27.11.05

Os Candidatos


Qualquer que seja o lugar a que cada candidato se candidata, podem prever-se várias estimativas que os estimulam a isso. Talvez a vaidade, apetência e/ou vocação. Do oito aos oitenta, vai-se em três segundos mais rápido do que qualquer Ford Escort alterado para as corridas nocturnas em Monsanto.

Pode até desconhecer-se, mas cada um de nós tem em si um candidato escondido. Ou porque se quer resolver coisas e estar disposto a dar um abanão a esta merda, ou aproveitar a dolce vitta que proporciona ser-se conhecido quando se passa em qualquer rua ou lugar. Aí, não há mãos a medir. Reveja-se as imagens televisivas. As fotos das revistas. Outra vida que podia ter tido o gajo da fotografia. Vejam-se as candidaturas ao primeiro emprego. Aos castings. Ao subsídio e ao desemprego. Continuamos a ser "the best".

Estão a extinguir-se as Terezas de Calcutá. Os Budas e os São Franciscos Xavieres. Sobram entretanto muitos macedónios entroncados com perfil adequado no uso da força e da fraude: os tiranos. È apenas uma questão de escolha.
Acontece que os portugueses preferem que os não tomem por candidatos. Nem sequer apreciam o facto de escolher. Situam-se na longa lista de indecisos, jogam à defesa e atacam à má-fila e na má-língua. Tudo ao molho e fé num deus que já morreu. No entanto, existe a esperança de que qualquer coisa possa melhorar. Nem que seja para pior.
Depois disto, resta-me candidatar a um lugar que nunca quis: o meu sofá. E ver dali o que mais nos irá acontecer.

Uma boa semana a quem passar por aqui. Aos outros também, claro.

26.11.05

Olá!


esteve por aqui esta semana? Já aí vou...


É porque hoje também ganhei o direito de acordar assim. Parafraseando a Carla (link) ao ver aquela manganona ali ao lado.

19.11.05

A Sociedade Civil

Ao contrário do que se possa pensar, a Sociedade Civil é desmedida em contrastes de coloração política. Tanto pode estar de alva vestida pela noite adentro como de tons nocturnos logo pela manhã.
Nunca se sabe por onde anda nem aonde vai. Uma galdéria assumida, diga-se, mas consta como verdade que gosta de frequentar tertúlias e congressos. Reuniões e raves que durem até às tantas e metam acepipes sem ter que desembolsar um tusto.

A Sociedade Civil é daquelas coisas muito independente que faz da diferença do seu próprio pensamento o seu maior trunfo. Há quem diga que da indiferença também. Daí, poder dizer-se que é uma puta sabida que jamais se compromete publicamente porque lhe falta o vigor da tenra idade.

De experiências acumuladas e super-protectora, é a mãe de todas as consciências. Sobrando-lhe ainda, o aplauso que dedica às causas nobres e aos apelos nacionais. Isso deu para ver no Euro 2004, na vaga de incêndios que afligiu o país e na diplomacia com que trata os caprichos da administração do Metro do Porto e os negócios pouco claros da Banca .

Quanto às presidenciais, é lírica e romântica mas não gosta de perder nem a feijões. De tal forma, que o seu sentido de voto esteja irremediavelmente inquinado para o que pensa ser a solução menos gravosa. Mas não faz mal. A "Brasileira" tem café à borla, o meu filho Marco também faz anos hoje (28) e não é à Sociedade Civil que se pedem responsabilidades.

Bom fim-de-semana!

11.11.05

A Opinião Pública

Esta semana conheci a Opinião Pública.
Figura desassombrada, hirta, muito tu-cá-tu-lá com toda a gente e com semelhanças várias entre a Júlia Florista e a Rosa Enjeitada.

Motivado por razões óbvias – a minha campanha virtual, claro - era obrigatório que um convite para se explicar perante nós fazia sentido. Tanto mais que nestes tempos mais próximos apenas posso vir aqui uma vez por semana.

Sem tornar notória as minhas intenções, movia-me a curiosidade de saber da boca dela própria todos os queixumes. As amarguras que a penetravam (salvo seja), mais os conceitos e os predicados que, por norma, lhe são atribuídos.
Nesta matéria pareceu-me simpática, mostrando-se até entusiasmada com o enorme enlevo que é tida em conta pelos mais variados sectores da má-língua.

Falámos um pouco de tudo e de nada.
Aproveitámos a oferta de castanha assada na tascazinha de Alfama onde nos sentámos a beber um "tricofaite" (receita lá da zona) e soube por ela que tem uma família composta de muitas opiniõezinhas e zinhos. Aliás, como eu.

Sempre com o coração ao pé da boca, a Opinião Pública pareceu-me deveras sabichona e de quem se espera sempre uma resposta a qualquer assunto. Seja ele sobre os namoros homossexuais nas escolas portuguesas, as escolhas mediáticas de Luiz Felipe Scolari, ou inclusive, note-se, a preocupação de como os quatro jurados do “Caso Joana” teriam tão depressa aprendido as leis que regem o Direito, mais o Processo Civil e Penal Português para provar que o nosso povo não é parvo e castiga de forma severa os malfeitores.

De qualquer das formas, a Opinião Pública está exaustivamente por dentro de tudo o que se passa à sua volta. É volumosa de ideias e tem as costas largas. Cheia, portanto.
Desde Clichy-sous-bois até Omã. De Felgueiras até ao Iraque. Do Arco do Carvalhão até às putas de Bragança, opina sobremaneira sobre tudo mas ainda está para saber como é que a Gala da Confederação do Desporto conseguiu atribuir o prémio de "Treinador do Ano" a José Peseiro.

Quando lhe perguntei sobre a campanha dos outros candidatos torceu-me o nariz. Disse-me, olhos nos olhos, que muitos deles não têm tomates – foi mesmo assim – para endireitar o país, quanto mais foder o que fodido está.
Mas acho que gostou de mim. Talvez o bigode a tivesse impressionado, sei lá…
Uma coisa ficou acertada. Vai apresentar-me em breve a prima. Ainda mais maluca do que ela: a Sociedade Civil.

Até p’ra semana!

5.11.05

O Perfil

Após ter ultrapassado a barreira dos cinquenta descobri que também eu tenho um perfil. E com estas coisas das presidenciais, até que podia ser um “bom” candidato a candidato. Vejamos.
Tenho cento e oitenta centímetros de altura, mas de perfil pareço um pouco mais alto. Parte da minha juventude passei-a a guardar gado e estou bem por dentro dos males de que padece a Agricultura. Comecei bastante cedo a ligar-me às relações internacionais visto que o “boom” da emigração clandestina passou quase todo pela minha aldeia.
De finanças, nada nem ninguém melhor do que eu sabe como orientar um orçamento reduzido e estou à vontade para explicar direitinho todas as elasticidades e as matemáticas que se pode fazer a uma nota de cem euros.

Não sendo um político profissional, pertenço à classe dos “gandas mentirosos” e prometer é o meu ganha-pão. Tanto assim que o défice, a gripe das aves e a crise do Sporting, seriam as minhas primeiras prioridades a resolver. Outras se seguiriam como o desemprego, a Justiça e os projectos para o desenvolvimento nacional. Basta dizer que nestes últimos meses estive profissionalmente destacado no Centro de Formação Regional de Setúbal, na Casa Pia de Lisboa e no Intituto Superior de Engenharia da mesma cidade.

De História estarei ainda mais à vontade; não sei se alguém já reparou, mas neste humilde espaço há um tempo a esta parte não faço outra coisa senão contá-las. Assim como nos campos de Geografia, Economato e Veterinária não me atrapalho, tendo já estudos escritos sobre a matéria mas que ainda não me foi dada a oportunidade de publicar.
Nas Artes e na Cultura sinto que tenho ainda muito para dar ao país. Sou um óptimo actor e tenho sempre mais do que cinco minutos para ler os jornais sem ter a boca cheia de bolo-rei.
Isto sem falar das qualidades que possuo sobre os temas da Saúde e do Ensino devido ao facto de morar junto a um Hospital e estar rodeado por escolas secundárias.
Tudo aquém de nas horas vagas ter a pretensão de ser poeta.
Se isto não é ter perfil…

O que falta são as assinaturas. Mas vou já ligar para a Vogue, Visão e Reader’s Digest.

Bom, mas agora está na hora de ir fazer campanha porta-a-porta e passar nos blogs que tenho mais ao pé. Ou mais à mão.
Bom fim-de-semana!

4.11.05

ALERTA À POPULAÇÃO stop DEVIDO AO PROVÁVEL SURTO DE GRIPE DAS AVES stop AVISA-SE A POPULAÇÃO stop DE QUE SE DEVEM DEITAR O MAIS TARDE POSSIVEL stop NUNCA, MAS NUNCA stop SE DEITEM COM AS GALINHAS stop

1.11.05



O Terramoto e outros abanões

Duzentos e cinquenta anos depois, relembrar o Terramoto está na ordem do dia.
Assim como a escolha do meu almoço e demais tragédias e outros tronos derrubados.
Apenas alguns recordarão as memórias de Al-Quibir que não chegou a ser Alcácer. Apenas nós relembraremos Inês e o seu coração arrancado por vis traidores a um amor assolapado. Mais o de Isabel, real alteza, que com rosas alimentava um povo às escondidas de um tal Diniz que cavalgava toda sela e mais proveitos.

Talvez nunca esqueceremos Luiz Vaz, morto à míngua pela fartura que reinava de quem foi expulso, nem a audaz e corajosa estupidez dos conselheiros do Reino dessa altura e muitos Vasconcellos em que somos férteis.
E o Adamastor, recordareis por acaso?
Já agora, lembrai também as desavenças de Afonso e sua mãe Tereza, a bastarda de fino fidalgo de Castella e a palavra d’honra de Moniz. Um Egas chamado de forte velho, e para leais vassalos, claro espelho, e vede as semelhanças ou demais diferenças.


Chama-se a isto Fado. Saudade. A Alma valente dum povo que nunca morre.

Nestas letras singelas de tradução inexistente, existe um timbre duma nota só, porque dos gentios que somos e se preza, a palavra que nos é dada nem sempre cumprida é. Nem que por dada causa se pague em prestações.
Ímpares e aos pares, em cada canto onde se oiça a voz de Portugal e dos que se dizem portugueses como Joana Brites e mais seus sacos de farelo remendados.

Por isso, esperai pela pancada, poderia dizer Bandarra.
Ide e vede outros vendavais que se avizinham, falou Bocage que não era, “e à cova escura vai parar desfeito…” o sonho que teve em vão, remataria eu.

Pois após saber de antecâmara que outros terramotos se aproximam, agrestes e sombrios, quiçá soberbos ou malfadados como nos tempos da moda das tranças pretas, é bom saber que estais aqui de corpo e alma como Agostinho, o Santo Intrépido, ou tal galego de minha rua, indiferente a tantas modernices que o levaram a reinventar a tasca dele.

Que tenham bom Terramoto... perdão, um leal feriado.

26.10.05



A cada dia que passa sinto a generalidade das coisas a ultrapassarem-me.
Sinto a imensidão total a diluir-se em horas curtas.
O arrefecer das noites cada vez mais perto.
Quase que sufoco. Quase que me suicido em aglomerados apinhados de gente que não sei quem são ou desconheço.

Por vezes, faltam-me palavras. Emudeço e calo ideias que receio divulgar.
Interrogo-me. Cansado e já vesgo como um cão danado.
Confronto-me em espaços vagos sem assistências contratadas, onde só o mar e o acaso são companhia.

Depois dilato.
Cresço.
E volto a sufocar.
Mas algo me diz que é apenas mais um dia.

Mesmo assim, é tempo que não tenho para obter resposta.
E volto a iniciar o exercício.
Depois decido que são apenas generalidades ou sinais de vidas que me envolvem.

Uma, demasiadamente comprida.
Outra, infelizmente curta.

21.10.05


Vou andar por aí nas próximas horas. Acautelem-se!

E quando uma pessoa como eu anda por aí, quer dizer que vai ler, ver e ouvir o que a rapaziada que anda ao mesmo, escreveu, publicou e/ou editou. Não prometo é que deixe uma pegada.
É que uma eventual primeira confusão generaliza-se não só pelas razões de cada um mas também por que nunca sei o que posso vir a encontrar. É como se chegasse mais cedo a casa de uma pessoa amiga e a encontrasse nua. Em pijama ainda, ou com um saco de gelo na carola para colmatar os efeitos de uma ressaca. Acontece.
Mas pior seria se desse com o nariz na porta.

Depois disso há-de ocorrer-me qualquer coisa para escrever aqui. Porque o meu "Dia 23" já está alegre e intencionalmente incorporado aqui.

16.10.05

Um dia diferente...

e aqui (ontem à noite) começou assim:



... e há bocadinhos na vida que me fazem bem. Mesmo que me tirem do sério.

Depois de ter realizado as três obrigações primordiais a um homem que se preza - digo eu - (fazer um filho, plantar uma árvore e escrever um livro), vejo-me na contingência de realizar uma que ainda não fiz: um relato.

Um relato deve ser coisa de gente que sabe o que diz e que por vezes pode virar tragédia (estou a lembrar-me do emissário de Marathon). No entanto, após ter trabalhado para malandros, carregado baldes de argamassa e levantar-me às cinco da matina para andar a lavar vidros, já nada me assusta. Portanto, aqui vai.

O país parou para assistir a mais um clássico. Daqueles clássicos onde os smokings são substituídos por obscenidades, dúbias intenções e úteis esquecimentos. Um Porto-Benfica, ou vice-versa, arrasta paixões. Ódios de estimação e muitas, mas mesmo muitas, bandeiras. Cachecóis, retratos de família e opiniões. Acima de tudo, pessoas. Muitas pessoas.

Imaginei-me uma delas a cantar os “Filhos do Dragão” trocando a letra pela trova do “Ser Benfiquista” olhando nos olhos de todos quantos me rodeavam. Ali não há contemplações nem classes sociais. Nascemos todos nus com a faca na algibeira.
A cada centro de Lisandro Lopez ecoava um apelativo bruah em detrimento do aumento da electricidade. Por cada queda de Simão gritava-se “filho da puta” para poder contestar as baixas reformas de toda aquela gente. Cada defesa de Quim assemelhava-se a mais uns dias de férias repartidas e à prevenção das catástrofes naturais.

Um gajo na minha idade, e senilidade, até que vive estas merdas todas. Ao vivo e a cores, como imaginei, ainda é mais fixe. Como o Soares.
Tanto assim, que a cada correria iniciada do puto Nelson pelo corredor direito fazia com que me esquecesse que amanhã já é 2.ª feira. Cada drible do Jorginho deixava no ar a ideia de que vou ser aumentado e por cada posse de bola ganha por Diego ou Karagounis transformava-me no mais acérrimo defensor dos Direitos Humanos e dos Animais.

Trânsito caótico? Taxas suplementares pelo consumo de bens de primeira necessidade? Falta de médicos e a Justiça em palpos de aranha? , o que é isso comparado com o primeiro golo do Benfica? Nada!
Os problemas da fome em África, a miséria e o desemprego a aumentar, eram debelados por cada defesa de Baía. A violência, a poluição ambiental e a vontade férrea de dar um estalo nesta vida que levamos era completamente esquecida por cada jogada habilidosa de Diego ou Geovanni.

Esquecemos totalmente os sem-abrigo, as vítimas das estradas nacionais e a pequena Joana, com o segundo golo do Nuno Gomes. A corrupção e o processo Casa Pia. O aborto. O arrastar desta vida que não queremos, mais a diferença galopante entre a escassez de uns e o esbanjamento de muitos outros.

Mas ganhámos!
Mesmo que a vontade de mostrar os lenços brancos não fossem para aqueles gajos que nos fazem esquecer momentaneamente coisas destas. Acho que temos que fazer como os gajos do Sporting : para nos fazer-mos ouvir perante tanta cegueira é melhor levar lençóis.
Quem sabe, até a própria cama?
Ou os filhos, os netos, e a folha de ordenado.
Quiçá, a declaração da Assistente Social.

Uma boa semana a quem passar por aqui. Aos outros também, claro.

10.10.05



É o que me vai faltar: tempo. A vida profissional assim o determina até 26 de Outubro.
Tempo que me vai faltar para aprender com os outros.
Tempo para descobrir coisas novas e deixar um abraço, um sorriso, uma palavra a todos com quem de mais perto privo nesta coisa dos blogs.
É a vida, costuma dizer-se.

Mas esta puta de vida que levo (penso que não serei apenas eu) nunca descobrirei se compensará a perda de coisas mais importantes que nos passam tão de perto e por vezes desperdiçamos. Apenas e só por mais uns trocos... que a tal dita não está fácil.
São factos que não posso evitar.

De qualquer das formas, sendo menos assíduo, não quererei perder de vista ninguém a que me tenha habituado. Terei diariamente duas horas para o fazer. Saiba eu aproveitá-las.

Sempre são mais compensadoras do que estar a idealizar disparates para aqui os transcrever.
É só para não estranharem!

8.10.05

6

Hoje vou estar em reflexão!



Mesmo que não pretenda influenciar as mentes mais indecisas, não posso deixar de registar que estou deveras inclinado a votar no sr. Felipe Scolari. Uma das raras pessoas que me transmitem confiança e me vão dando algumas alegrias.

(Eu sei, eu sei, que não só de pão vive o homem.)

5.10.05

5

Munícipas e munícipos, alentejanos e alentejanas, minhotas e algarvéus, cidadãs e cidadãos, portugueses em geral:

A revolução está na rua!

O “5 de Outubro” é uma data histórica arruinada onde as desigualdades sociais existentes têm os dias contados. Mas hoje, agora e já, contamos mais. Contamos com o apoio de todos os insatisfeitos (10 milhões), com a massa crítica dos endividados, com todos os sectores da classe (des)organizada e mais seis milhões de esperançados.

O grito de alarme soou e a recuperação económica espera por nós.

Soldados e marinheiros, carpinteiros e retalhistas, madeireiros e floristas, nós estamos aqui para vos dar voz!
Reformados e pensionistas, enfermeiras e anarquistas, nós somos quem precisais.
A candidatura pela Câmara Nacional Portuguesa está na rua.

O nosso Programa pretende acabar com os privilégios e as reformas escandalosas. Com o copo-três e as bifanas mal-passadas. Temos que recuperar as pastilhas elásticas da Bazooka Joe e a Laranjina C.

Temos soluções!
Soluções que nos permitem decifrarem as palavras cruzadas do Diário de Notícias. Com as etiquetas falsas na Feira de Carcavelos e a especulação imobiliária. Temos soluções para os softwares do Ministério da Educação.

Companheiros e camaradas! Fadistas! Povo que lavas na rua!
A esperança nunca morre. Tendes aqui a oportunidade única para derrotar os tubarões, os dinossáurios, e projectar um novo Jardim Zoológico.

Temos na mão a chave de todas as portas. Também a do Paulo e a do Miguel. Temos na mão que temos mais ao pé, o sentido de oportunidade para garantir a qualidade de vida e o bem-estar de todos os portugueses e madeirenses.
Vamos acabar com a riqueza disfarçada. Com o turismo de pé-descalço e com os andaimes sem quebra-costas.

Queremos mais segurança nas ruas e nas tascas. Nas esquinas do Intendente. Em Chelas.
Queremos o desenvolvimento rural e o choque tecnológico de 800 wats para fazer andar o TGV.
Queremos acabar com os sacrifícios da Função Pública e das esposas de todos os Embaixadores.
Queremos desenvolver a consciência cívica. O direito à juventude. A popularização do “Tavares Rico”.
Temos uma óptica quântica para deixarmos de ser os coitadinhos da Europa e estarmos entregues à bicharada.
Prometemos recuperar o esperanto e o mirandês. Os amoladores e as calças à boca-de-sino.

Portuguesas e portugueses! Taxistas! Chineses de todos os orientes!

Chegou a hora de dizer basta! Comigo na presidência, o mundo nunca mais será o mesmo. Nem o Alberto João.
Vamos fazer de Portugal o centro de todos os eventos mediáticos e sacerdócios.
Vamos eleger a minha candidatura imaculada e sem dor. Mas não nas câmaras ocultas das salas de chat, de chuto ou de voto. Será na rua. Onde as urnas e as certidões de óbito os esperam.

Vinde amigos! Aproximai-vos carneiros e ovelhas tresmalhadas!

A Revolução está na rua!

3.10.05

4

O Futebol faz-me lembrar a política e, por vezes, o vice-versa também se aplica.

Mas da forma como o Benfica ganha, e aos outros não vejo fazer diferente, o melhor mesmo é adaptar-me às circunstâncias.

Portanto, toca a continuar na tourada que eu tenho que me levantar cedo!


Até amanhã!

2.10.05

3

E a tourada não fica por aqui.
Vejamos a imaginação deles neste trabalho de Autárquicas em Cartaz.
Enquanto isso, vou dar voz aos cidadãos em mais uma apoteótica entrada em cena de José Maria Martins. Pode ser que ainda tenha tempo de entrar no staff dele.

Entretanto pode ir acompanhando toda a evolução da faena... perdão!, da campanha, pela TSF. Ou Expresso/SIC/Visão.

Como o Benfica só joga amanhã, hoje vou andar por aí. Devagar a divagar. Talvez de caldeirada em Borba acompanhada. Talvez Antero.

1.10.05

2

Quando se anda em maré de azar até o Belenenses perde em casa, fosca-se! (Acho que vou começar a andar com um corno ao pescoço. Ou dois na cabeça, antes que alguém mais atrevido se comprometa a provocar-me)

Mas relativamente às autárquicas, os casos de Oeiras, Porto e Lisboa são traumáticos.
Não só pelos casos que ocupam nos tribunais, mas pelos jogos de poder que em nada abona a clarividência que nos querem impingir.

Os programas que apresentam são como aqueles cartazes que anunciam: "Leve dois e pague apenas um." Mobilidade, educação, segurança, ambiente, património? Deixem-me rir.
De qualquer das formas, toda a gente sabe como funcionam os media nas referências e barómetros, termómetros e outros espaços vendidos a retalho, para que até os próprios promotores e responsáveis pela campanha de cada um saibam com o que podem contar. É tudo um jogo! Estamos fartos de saber. As promessas de ocasião, o compadrio, o caciquismo ainda existente e quando todos aqueles gajos que se aproveitam dos favores Camarários para ganhar mais uns tostões aparecem na TV, tá tudo dito. A "Judite" é que anda a dormir.
Provas? Só se fôr aquelas que eu faço todos os dias a correr para o trabalho.

Pronto já desabafei!
Hoje como não joga ninguém das minhas preferências, provavelmente vou rever a Garganta Funda.
Só cá por coisas.

30.9.05

1

Nunca desejei que este meu diário fosse de cariz político nem técnico, poético ou enciclopédico. Muito menos referencial. Supus até que a família, e mais dois ou três ilustres visitantes e amigos virtuais, compusessem o ramalhete para não estar aqui a escrever para o boneco.

Tal e qual como a Rosinha Ferreira Torres fez com o marido: escreveu-lhe os hinos para a campanha sem ele dar por isso.
Também acho estranho a Fátima Felgueiras estar à beira de conseguir uma colocação estável neste mundo difícil de colocações, quando uma das minhas filhas anda à rasca para tentar arranjar trabalho. Ela que até é uma rapariga certinha, casadinha de fresco, com os impostos em dia e nunca sequer fugiu de casa.

Outra das coisas que me preocupa é a questão dos projectos dos candidatos. Logo agora que estou rodeado de engenheiros. Daqueles putos novos com visual Nick Cave e muito soft como o meu vizinho da frente quando era novo, estão a ver? A gente olha p’ra eles e lê-os detalhadamente. E a primeira reacção é a do sketch do RAP: “Èpá e tal, sim senhor…”

Mas os portugueses têm a memória curta e mudam de opinião enquanto eu troco de camisa. Basta ver pelos barómetros da Marktest/TSF/DN quanto às sondagens atribuídas hoje: o PSD vencia as eleições se a malta votasse amanhã.

Até me apetece dizer: este país é tão mesquinho e pequenino que até no tamanho do primeiro-ministro tem que se rever.

Olha!... vou jantar, ler um pouco de Manuel da Fonseca e ver o Belenenses na SporTV.

28.9.05



"Azar dum cabrão..."

era, digamos, uma forma que alguns alentejanos encontravam para afugentar a sorte adversa. Talvez até renegar a sina madrasta e clamar por qualquer santinho em que pudessem acreditar para que viesse em sua ajuda.

Eu nunca fui muito dessas coisas, mas há uns tempos p'ra cá que tenho tido um azar dum cabrão. E como não tenho santinho a quem me ajoelhar coloquei uma ferradura como amuleto para ver se "isto" passa.

Costuma dizer-se que não se acredita em bruxas (e em outras forças ocultas)... mas que "lás ai, lás ai!"

26.9.05

à 2.ª feira...





é o que por vezes apetece dizer ao primeiro-ministro, ao presidente da junta ou até à própria vizinha do 3.º andar.

Mas no espaço que os blogs ocupam, isto funciona mais como brincadeira. Senão vejamos:
Estamos rodeados de gente que sabe umas merdas. Escrevem para os jornais, alguns com lugares públicos, editam livros e fazem amor à descarada como eu. Há até quem fume um charro durante a edição dum post, esvazie uma garrafa de Bourbon enquanto o diabo esfrega um olho e continue a lutar por um mundo melhor. Tanto em IE como em Firefox.

No entanto, fica-me a dúvida de que muito poucos andam na rua. Não sofrem as verdadeiras realidades dos serviços públicos, da vida que os portugueses levam, nem estão sujeitos à perigosidade de ter que se deslocar a Chelas ou andar no meio da noite pelo Alto da Ajuda quando se pretende apenas ajudar a colmatar dificuldades. Não fosse a figura, o à-vontade e a prosápia do meu ar de cigano, há muito que tinha ido desta p’ra melhor na Cova da Moura ou na Musgueira. Quiçá até no Fim do Mundo. (algumas das nossas favelas)

Não sendo Prémio Nobel da Paz, sempre defendi que um blog pode ser o que se quiser: um baptizado, um palanque ou casamento. Um filme, uma esplanada onde se vê gajas boas a passar ou apenas uma forma de se estar com os outros.
Mas já que ninguém dá o número de telemóvel para conversar sobre a iniciativa duma luta armada, assaltar bancos, rebentar como umas coisas que eu cá sei ou emprestar dinheiro para ir beber uns canecos, acho que vou ter que arranjar outra forma de combater a continuação desta paródia nacional que - mais uma vez ( uma vergonha pegada) - se avizinha.

É que os 25 de Abris não se fazem a pedido nem têm hora marcada. Muito menos quando se está a ver a barriguinha a crescer. Há qualquer coisa incompleta...
Daí, estar a pensar na fórmula CH2(NO3)CH(NO3)CH2NO3) .

Por isso, “Isto só vai à porrada!” – dizia o Carlos Antunes, faz tempo.
Ao som do "eles comem tudo e não deixam nada". Enquanto isso acabou-se-me o Monte Velho.
A ver se abro uma Nobre Colheita 94 na próxima vez que aqui vier.