Dia Mundial do TeatroTal como todos os dias internacionais, o do teatro também é para celebrar, claro.
E fugindo um pouco de
Gil Vicente, um extraordinário site disponibilizado (entre outros) por
João Vidal de Sousa, este assinalável evento não pode
morrer de pé como as árvores, como dizia Palmira Bastos, essa grande Senhora do Teatro português. Temos que lhe dar ânimo, já que de vida anda pelas salas d’amargura.
Sou um português que nunca foi muito de fazer teatro mas sempre gostei de boas peças. Estou a lembrar-me de Fátima Felgueiras… perdão, da Mãe Coragem de Berltolt Brecht (Lisboa, 1975), quer interpretada por Gisela May (em Nova Yorque) ou Eunice Muñoz que tive o privilégio de conhecer em fim de carreira, no Teatro Villaret.
Como se percebe, também não frequentei muitos
palcos. Eram mais tapumes, pisos duros e, de vez em quando, as escadas rolantes do Parque Eduardo VII.
Quanto a
actores, estou recordado de Lawrence Olivier em Hamlet (Viena, 1966), Orson Wells em Citizen Kane (Budapest, 1941), e Luís Guilherme na Reunião Misteriosa (Porto, 2006).
Quanto ao
glossário apavora-me os termos, sou franco.
Coxia, por exemplo, tira-me o apetite. Já para não falar do
Fosso de Orquestra ou
Didascal, que me dá uma ligeira sensação de hérnia sedentária à
boca de cena mesmo sendo na
direita baixa.
O que gosto mesmo é dos
dramaturgos. Esses sim. Vivem a
peça, os
diálogos, fazem todos os
personagens. Já a
encenação tem a sua
farsa. Veja-se o
happening dos espectadores de futebol na
intertextualidade dos seus
ícones.
Para terminar este
quiproquo, de maneira alguma se pretende
satirizar o
solilóquio. Trata-se apenas de um
texto cénico onde o imprescindível
ponto faltou ao
ensaio. Mas acho que fiz o meu
papel.