6.1.05



Vou estar fora uns dias, à boleia.
É.
Sabe bem desanuviar um bocadinho. E nada melhor que descansar a vista naquilo que os outros pensam e escrevem.
Vou ver de protestos e opiniões. Ler novas rimas e saborear imagens desnudadas e sem alma. Vou ao encontro de sinais, coisas pungentes e silêncios. Descobrir programas, encantamentos e sons que se podem ouvir bem fundo. Vou abrir janelas, desencantar amigos. Vou ajudar a perturbar-me, actualizar o raspanete, procurar papéis e deixar um olá por onde passo, e onde for preciso.
Mas volto.
Nem que seja só para verificar se há recados. Ou acenos no final das tardes.

Entretanto, uma pequena referência aos meus últimos ilustres visitantes: Pecola, Joana, Sibylla e ajm, a quem não tenho dado a importância que merecem. E deliciem-se com mais uma história ilustrada de humanismo do meu amigo Buba.

A gente vê-se por aí!


Entretanto, a "rave"...



Agora entram eles...



Parabéns Seila, é para ti.

A titas já está à vontade...
(gentileza da FundaSão)

mas há mais ...


com muitos comentários

Bom, agora eu vou embora

o último que

Até amanhã!

4.1.05



As listas

Hoje passei-me e estive muito seriamente a pensar em votar. A sério!
Lembro-me que da última vez que o fiz levei uma banhada completa. “Perdi”. Mas além de “perder”, sempre ganhei uma coisa de que nunca abdiquei: a razão.
Digamos que é a compensação dos justos. A minha, claro. E o tempo veio confirmar que a tinha.

Quase trinta anos passados, a classe política (profissionalizada) nada veio alterar ao dispositivo da minha auto-defesa. Continuam a pensar que somos todos parte de um rebanho, que o povo é sereno e nunca interrompe uma masturbação. Nunca abdica de um convite para uma festa. Um bailarico, um copo, uma jantarada, quanto mais um coito. E sentem-se felizes por conseguirem realizar os desejos mais prementes deste povo.

Olhando para esta geração política, hoje, penso que estamos mais mal servidos a cada ano que passa. Quer em termos de qualidade, quer em quantidade. E para contra-ajudar, os portugueses estão a ficar velhos, pasmaceiros e rabugentos como eu, para os poder mandar para um sítio que eu cá sei.
Pegando nas palavras dos doutorados e entendidos na matéria, parecem cogumelos depois de um dia de rega, diria que esta lista de pessoas apresentadas a sufrágio, garante-me a célebre frase que a minha já gasta memória me recorda: mudar para que tudo fique na mesma.

Era precisamente o que não esperava destes gajos que se dizem inovadores.

Ainda não éramos seis milhões de benfiquistas e já o meu pai me alertava:” filho, tem cuidado porque eles andem aí.
Palavra de honra se conheço metade dos arautos da mudança!?
Em determinados círculos eleitorais, presumo até que os nomeados desconhecem os problemas de que a região padece e onde a formação académica de cada um nem sequer tem nada a ver. Abstenho-me até de abordar questões de favores emocionais onde em Coimbra é mais patente.
Em todos os distritos, que a Constituição prevê o fim e que ninguém ainda teve a coragem de assumir, é notória a clivagem e a oferta dos cargos públicos. Os aparelhos partidários sonegam a competência, a experiência e a não-obrigação das doutrinas programáticas dos chefes, em detrimento dos nomes mais sonantes. Dos gajos com as quotas em dia ou do raio que os há-de partir. Eles são arguidos, eles são suspeitos de actos pouco claros, eles são corruptos, oxigenados paneleirões e outros que tais.

Ainda assim exigem-me que escolha? Não estou a ver...

Mas este povo foi habituado assim. A barba e cabelo. A pão e chicote.
Mas nem para isso temos um aprendiz de feiticeiro, fosca-se...

Vou tomar banho de água fria. Pode ser que isto passe.

Enquanto isso, vão estando atentos e digam lá se pode ou não falar-se o fado.



3.1.05



O que vamos fazer à vida?

Pergunta a Fátima Campos Ferreira.
Não sei!
Sei apenas o que não quero que façam dela.

2.1.05



Como Carneiro que se preza

Este ano vou arregaçar as mangas e tentar fazer coisas impensáveis:

- Arranjar uma amante para dar a volta ao mundo.
- Não passar dos cinquenta para não envelhecer demasiado.
- Ser rico. Muito rico. Para, finalmente, saber de que cor é o sacana do dinheiro.

Sim, porque começar o ano a trabalhar já comecei. Conseguir ver “E Tudo O Vento Levou…” até ao fim, também já consegui. Falta-me apenas conferir como vão ser os meus impostos e, para que o ano me corra de feição, procurar a razão da minha vida dar um filme.

Tudo a postos?

31.12.04


Não podemos eternamente andar tristonhos.
Muito menos no último dia de um ano que para muita gente foi ingrato.

Portanto, vamos extravasar!


29.12.04



Todos aqueles que podem ter familiares que se encontrem nos países afectados pela tragédia – Índia, Indonésia, Sri Lanka, Maldivas, Tailândia, Myanmar e Malásia – consultem este blog.

25.12.04



Na Chaminé

Ao sair hoje para o trabalho, assisti a uma conversa gira entre dois tipos que, notava-se, estavam chateados:
- Então, PP… o que é que o Menino Jesus te deu?
- Deu-me o c #&^”@/!
- Pois... quem é que te mandou deixar o cu na chaminé?

Houve realmente muita gentinha para quem o Natal não foi agradável.
Por mim, não me queixo. Tudo o que recebi é de utilidade pessoal e, fora uma surpresa menos económica relacionada com o dia 23, fiquei feliz por ver que os meus miúdos ficaram contentes.
E aí, pessoal da pesada, o que é que encontraram na vossa lareira?

16.12.04



As minhas prendas de Natal...

aleatoriamente escolhidas como lembrança para os bloggers que mais de perto acompanhei.
Sem significado aparente.
Apenas mais uma forma de lhes desejar um BOM NATAL!



* Para a Fata Morgana de Avalon, Fada do Canto e dos Sonhos em Bosques Encantados.


* À Teresa, a titas. Um coração dentro do peito como La Santità d'Italia.


* A eles, os responsáveis directos por dois de filhos meus comprarem a mesma prenda que, sabiam, eu gostava de ter no sapatinho.


* Para o amigo Finúrias. O desejo dum rápido restabelecimento.


* A minha Aninhas e o Bruno merecem este apontamento. Mas só eles.


* Para os Netescritores. O futuro do amanhã que já foi nosso.


* A toda a equipa d' O novo Café. Rapaziada fixe e divertida.


* Para a Jacky,. uma parisiense que muito prezo, e para o filhote. Mário Nuno de seu nome.


* Márcia Maia, que a distância deste mar não separa, a minha lembrança.


* Dedicado a Fernando B., com a fraternidade de espaços nossos que se recordam no tempo.


* A Madalena Santos gosta de ler nas raízes da terra que clama por ela. É a minha lembrança de Natal.


* Para um trio, ritmado em vários sons, que tenho ali a um cantinho do meu espaço, deixo este link.
Ao Hermes, à Teresa e ao Rui. Espero que ajude as vossas escolhas.


* Para a Carla Quevedo, amante duma cultura secular, a que o Varandas tem acesso, que acorda com humores diversos, mas sempre encantadores.


* De gota a gota, como poderia não me lembrar dela. Nascesse ela neste tempo, haviam de ver...


* Ao amigo Orca, poeta de todas as horas, rebelde de todos os dias. O amor há-de escravizá-lo.


* Optei por oferecer-te um gato, Cachuchinha. O Luois Vuitton já estava fechado. Mas foi com muito carinho que escolhi esta para ouvires. Apaga a luz.


* Para o amigo Morfeu a lembrança amena dos dias calmos.


* Andei à procura dum cinzeiro do Sporting para o Pedro. Estavam esgotados. Vai daí ós pois, lembrei-me que tenho uma arca no sótão onde fui desencantar esta antiguidade.


* Os burros não zurram apenas, e este Jumento é prova disso. Para ele, uma lembrancita deste palheiro.


* Ao TheOldMan e ao Buba posso não ter bibelots para colocarem na sala de entrada ou na mesinha de cabeceira. Prezo a amizade que por eles nutro, sem os conhecer. Gosto deles e pronto.


* Escolher uma prendinha para a Cin51 (já foi aumentada, hehe) é uma tragédia.São coisas antigas do Pastilhas, o que posso eu fazer…? Pode ser que acerte.


* Desconheço a actividade profissional do Vítor, mas quem sabe se 2005 não trará uma nova esperança. Até lá, nada de esmorecer.


* Não vai ficar por aqui a distribuição das virtuais prendas de Natal, mas o post já vai longo e faço questão de sair do meu “casulo” e ir ao encontro dos amigos que faltam aqui.
Que são muitos, felizmente.

15.12.04



Hoje chegou-me um dinheirinho extra: o subsídio de Natal.
Não dá para fazer muitas “loucuras” mas tem já o destino marcado.
Como não sou apologista do consumismo desenfreado, cá tenho as minhas ideias onde o vou gastar. E com esta família enorme que tenho não devem faltar as ditas.
De velhos a novos, esta malta está sempre a precisar de alguma coisa.

Mas lá vem a nostalgia onde esta quadra me castiga:


e não me sinto bem.
(f******...)

14.12.04



Leituras e tremuras

Portugal tremeu.
Tremeu mas não caiu, digo eu.
Quem caiu foi o Benfica, o Governo, e a esperança que eu tinha na mudança.
Porque são contínuos e repetitivos os sketch’s, iguais os discursos e o mesmo ritmo hipocondríaco para a resolução dos problemas reais deste país: a pobreza, a saúde e a educação. Nada a fazer.

Curiosa a forma como a um canto do mundo à beira-mar se podem formar doutores e engenheiros, metalúrgicos e chauffeurs de praça, cartomantes e revolucionários, estilistas, decoradores ou analistas, e não se consegue formar dirigentes.

De várias leituras efectuadas a singel, mais os anos que já levo desta vida, sei que a solução estaria no trabalho. Mas os portugueses gostam de fazer nenhum, népia e outras coisas tais que não puxem pelo cabedal adquirido.
Pode parecer reaccionário, mas nestas coisas a Monarquia tinha outra visão.

10.12.04



A minha árvore de Natal deste ano não tem cor!
Foi feita, apenas e só, para os meninos da rua que eu conheço.
Colocada a um canto do meu mundo, não tem presentes e, no lugar das fantasias, são visíveis amargas recordações duma vida constantemente injustiçada.
Fruto duma visão de sofrimento e dor, de abandono e tristeza, que abrange todos aqueles que sofrem na pele o dia-a-dia que vivemos.

É Natal!, dizem-me. Eu sei muito bem que é Natal.
E para os meninos da rua que eu conheço, estão a comprová-lo as mil e uma mensagens dum amor e carinho hipócrita que ouviremos todos estes dias. Se não chegasse, bastaria olhar os milhões de calendários coloridos que aceleram os anos, e reconhecer nos jardins deste país os presépios feitos de luzes que não brilham e apenas estão por ali.

Mas para quem está habituado a sofrer os dias pardos da desventura e da desgraça, da fome e da solidão, do esquecimento a que são votados nas horas sempre iguais, é apenas mais um ciclo destes últimos quinze dias que custam a passar. É apenas o olhar para um amanhã sem soluções. São as realidades deste espelho retardado que se conseguem vislumbrar em amargura e desencanto em quem nunca conseguiu alcançar o que deseja e a que tem direito.
É neste meu mundo que vivem os meninos da rua que eu conheço.

Nestes meninos da rua que eu conheço, há em cada história pessoal uma tragédia que se esconde. Há em cada silêncio consentido, uma revolta amarga e negra que não se consegue perceber. Existe em cada rosto imberbe de criança, uma expressão azeda e ferida de ilusões e de tormentos. De sonhos perdidos e desfeitos. De rugas que escondem as horas, os dias, os anos, a que conseguem sobreviver.

São estes os meninos da rua que eu conheço, muitos deles já crescidos, que melhor entendem o destino ao qual estão vinculados e a que é impossível fugir. Por cada um dos seus olhares, vagos e perdidos, destes meninos da rua que eu conheço, perfila o lado triste de quem morre de frio a cada esquina. Cada um deles apenas a mostrar o futuro incerto que se conta e se transmite. Feito de nostalgia e fé. Por vezes, recheados de sonhos quebrados para um dia que eles sabem não ter amanhã. Ténue e vazio como a própria quadra que se festeja.

Daí que, na minha árvore de Natal deste ano, apenas haja espaço para os que se encontram isolados e tristes. Para os que da fome e da escassez fazem a fartura de nada possuírem. Para aqueles a quem mais um pouco de carinho e de atenção bastaria para esquecer toda uma vida sem sentido.
Por isso, não façam do meu silêncio uma obrigação de cobardia. Por isso, não me obriguem a mudar a cor à minha árvore de Natal. E se por milagre ou ilusão, arte mágica ou fantasia, as cores se alterem ou apareçam, ao menos que seja para os meninos da rua que eu conheço.

9.12.04


Hospital de Santa Maria, quinta-feira, 16 horas

- Boa tarde, gostaria de falar com alguém que me desse informações sobre os doentes. Queria saber se certa pessoa está melhor ou piorou...
- Qual é o nome do doente?
- Maria Isabel e está no piso 5, serviço 7.
- Vou passar às enfermeiras...

- Boa tarde, faz favor…?
- Gostaria de saber como está a Maria Isabel da cama 4, por favor!
- Só um momento, que vou consultar os registos... hummm... ok, de facto, ela já está a esta a comer duas refeições por dia, a pressão no sangue está estável e vai ser tirada da máquina que monitoriza o coração dentro de algumas horas. Se continuar estável, o médico deve dar-lhe alta na terça-feira.
- GRAÇAS A DEUS! São notícias maravilhosas! Que alegria!
- Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, talvez da família?
- Nem por isso, sou a Maria Isabel da cama 4. Só que aqui ninguém me diz merda nenhuma! Tive que telefonar...
- …!!!

8.12.04



Depois de quinze dias de "calvário", a velhota voltou p'ra casa.
Fina como a terra que a viu nascer, já está à roda de um “Cozido à portuguesa”... a manganona.
As minhotas são assim.


Bem-vinda, Mãe! (Ao reboliço normal desta vida que, por vezes, é sacana para a malta da tua idade.)