. Pode ser que isto passe.

Enquanto isso, vão estando atentos e digam lá se pode ou não falar-se o fado.



3.1.05



O que vamos fazer à vida?

Pergunta a Fátima Campos Ferreira.
Não sei!
Sei apenas o que não quero que façam dela.

2.1.05



Como Carneiro que se preza

Este ano vou arregaçar as mangas e tentar fazer coisas impensáveis:

- Arranjar uma amante para dar a volta ao mundo.
- Não passar dos cinquenta para não envelhecer demasiado.
- Ser rico. Muito rico. Para, finalmente, saber de que cor é o sacana do dinheiro.

Sim, porque começar o ano a trabalhar já comecei. Conseguir ver “E Tudo O Vento Levou…” até ao fim, também já consegui. Falta-me apenas conferir como vão ser os meus impostos e, para que o ano me corra de feição, procurar a razão da minha vida dar um filme.

Tudo a postos?

31.12.04


Não podemos eternamente andar tristonhos.
Muito menos no último dia de um ano que para muita gente foi ingrato.

Portanto, vamos extravasar!


29.12.04



Todos aqueles que podem ter familiares que se encontrem nos países afectados pela tragédia – Índia, Indonésia, Sri Lanka, Maldivas, Tailândia, Myanmar e Malásia – consultem este blog.