23.4.06

Recordar Abril

À passagem dos trinta e dois anos de Abril, lembrar a criança do cartaz faz-me doer.
Sentir que aquela pequenina mão depositava esperança num cano duma espingarda, também.

Hoje, em Londres, a criança do cartaz terá quarenta. Anos passados e percorridos num fugaz sonho de menino apesar dos seus cabelos já sem brilho. De caracóis desfeitos e promessas vãs. De sorriso triste e desnudados pés.

Abril envelheceu, tal como todos nós. Mas não morreu!

(está só adormecido, diz a minha Pikena, porque ainda estamos a 23)

19.4.06

A vida é fértil em pregar-nos partidas. E na sequência dela, por vezes, podemos entender como sinais o que nos vai acontecendo nas horas e nos dias que passam devagar.
Se já tinha o legado garantido pela linhagem que cá deixo – os meus sete filhos – também estaria completo pelos quatro netos que já tinha. Mas ontem nasceu mais um: o Lourenço.
Foi uma bonita prenda de aniversário, filha.
Já me posso dar ao luxo de morrer em paz!

18.4.06



Provavelmente cheguei a uma altura da vida em que preferia que o espaço de doze meses tivesse para aí uns quinhentos. Para outros, naturalmente, desejam que passem a correr. Mas quando se apercebem que já é irreversível voltar atrás, dão-me razão.
Por isso, nada melhor do que ter o equilíbrio que a própria vida se encarregará de nos mostrar.

Vai daí, hoje fazemos nós, nós e nós.
Amanhã faz ela e ela.

14.4.06

A paixão de Cristo


Sempre fui apegado a Cristo. Um homem afável, simpático, voluntarioso e um excelente lateral-esquerdo que usava a camisola número cinco no clube da sua terra natal.

Apaixonado por tudo o que o rodeava, de cultura não se poderá dizer o mesmo. Zé Cristo é avesso a que lhe façam o ninho atrás de qualquer parte do corpo, mas para ele não há diferença alguma entre estar À Espera de Godot e O Livro de Pantagruel de Bertha Rosa Limpo.

Mas sempre foi esperto. Saudavelmente esperto.
A forma sui generis dele ver o mundo fazia prever que não tinha sido formado em quartos escuros, nem levado quaisquer nalgadas. Modesto até na forma com entendia as desigualdades sociais e os respectivos desacertos da sua folha de féria, não pecava mais do que os outros que lêem jornais, vêem televisão ou navegam na Internet.

Mas este Cristo carrega também a sua própria cruz: reformou-se. Passa agora os seus dias de volta da beleza dos lírios e dos gerânios no Jardim Botânico para tentar esquecer os trinta e três contos que lhe deram por troca de uma vida com cinquenta anos de trabalho.
À noitinha, quando na solidão do pequeno quarto alugado na Rua do Salitre ouve as notícias emitidas por um rádio já fanhoso, nada o perturba ou enfurece ao saber que quem decidiu da sua sorte falta ao trabalho vezes sem conta. “É Páscoa!” – consola-se, ao acender a última beata, “Os cabrões hão-de morrer descalços.”

Amanhã vou levar-lhe um par de botas cardadas, a sua paixão.

4.4.06



Leio que setenta e cinco mil blogs (!) são criados diariamente no espaço cibernauta.
Provavelmente haverá algum exagero na notícia divulgada, mas não deixa de ser curioso que, confrontado com outra que nos diz que o folhear da imprensa escrita teve um decréscimo de leitores, existe uma certeza quase absoluta: as pessoas precisam de falar, criar laços e espaços, escrevendo.
Os motivos serão vários, mas a palavra solta e a vontade de exprimir bocadinhos de vidas guardadas é mais forte.

Perceber que ao lado duma janela na minha rua possa estar alguém de quem leio pequenos segredos, é admirável. Saber que um nickname esquisito frequentou os meus lugares de infância e o divulga como se estivesse lá e quase pudesse tocar-lhe, é arrepiante.

Estranhos prazeres, poderá dizer-se. Mas é esta beleza de corpo e alma enraizada que descreve que a notícia pode não pecar por exagero.

1.4.06

1.º d’Abril



O dia das mentiras é, para os portugueses, o dia de se contarem verdades.
Ao contrário do que manda a tradição, hoje pode muito bem dizer-se mal sem se ser enganoso e sobrepor outras plaisanteries. É como um Carnaval alterado no melhor sentido do termo, onde “o bom mentiroso não cora, não se engasga e mente tão bem que acredita na falsidade que está a contar.”

Tem alguma ideia de qual seja a verdade mais mentirosa?

29.3.06



Lá como cá...

Por muito que maçador se torne falar do Benfica, ontem, no jogo com o Barcelona verifiquei muitas semelhanças entre o Glorioso e Portugal. A sério.
Lá, como cá, também se vive do passado. Do sonho. Da enganosa fantasia.
Cá, como lá, faltam os malabaristas. Os artistas. Poetas de bem-dizer e melhor fazer.

Por muito que me repita, lá como cá, só a garra não chega. Faltam complementos importantes que façam a diferença. Faltam os sorrisos largos de quem fizer um filho fá-lo por gosto. Faltam botas 45, uma camisa número dez, o capitão que nos envolva ao desafio e 3333333 medidas.

Ter o estádio cheio e o país ao rubro é pouco.
Lá como cá, os efémeros minutos da fama não chegam. Ir mais além do que se propõe seria a meta. Funcionar em bloco era o ideal. Criar a nota tilintante com que se compram os melões faria com que se viabilizassem ideias. Mas isso dá trabalho e faz levantar cedo.

Por muito que acredite que alguma coisa possa melhorar e que a inércia se aniquile, as diferenças da qualidade existem. Lá como cá, são assustadoras as desigualdades, as fragilidades, os nervos à flor da pele que impedem a progressão no terreno e a competitividade criativa. Não basta ter a tecnologia de ponta à mão. É necessário saber geri-la. Aproveitá-la como mais-valia.

Por isso se diz neste pequeno e grande mundo que é Portugal, que quando o Benfica espirra o país fica constipado.
Lá como cá!

27.3.06



Dia Mundial do Teatro

Tal como todos os dias internacionais, o do teatro também é para celebrar, claro.
E fugindo um pouco de Gil Vicente, um extraordinário site disponibilizado (entre outros) por João Vidal de Sousa, este assinalável evento não pode morrer de pé como as árvores, como dizia Palmira Bastos, essa grande Senhora do Teatro português. Temos que lhe dar ânimo, já que de vida anda pelas salas d’amargura.

Sou um português que nunca foi muito de fazer teatro mas sempre gostei de boas peças. Estou a lembrar-me de Fátima Felgueiras… perdão, da Mãe Coragem de Berltolt Brecht (Lisboa, 1975), quer interpretada por Gisela May (em Nova Yorque) ou Eunice Muñoz que tive o privilégio de conhecer em fim de carreira, no Teatro Villaret.
Como se percebe, também não frequentei muitos palcos. Eram mais tapumes, pisos duros e, de vez em quando, as escadas rolantes do Parque Eduardo VII.
Quanto a actores, estou recordado de Lawrence Olivier em Hamlet (Viena, 1966), Orson Wells em Citizen Kane (Budapest, 1941), e Luís Guilherme na Reunião Misteriosa (Porto, 2006).

Quanto ao glossário apavora-me os termos, sou franco. Coxia, por exemplo, tira-me o apetite. Já para não falar do Fosso de Orquestra ou Didascal, que me dá uma ligeira sensação de hérnia sedentária à boca de cena mesmo sendo na direita baixa.
O que gosto mesmo é dos dramaturgos. Esses sim. Vivem a peça, os diálogos, fazem todos os personagens. Já a encenação tem a sua farsa. Veja-se o happening dos espectadores de futebol na intertextualidade dos seus ícones.

Para terminar este quiproquo, de maneira alguma se pretende satirizar o solilóquio. Trata-se apenas de um texto cénico onde o imprescindível ponto faltou ao ensaio. Mas acho que fiz o meu papel.

24.3.06



Prestes a passar três anos sobre a descoberta dos blogs, sinto que muita coisa mudou na minha vida.
Neste espaço virtual choveram descobertas magníficas e mil outras coisas interessantes.
Encontrei poemas e prosas que gostaria de ter escrito. Histórias que gostaria de ter contado. Ideias que gostaria de ter tido. Pessoas. Muitas pessoas que podiam fazer parte da família, do núcleo duro das preferências, da roda tertuliana e humanitária onde, se se quiser, encontramos diariamente por esse vasto mundo da blogosfera.

E essa descoberta trouxe-me mais-valias em todos os sentidos. Bastaria partilhar as sensações destes quase três anos para descrever o que ganhei: Amigos. Muitos amigos. E também muita cultura, sabedoria. Bocadinhos únicos que não têm preço.

Sei que não é fácil ser blogger, scripter de dias pardos e longínquos. Não é fácil impor um estilo, um ritmo, um sentido único, uma actualização diária na escrita e nas palavras. Menos fácil será acompanhar duma assentada tudo e todos. Quase impossível saber o que acontece in locco nesta passarelle de testemunhar motivos.

Mas que vale a pena, lá isso vale.

Que seja um bom fim-de-semana!

23.3.06



Realidades da Vida

Quem acompanha mais de perto este cantinho meio escondido sabe muito bem que o dia vinte e três tem um significado especial: é o dia de me sentir gato vadio acarinhado. Um lobo a quem dão um dia calmo, um pardal de telhado endiabrado que saltita mesmo que chova. Um carneiro tresmalhado. Um cavalo à solta.

Tomara que os desgraçados que a vida despreza, se tornassem num dia vinte e três. Fossem todos eles abençoados por um deus que não existe e pudessem compartilhar a vida nova que me calhou.


Sempre soube que nem tudo é pão e milagre das rosas, onde é a própria vida que o ensina em cada despertar antecipado.
Devo pouco a muita gente, devo muito a toda a gente, mas devo tudo a quem cá sei.

Com dedicatória:

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21.3.06



Dia Mundial da Poesia

Sendo Portugal poeta, somos um país profeta que não rima. Impedem-nos os sulcos das terras lavradas, as casas mal acabadas e senhoras mal afamadas.
Desapareceram as armas e os barões assinalados, os barcos no outro alentejo naufragados em troca de tipos mal encarados.
Ficámos um país que não grita nem labuta, um país que virou a cara à luta e que enaltece os filhos da puta.
Sendo Portugal poeta, fadista e profeta, é figura de campónio que da vida faz gemer uma guitarra e um harmónio.
Por isso continua em fila de espera e de agasalho.
Que apenas consegue rimar com primavera e a vontade de mandar tudo p'ró...

Oiçamos um comum amigo:


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15.3.06

Mudar de vida

Quando por motivos incontroláveis se alteram hábitos e horários, levam-nos a repetir a frase esbatida de que se está a mudar de vida. Uma ciganice pura, ou um acto nómada se lhe quiser chamar assim.
Ora eu, bastante familiarizado com estas coisas, pareço quase um saltimbanco. Um artista de circo sem rei nem roque.
Na minha idade (isto de referir sempre a idade como desculpa será sinal de velhice prematura?) já não é normal. Quanto muito, umas adaptações profissionais e sociais fariam sentido. Agora andar com a casa às costas de tempos a tempos parece-me obra dum destino traçado que nunca foi muito meu amigo.
Mas a procura do encaixe duns tostanitos a mais faz sempre jeito. E se existem coisas na vida que muito prezo, uma delas é mudar de vida. Porque nunca me sinto completamente satisfeito com a que levo.

Por vezes interrogo-me: porque será?

11.3.06

Quadrúpedes




“Identificaram aquilo que parece ser uma alteração genética que impede três raparigas e dois rapazes, com idades entre 18 e 24 anos, de caminhar erectos.”




Lendo e relendo a notícia, acabrunho-me.
Ouvindo e repetindo Fernando Alves, vergo-me ao peso dum possível retrocesso humano: a evolução de voltar às três etapas; de caminhar sobre as duas mãos e os dois pés os trilhos dos primatas desaparecidos setenta milhões de anos atrás.

Como René-François-Auguste Rodin, o homem do nariz quebrado, também me espanta que da inadaptação à marcha erecta possa também fazer um retrato deste labirinto a que chamam de sociedade.

Mas não faço!
Porque pertenço à única raça que tolera os inadaptados.

4.3.06



Porque hoje é sábado...

há um relógio que toca aqui ao lado e não é meu.

O emitido som pertence ao quotidiano onde sobram sombras; claridades apagadas dum fugaz descanso. Sobrevivências que resistem a mais uma semana dura de trabalho. No entanto, esse despertar acorda as ideias adormecidas em lençóis brancos de linho onde as certezas, que são algumas, se esfumam no debruçar sobre as notícias matinais.

Como hoje é sábado…
recordo ser o dia das limpezas grandes ao cantinho onde o encanto e cumplicidade pernoitam juntos. Dia de arrumar ideias velhas e descobrir outras mais novas que nos façam esquecer as esperanças falsas. Aquelas temporalidades esperançadas onde muita da nossa juventude está depositada e que faz tempo.

E porque hoje é sábado…
apetece abrir as persianas, usar roupa informal e ir ao Mar apanhar conchas. Trazer de lá as ondas de energias ocultadas e fotografias dos desenhos que deixámos no areal. Naquela areia fina que a próxima onda apagará esse registo.

Mas porque hoje é sábado…não vou ter tempo.
Talvez no próximo descubra a hora exacta de me deixar arrebatar por utopias e demais leviandades. Das tais que é proibido assim dizer ou revelar. Talvez na ideia de que o dito se possa eternizar no imortal Vinicius.
Ou em tantos outros que fazem do sábado o seu próprio dia.

26.2.06



Carnaval

Reza a História que em 1861 desembarcou no Rio de Janeiro o Entrudo; uma festa tradicional portuguesa criada por gente pobrete mas alegrete.
Quase duzentos anos depois surge também por lá o primeiro Zé tuga: o nosso Zé Pereira, menos conhecido por José Nogueira de Azevedo Paredes que de figura foliona e anafada do bombo era parte inseparável.
Passados que foram todos estes anos até 2006, o maior Carnaval do Mundo tem a marca lusitana e ponto final. ( Quem duvidar da seriedade da análise que consulte os anais em Ipariguá que o Perfeito explica tudo)

Serve esta pequena nota introdutória para esclarecer que os Pierrot e Arlequins desta nova geração são outros. As máscaras da Commedia dell'Arte dos séculos XV e XVI, que fizeram sucesso na Corte de Carlos VI também. E mesmo que se retrocedesse no tempo da Era Romana ou Egípcia o resultado era o mesmo.

Portanto, compinchas e foliões dos Dias Magros e da expressão latina de "carne, vale !", vamos mascarar-nos! Tentar imitar Baco (Dionísio para os gregos) e homenagear Pã. Vestir de cores garridas o protesto e fazer do Bacanal um ritual. Só assim o Corso fará sentido.

Eu cá p’ra mim continuo a torcer pela Tijuca e pelo Benfica até que a verdade dialéctica venha ao de cima. Quem sabe não seremos o maior Carnaval do Mundo de emoções angustiadas já para a semana que vem quando chegar o recibo do ordenado deste mês de fantasias!?

Divirtam-se!

20.2.06

Tal como o homem da rádio, também eu acordo antes do trinar dum relógio já velhinho que me alerta para o começo de mais um dia de passos vazios.

E como sempre, da janela aberta do meu quarto, uma janela que me dá a ver as cores do mundo repintadas de traços que não entendo, debruço-me perante os cenários que se arrastam pelos trilhos sulcados das memórias tristes dos velhos sentados na beira dos caminhos.

É por esta abertura rasgada nas quatro paredes frias, de onde me olham as vítimas de Guernica, que me apercebo da raiva e ódio semeados. Da visão profética do Apocalipse. Das rosas de Hiroshima já sem pétalas. De olhares vagos e sem brilho.

Tocam ao fundo os acordes das palavras de Zaratustra. Melancólicas e cruéis. Soltam-se, em vertentes inclinadas, gritos. Vindos dum lugar distante que Kai-Tak e Kirogi, dois impiedosos ventos, assinalaram.

Do outro lado do mundo, homens de negro sem rosto e sem defesa aguardam julgamentos de juízes sem toga. Cem razões que nos escondem da verdade. Cem maneiras de torturar almas embriagadas por outra tanta gente sem gesto. Precisamente igual aos ventos que sopram do lado da Terra dos Arianos.

Terra onde as Geórgicas de Virgílio alertam que pode estar a chegar outro Holocausto. Desta vez vindo dos céus em asas brancas onde se escuta um belíssimo canto: o Canto do Cisne.
Um canto a que as Muralhas de Tróia não podem resistir.

11.2.06

Há dias assim...




Perante os cenários de todos os minutos e horas que passamos em contacto diário com o mundo que nos rodeia, há uma coisa com que ainda não sei lidar lá muito bem: a morte.
Aquele “morrer sem ser visto” que nos toca mais de perto. Aos mais chegados. Gente da família.
E hoje, em vinte e quatro horas passageiras como o vento que me bate na janela, tive dois casos. Mortais. Daqueles que mesmo que esteja preparado para quando tiver que acontecer, ainda assim há uma certa relutância em aceitar e que nos levam tudo o que somos.

E o mais preocupante é que se sabe que em todos os minutos nasce e morre gente comum. Diversa. Desconhecida até. Gente que apenas as sei pelas notícias, e com quem nunca convivi, mas demonstra que o obituário nunca mente.

Por isso, para além dos choradinhos triviais, julgo que nunca fui capaz de encarar o fim que temos pela certa como uma certeza absoluta. Soa-me a mentira. A coisa passageira. Sarcasticamente falando, daquelas coisas que acontecem apenas, e só, aos outros.
Mas não! Na verdade, hoje tocou-me a mim.

Perdi a última das irmãs da minha mãe. A tia preferida da minha visão de ver os outros. Uma minhota dos quatro costados com uma vida que dava um filme e que me deixou mais pobre nos afectos.
Passadas as horas acima referidas, mais uma “acostumância “que me ligava há vários anos nos abandonou: a Becky. Uma cadela meiga e doce que nunca ninguém teve e que deixou uma das nossas casas mais vazia.

Morreram as duas em silêncio. Sem avisar. Provavelmente, sabendo que nunca queriam dar trabalho aos outros. Aqueles outros em que estes próximos dias não vão ser fáceis de esquecer.
Mas a mim toca-me as partes piores quando estas coisas acontecem: saber gerir o golpe trágico que afecta a vida com estas realidades que temos pela certa. Porque também me fino ao dar conta delas. Sejam pessoas ou animais.

Há dias assim…

31.1.06

A Bilha

Tal como Bill Gates, também tive uma visão futurista: nunca, mas mesmo nunca, conseguiria aderir ao gás canalizado. Eu cá sabia porquê!


















(Imagem generosamente retirada do Praça da Repúlica. Em Beja. Onde nevou há bem pouco tempo.)

20.1.06



O dia da reflexão

Encontro-me perto de reflectir, anunciam, lúcidos, os guardiães dos templos das certezas que não vingam. Aqueles que moldam ideias e caminhos. A vida. Caminhos traçados até que a ligeireza dos dias que nos calharam se esfumem num assopro.

Finjo não ouvir o apelo. Fujo das vozes sonantes dos cantinhos da rádio. Das esquinas de onde a caixa que mudou o mundo nos persegue.
Penso e reflicto. Devagar. Ao som das aves migratórias que fizeram ninho e das teclas de um piano que me conta estórias imortais. Estórias que já fazem parte do passado onde foi criada vida. Onde se criaram também laços e afectos que nos amarram para a existência efémera em que dura apenas o anúncio.

É dia de reflexão, voltam a lembrar. Em mais um take para que o espectáculo, perante as luzes que ainda não abriram, possa continuar.

E eu a julgar que reflectia todos os dias…

14.1.06



Na vida de qualquer um de nós, os que existimos, as mudanças e as aprendizagens tornam-se importantes ao longo do tempo em que vamos subsistindo. Por norma ou pela caracterização que se faz do nosso próprio existencialismo.

Por princípio, não sou apologista de mudanças sem sentido. Mas algumas são necessárias e imprescindíveis. Tal como as que pretendo fazer agora: mudanças simples e que não prejudicam nem alteram a relação que tenho com toda esta rapaziada dos blogs.

Só que, ao longo de três anos de convívio com o sistema, e porque tenho um “brinquedo novo”, vou pausar uns tempos. Abdico de editar a pretensão de escrever o que posso ter na ideia e vou recomeçar a ler os outros. Fazer do próprio espaço deles os meus posts.

É mais giro. Mais gratificante.
Talvez o sol da meia-noite que me faltava.

Até lá!

7.1.06



O meu computador está a dar o berro

Parecendo uma frase banal, do tipo “o que é que tenho eu a ver com isso?,” não deixa de me levar à fantasia e, ao mesmo tempo à realidade, na vida de um blog. De um espaço a que já me habituei, ou até mesmo, desenhar a vida do varredor da minha própria rua.

Tal como qualquer ser vivo, um computador tem os dias contados.
O varredor também.

Depois de vários anos ao serviço, a máquina que já faz parte das nossas vidas perde características, personalidade, vigor. Habitua-se a certos hábitos, crenças, automatismos. Segue quase de olhos fechados as definições, as pré-definições ou o que lhe mandamos executar. Muitas das vezes sem ter o cuidado de pensar se a podemos estar a prejudicar.

E um dia dá o berro. Estoira. Faz kaput depois de um esforço demasiado. Tal e qual como qualquer varredor da minha rua ao fim de imensos anos de trabalho. Parece normal à primeira vista mas não devia ser assim.

O meu computador, e outros muitos computadores de almas que sempre dizem certas coisas, mais o varredor da minha rua, deviam ser eternos. É com eles que vejo o mundo e o entendo. É neles que me apercebo que o dia está chuvoso, frio, e me alertam para tomar cautelas. É neles também, em outros dias, que vejo o sol nascer airoso quando lhes vejo aquele sorriso: um sorriso que dá prazer de cá andar e me mostra quanto foi bom o ter nascido.

Mas desgraçadamente, o meu computador está a dar o berro.
O varredor da minha rua não. Nem todos aqueles de águas turvas e de silêncios não são cúmplices.
Ainda bem!, porque não há retorno.


Nota: um agradecimento especial à Márcia Maia, ao Buba e ao Orca, pela generosidade de fazerem ter chegado à minha humilde casa o muito da amizade que nos uniu ao longo deste tempo que vamos passando aqui.
Em palavras editadas na morada certa.

Agora vou dar uma volta por aí, antes que estoire de vez o companheiro que está a dar o berro.

1.1.06



Ano Novo, vida nova

Depois de uma voltinha pelos blogs australianos, ingleses, italianos ou jamaicanos, nota-se alguma perspectiva em relação ao ano que nos entrou pela porta adentro. Os portugueses não fogem à regra.
Existe uma esperança redobrada no primeiro de Janeiro pela melhoria da qualidade de vida de cada um, que se vai desfazendo à medida que os outros dias vão passando. É normal, e estamos fartinhos de ver o mesmo filme.
No entanto, há uma coisa que sempre me fez espécie: não podendo manobrar o futuro, posso muito bem controlar o presente e o que ele pode representar para dias que se desejam melhores.

O que é que isto quer dizer?
Quer dizer que tenho me esforçar mais, trabalhar mais, saber mais. A função de cada um de nós na sociedade, e o modo como nos inserimos nela, faz com que tudo possa melhorar. Mas tem que começar por mim. Por ti, pelo colega, pelo amigo ou vizinho, talvez hipotecando que sejam outros a decidir por nós.

Também eu me proponho no dia 1 a que tudo corra pelo melhor. Mas duvido. Não só pelo anos que já levo nestas andanças sociais, mas porque também sempre fui céptico em relação às pessoas que têm o nosso destino nas suas mãos.

Mas hoje não quero ser desmancha-prazeres. Vou confiar na credibilidade que os portugueses me merecem.
No entanto, já estou a gastar aquilo que ainda não ganhei. Aumentou o gás, a electricidade, e o meu vício. Amanhã, também vou pagar mais por um cartãozinho que me leva ao local onde trabalho. Pode ser que comece logo a resmungar, mas lá estarei a tentar criar riqueza num país que já de si é pobre.

Bom Ano, ó companheiros!

31.12.05



O último dia

Duma forma geral, os portugueses têm memória curta. Por isso gostamos dos balanços, dos resumos finais e dos rescaldos de cada ano a mais por que passamos. Este (2005) não é diferente.

Choramos as tragédias alheias. Sentimos saudade de tempos idos. Sofremos perante dramas diários que nos passam pela calçada da nossa rua e com novelas que tenham finais angustiantes. Gostamos que nos lembrem o que para trás ficou como se disso estivéssemos carentes.

Para além disso, temos a terrível inclinação para o fado que só nós contemplamos e sabemos exteriorizar. Habituados permanentemente a lidar com coisas tristes, não nos damos conta que passam coisas giras à nossa volta. Que ficam na memória de muito poucos. Que só compartilhamos entre as quatro paredes da nossa própria casa.

Tenho a pretensão de alterar isso. Não só de agora, mas porque os amigos virtuais que conhecemos - e que da família já fazem parte - também pensam assim.

Daí, deixar apenas um desejo a todos eles: Sejam felizes!



Logo, venho cá abrir uma

11.12.05

O Subsídio

Se existem coisas que fazem sorrir os portugueses nesta altura do ano, o subsídio é uma delas.
Mesmo não gostando do nome que lhe deram (soa-me a esmola, pedinchice ou até parece que estou a roubar alguma coisa) a mim sabe-me bem. Dá para comprar o bacalhau e as couves. As prendas p’rós miúdos. Alguma coisa que nunca tive.

Mas tem um senão. Porventura, alguns senãos.
Primeiro, porque é pouco. Segundo porque é só um. E eu que sou do contra, comecei a constatar que merecia mais.

Vejamos eu a pensar p’ra dentro: só pelo facto de trabalhar, aquele que me dão já está justificado. Mas ao longo de um ano de esforço pela camisola que visto, (onde o patrão tem comigo sempre lucro, passe a imodéstia,) merecia outro. Isto para não referir que o facto de aturar as más disposições dos colegas de trabalho, o stress traumático dos transportes que se dizem públicos, as más condições das dez/doze horas que se passam num dia cheio ou a má alimentação que um gajo é obrigado a fazer durante a sensação de que se podia fazer mais e melhor, acho que mais um era soberbo.
No entanto, há aqui qualquer coisa que me chateia: por muitos mais que me dessem, ou a eles tivesse direito, tenho sempre na ideia todos aqueles que não usufruem de apenas um que seja.

E isso, nunca sei a quem hei-de me queixar. Será ao Totta?

8.12.05



Qualificação e competência

Se é moda agora a referência à qualificação dos portugueses pelos candidatos que merecemos ter, então vamos por partes.

Começando já por mim, e olhando para toda a rapaziada que anda nesta coisa dos blogs, sou o gajo menos qualificado de todos quanto conheço.
Posso estar muito bem relacionado com professores, mantenho dialogo com gente boa e estarei bem posicionado com poetas, executivos, escritores, historiadores, e muita malta que até dá na televisão. Aliás, mesmo não fazendo parte dela, sinto-me de tal forma inserido nesta elite que até a minha própria gata já me trata por senhor doutor.

No entanto, não consigo encontrar um sacana de um pedreiro ou de um servente que tenha o raio de um blog. Em termos qualificativos, digamos, ainda não descobri ninguém abaixo do nível a que pertenço que possa falar , ou escrever, sobre a matéria. É um pouco frustrante porque sei de antemão que eles tinham muita coisa p’ra dizer sobre a competência de como cada um faz o seu trabalho.

Falando precisamente em trabalho, todos nós sabemos que a maioria dos portugueses não gostam de trabalhar. Provavelmente, o resto do mundo também. São mais a favor do emprego. Das posições. Das carreiras. Tudo a favor da procura do melhor para as suas próprias vidas, estando-se a cagar para o desenvolvimento do que quer que seja.

Em termos generalistas, nunca tivemos apetência para renovar coisa nenhuma e vivemos sempre ao sabor dos ventos e das ideias de algum iluminado que apareça. Deixamos fugir os cérebros, não apoiamos a iniciativa dos nossos jovens e, por incrível que pareça, continuamos a ser mesquinhos e ciumentos com o sucesso do vizinho.

Mas não há crise. O espírito natalício supera tudo.
Os nossos erros históricos, a falta de respeito de putos com dinheiro (Cristiano Ronaldo), e o adiamento sucessivo de soluções que todos nós sabemos ter, também. Vivó Benfica!

1.12.05

Carta ao Pai Natal

(também conhecido por Noel, St. Nicholas, Mr. Lonely, St. Nick ou Santa Claus, e mais alguns nomes menos próprios que o Dicionário de Língua Portuguesa admite nos estádios de futebol)

Querido Pai Natal:
Estou sorumbático. Triste. Desconfortável até.
Chega este momento e pareço um puto assustado por não saber o que pedir-te. Podia começar por mandar beijinhos, dar-te graxa, afagar a cabeça das renas que te acompanham há muitas eras, ou chantagear-te o ego para poder obter o que pretendo como só as crianças o sabem fazer. Mas não. Como adulto que já és, sei que não ias gostar.
Por isso, ao longo dos anos que crescemos quase juntos, não é um pedido que te faço, é mais uma exigência se assim o entenderes: não desças pela minha chaminé!
Anda pelas ruas e nos becos. Por quatro tábuas meio erguidas, ou mesmo paredes, que não possuem bifurcações nos telhados.
Na minha não, por favor.
E se nos encontrarmos por aí, hás-de verificar que podes ter o teu lugar ameaçado.

27.11.05

Os Candidatos


Qualquer que seja o lugar a que cada candidato se candidata, podem prever-se várias estimativas que os estimulam a isso. Talvez a vaidade, apetência e/ou vocação. Do oito aos oitenta, vai-se em três segundos mais rápido do que qualquer Ford Escort alterado para as corridas nocturnas em Monsanto.

Pode até desconhecer-se, mas cada um de nós tem em si um candidato escondido. Ou porque se quer resolver coisas e estar disposto a dar um abanão a esta merda, ou aproveitar a dolce vitta que proporciona ser-se conhecido quando se passa em qualquer rua ou lugar. Aí, não há mãos a medir. Reveja-se as imagens televisivas. As fotos das revistas. Outra vida que podia ter tido o gajo da fotografia. Vejam-se as candidaturas ao primeiro emprego. Aos castings. Ao subsídio e ao desemprego. Continuamos a ser "the best".

Estão a extinguir-se as Terezas de Calcutá. Os Budas e os São Franciscos Xavieres. Sobram entretanto muitos macedónios entroncados com perfil adequado no uso da força e da fraude: os tiranos. È apenas uma questão de escolha.
Acontece que os portugueses preferem que os não tomem por candidatos. Nem sequer apreciam o facto de escolher. Situam-se na longa lista de indecisos, jogam à defesa e atacam à má-fila e na má-língua. Tudo ao molho e fé num deus que já morreu. No entanto, existe a esperança de que qualquer coisa possa melhorar. Nem que seja para pior.
Depois disto, resta-me candidatar a um lugar que nunca quis: o meu sofá. E ver dali o que mais nos irá acontecer.

Uma boa semana a quem passar por aqui. Aos outros também, claro.

26.11.05

Olá!


esteve por aqui esta semana? Já aí vou...


É porque hoje também ganhei o direito de acordar assim. Parafraseando a Carla (link) ao ver aquela manganona ali ao lado.

19.11.05

A Sociedade Civil

Ao contrário do que se possa pensar, a Sociedade Civil é desmedida em contrastes de coloração política. Tanto pode estar de alva vestida pela noite adentro como de tons nocturnos logo pela manhã.
Nunca se sabe por onde anda nem aonde vai. Uma galdéria assumida, diga-se, mas consta como verdade que gosta de frequentar tertúlias e congressos. Reuniões e raves que durem até às tantas e metam acepipes sem ter que desembolsar um tusto.

A Sociedade Civil é daquelas coisas muito independente que faz da diferença do seu próprio pensamento o seu maior trunfo. Há quem diga que da indiferença também. Daí, poder dizer-se que é uma puta sabida que jamais se compromete publicamente porque lhe falta o vigor da tenra idade.

De experiências acumuladas e super-protectora, é a mãe de todas as consciências. Sobrando-lhe ainda, o aplauso que dedica às causas nobres e aos apelos nacionais. Isso deu para ver no Euro 2004, na vaga de incêndios que afligiu o país e na diplomacia com que trata os caprichos da administração do Metro do Porto e os negócios pouco claros da Banca .

Quanto às presidenciais, é lírica e romântica mas não gosta de perder nem a feijões. De tal forma, que o seu sentido de voto esteja irremediavelmente inquinado para o que pensa ser a solução menos gravosa. Mas não faz mal. A "Brasileira" tem café à borla, o meu filho Marco também faz anos hoje (28) e não é à Sociedade Civil que se pedem responsabilidades.

Bom fim-de-semana!

11.11.05

A Opinião Pública

Esta semana conheci a Opinião Pública.
Figura desassombrada, hirta, muito tu-cá-tu-lá com toda a gente e com semelhanças várias entre a Júlia Florista e a Rosa Enjeitada.

Motivado por razões óbvias – a minha campanha virtual, claro - era obrigatório que um convite para se explicar perante nós fazia sentido. Tanto mais que nestes tempos mais próximos apenas posso vir aqui uma vez por semana.

Sem tornar notória as minhas intenções, movia-me a curiosidade de saber da boca dela própria todos os queixumes. As amarguras que a penetravam (salvo seja), mais os conceitos e os predicados que, por norma, lhe são atribuídos.
Nesta matéria pareceu-me simpática, mostrando-se até entusiasmada com o enorme enlevo que é tida em conta pelos mais variados sectores da má-língua.

Falámos um pouco de tudo e de nada.
Aproveitámos a oferta de castanha assada na tascazinha de Alfama onde nos sentámos a beber um "tricofaite" (receita lá da zona) e soube por ela que tem uma família composta de muitas opiniõezinhas e zinhos. Aliás, como eu.

Sempre com o coração ao pé da boca, a Opinião Pública pareceu-me deveras sabichona e de quem se espera sempre uma resposta a qualquer assunto. Seja ele sobre os namoros homossexuais nas escolas portuguesas, as escolhas mediáticas de Luiz Felipe Scolari, ou inclusive, note-se, a preocupação de como os quatro jurados do “Caso Joana” teriam tão depressa aprendido as leis que regem o Direito, mais o Processo Civil e Penal Português para provar que o nosso povo não é parvo e castiga de forma severa os malfeitores.

De qualquer das formas, a Opinião Pública está exaustivamente por dentro de tudo o que se passa à sua volta. É volumosa de ideias e tem as costas largas. Cheia, portanto.
Desde Clichy-sous-bois até Omã. De Felgueiras até ao Iraque. Do Arco do Carvalhão até às putas de Bragança, opina sobremaneira sobre tudo mas ainda está para saber como é que a Gala da Confederação do Desporto conseguiu atribuir o prémio de "Treinador do Ano" a José Peseiro.

Quando lhe perguntei sobre a campanha dos outros candidatos torceu-me o nariz. Disse-me, olhos nos olhos, que muitos deles não têm tomates – foi mesmo assim – para endireitar o país, quanto mais foder o que fodido está.
Mas acho que gostou de mim. Talvez o bigode a tivesse impressionado, sei lá…
Uma coisa ficou acertada. Vai apresentar-me em breve a prima. Ainda mais maluca do que ela: a Sociedade Civil.

Até p’ra semana!

5.11.05

O Perfil

Após ter ultrapassado a barreira dos cinquenta descobri que também eu tenho um perfil. E com estas coisas das presidenciais, até que podia ser um “bom” candidato a candidato. Vejamos.
Tenho cento e oitenta centímetros de altura, mas de perfil pareço um pouco mais alto. Parte da minha juventude passei-a a guardar gado e estou bem por dentro dos males de que padece a Agricultura. Comecei bastante cedo a ligar-me às relações internacionais visto que o “boom” da emigração clandestina passou quase todo pela minha aldeia.
De finanças, nada nem ninguém melhor do que eu sabe como orientar um orçamento reduzido e estou à vontade para explicar direitinho todas as elasticidades e as matemáticas que se pode fazer a uma nota de cem euros.

Não sendo um político profissional, pertenço à classe dos “gandas mentirosos” e prometer é o meu ganha-pão. Tanto assim que o défice, a gripe das aves e a crise do Sporting, seriam as minhas primeiras prioridades a resolver. Outras se seguiriam como o desemprego, a Justiça e os projectos para o desenvolvimento nacional. Basta dizer que nestes últimos meses estive profissionalmente destacado no Centro de Formação Regional de Setúbal, na Casa Pia de Lisboa e no Intituto Superior de Engenharia da mesma cidade.

De História estarei ainda mais à vontade; não sei se alguém já reparou, mas neste humilde espaço há um tempo a esta parte não faço outra coisa senão contá-las. Assim como nos campos de Geografia, Economato e Veterinária não me atrapalho, tendo já estudos escritos sobre a matéria mas que ainda não me foi dada a oportunidade de publicar.
Nas Artes e na Cultura sinto que tenho ainda muito para dar ao país. Sou um óptimo actor e tenho sempre mais do que cinco minutos para ler os jornais sem ter a boca cheia de bolo-rei.
Isto sem falar das qualidades que possuo sobre os temas da Saúde e do Ensino devido ao facto de morar junto a um Hospital e estar rodeado por escolas secundárias.
Tudo aquém de nas horas vagas ter a pretensão de ser poeta.
Se isto não é ter perfil…

O que falta são as assinaturas. Mas vou já ligar para a Vogue, Visão e Reader’s Digest.

Bom, mas agora está na hora de ir fazer campanha porta-a-porta e passar nos blogs que tenho mais ao pé. Ou mais à mão.
Bom fim-de-semana!

4.11.05

ALERTA À POPULAÇÃO stop DEVIDO AO PROVÁVEL SURTO DE GRIPE DAS AVES stop AVISA-SE A POPULAÇÃO stop DE QUE SE DEVEM DEITAR O MAIS TARDE POSSIVEL stop NUNCA, MAS NUNCA stop SE DEITEM COM AS GALINHAS stop

1.11.05



O Terramoto e outros abanões

Duzentos e cinquenta anos depois, relembrar o Terramoto está na ordem do dia.
Assim como a escolha do meu almoço e demais tragédias e outros tronos derrubados.
Apenas alguns recordarão as memórias de Al-Quibir que não chegou a ser Alcácer. Apenas nós relembraremos Inês e o seu coração arrancado por vis traidores a um amor assolapado. Mais o de Isabel, real alteza, que com rosas alimentava um povo às escondidas de um tal Diniz que cavalgava toda sela e mais proveitos.

Talvez nunca esqueceremos Luiz Vaz, morto à míngua pela fartura que reinava de quem foi expulso, nem a audaz e corajosa estupidez dos conselheiros do Reino dessa altura e muitos Vasconcellos em que somos férteis.
E o Adamastor, recordareis por acaso?
Já agora, lembrai também as desavenças de Afonso e sua mãe Tereza, a bastarda de fino fidalgo de Castella e a palavra d’honra de Moniz. Um Egas chamado de forte velho, e para leais vassalos, claro espelho, e vede as semelhanças ou demais diferenças.


Chama-se a isto Fado. Saudade. A Alma valente dum povo que nunca morre.

Nestas letras singelas de tradução inexistente, existe um timbre duma nota só, porque dos gentios que somos e se preza, a palavra que nos é dada nem sempre cumprida é. Nem que por dada causa se pague em prestações.
Ímpares e aos pares, em cada canto onde se oiça a voz de Portugal e dos que se dizem portugueses como Joana Brites e mais seus sacos de farelo remendados.

Por isso, esperai pela pancada, poderia dizer Bandarra.
Ide e vede outros vendavais que se avizinham, falou Bocage que não era, “e à cova escura vai parar desfeito…” o sonho que teve em vão, remataria eu.

Pois após saber de antecâmara que outros terramotos se aproximam, agrestes e sombrios, quiçá soberbos ou malfadados como nos tempos da moda das tranças pretas, é bom saber que estais aqui de corpo e alma como Agostinho, o Santo Intrépido, ou tal galego de minha rua, indiferente a tantas modernices que o levaram a reinventar a tasca dele.

Que tenham bom Terramoto... perdão, um leal feriado.

26.10.05



A cada dia que passa sinto a generalidade das coisas a ultrapassarem-me.
Sinto a imensidão total a diluir-se em horas curtas.
O arrefecer das noites cada vez mais perto.
Quase que sufoco. Quase que me suicido em aglomerados apinhados de gente que não sei quem são ou desconheço.

Por vezes, faltam-me palavras. Emudeço e calo ideias que receio divulgar.
Interrogo-me. Cansado e já vesgo como um cão danado.
Confronto-me em espaços vagos sem assistências contratadas, onde só o mar e o acaso são companhia.

Depois dilato.
Cresço.
E volto a sufocar.
Mas algo me diz que é apenas mais um dia.

Mesmo assim, é tempo que não tenho para obter resposta.
E volto a iniciar o exercício.
Depois decido que são apenas generalidades ou sinais de vidas que me envolvem.

Uma, demasiadamente comprida.
Outra, infelizmente curta.

21.10.05


Vou andar por aí nas próximas horas. Acautelem-se!

E quando uma pessoa como eu anda por aí, quer dizer que vai ler, ver e ouvir o que a rapaziada que anda ao mesmo, escreveu, publicou e/ou editou. Não prometo é que deixe uma pegada.
É que uma eventual primeira confusão generaliza-se não só pelas razões de cada um mas também por que nunca sei o que posso vir a encontrar. É como se chegasse mais cedo a casa de uma pessoa amiga e a encontrasse nua. Em pijama ainda, ou com um saco de gelo na carola para colmatar os efeitos de uma ressaca. Acontece.
Mas pior seria se desse com o nariz na porta.

Depois disso há-de ocorrer-me qualquer coisa para escrever aqui. Porque o meu "Dia 23" já está alegre e intencionalmente incorporado aqui.

16.10.05

Um dia diferente...

e aqui (ontem à noite) começou assim:



... e há bocadinhos na vida que me fazem bem. Mesmo que me tirem do sério.

Depois de ter realizado as três obrigações primordiais a um homem que se preza - digo eu - (fazer um filho, plantar uma árvore e escrever um livro), vejo-me na contingência de realizar uma que ainda não fiz: um relato.

Um relato deve ser coisa de gente que sabe o que diz e que por vezes pode virar tragédia (estou a lembrar-me do emissário de Marathon). No entanto, após ter trabalhado para malandros, carregado baldes de argamassa e levantar-me às cinco da matina para andar a lavar vidros, já nada me assusta. Portanto, aqui vai.

O país parou para assistir a mais um clássico. Daqueles clássicos onde os smokings são substituídos por obscenidades, dúbias intenções e úteis esquecimentos. Um Porto-Benfica, ou vice-versa, arrasta paixões. Ódios de estimação e muitas, mas mesmo muitas, bandeiras. Cachecóis, retratos de família e opiniões. Acima de tudo, pessoas. Muitas pessoas.

Imaginei-me uma delas a cantar os “Filhos do Dragão” trocando a letra pela trova do “Ser Benfiquista” olhando nos olhos de todos quantos me rodeavam. Ali não há contemplações nem classes sociais. Nascemos todos nus com a faca na algibeira.
A cada centro de Lisandro Lopez ecoava um apelativo bruah em detrimento do aumento da electricidade. Por cada queda de Simão gritava-se “filho da puta” para poder contestar as baixas reformas de toda aquela gente. Cada defesa de Quim assemelhava-se a mais uns dias de férias repartidas e à prevenção das catástrofes naturais.

Um gajo na minha idade, e senilidade, até que vive estas merdas todas. Ao vivo e a cores, como imaginei, ainda é mais fixe. Como o Soares.
Tanto assim, que a cada correria iniciada do puto Nelson pelo corredor direito fazia com que me esquecesse que amanhã já é 2.ª feira. Cada drible do Jorginho deixava no ar a ideia de que vou ser aumentado e por cada posse de bola ganha por Diego ou Karagounis transformava-me no mais acérrimo defensor dos Direitos Humanos e dos Animais.

Trânsito caótico? Taxas suplementares pelo consumo de bens de primeira necessidade? Falta de médicos e a Justiça em palpos de aranha? , o que é isso comparado com o primeiro golo do Benfica? Nada!
Os problemas da fome em África, a miséria e o desemprego a aumentar, eram debelados por cada defesa de Baía. A violência, a poluição ambiental e a vontade férrea de dar um estalo nesta vida que levamos era completamente esquecida por cada jogada habilidosa de Diego ou Geovanni.

Esquecemos totalmente os sem-abrigo, as vítimas das estradas nacionais e a pequena Joana, com o segundo golo do Nuno Gomes. A corrupção e o processo Casa Pia. O aborto. O arrastar desta vida que não queremos, mais a diferença galopante entre a escassez de uns e o esbanjamento de muitos outros.

Mas ganhámos!
Mesmo que a vontade de mostrar os lenços brancos não fossem para aqueles gajos que nos fazem esquecer momentaneamente coisas destas. Acho que temos que fazer como os gajos do Sporting : para nos fazer-mos ouvir perante tanta cegueira é melhor levar lençóis.
Quem sabe, até a própria cama?
Ou os filhos, os netos, e a folha de ordenado.
Quiçá, a declaração da Assistente Social.

Uma boa semana a quem passar por aqui. Aos outros também, claro.

10.10.05



É o que me vai faltar: tempo. A vida profissional assim o determina até 26 de Outubro.
Tempo que me vai faltar para aprender com os outros.
Tempo para descobrir coisas novas e deixar um abraço, um sorriso, uma palavra a todos com quem de mais perto privo nesta coisa dos blogs.
É a vida, costuma dizer-se.

Mas esta puta de vida que levo (penso que não serei apenas eu) nunca descobrirei se compensará a perda de coisas mais importantes que nos passam tão de perto e por vezes desperdiçamos. Apenas e só por mais uns trocos... que a tal dita não está fácil.
São factos que não posso evitar.

De qualquer das formas, sendo menos assíduo, não quererei perder de vista ninguém a que me tenha habituado. Terei diariamente duas horas para o fazer. Saiba eu aproveitá-las.

Sempre são mais compensadoras do que estar a idealizar disparates para aqui os transcrever.
É só para não estranharem!

8.10.05

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Hoje vou estar em reflexão!



Mesmo que não pretenda influenciar as mentes mais indecisas, não posso deixar de registar que estou deveras inclinado a votar no sr. Felipe Scolari. Uma das raras pessoas que me transmitem confiança e me vão dando algumas alegrias.

(Eu sei, eu sei, que não só de pão vive o homem.)

5.10.05

5

Munícipas e munícipos, alentejanos e alentejanas, minhotas e algarvéus, cidadãs e cidadãos, portugueses em geral:

A revolução está na rua!

O “5 de Outubro” é uma data histórica arruinada onde as desigualdades sociais existentes têm os dias contados. Mas hoje, agora e já, contamos mais. Contamos com o apoio de todos os insatisfeitos (10 milhões), com a massa crítica dos endividados, com todos os sectores da classe (des)organizada e mais seis milhões de esperançados.

O grito de alarme soou e a recuperação económica espera por nós.

Soldados e marinheiros, carpinteiros e retalhistas, madeireiros e floristas, nós estamos aqui para vos dar voz!
Reformados e pensionistas, enfermeiras e anarquistas, nós somos quem precisais.
A candidatura pela Câmara Nacional Portuguesa está na rua.

O nosso Programa pretende acabar com os privilégios e as reformas escandalosas. Com o copo-três e as bifanas mal-passadas. Temos que recuperar as pastilhas elásticas da Bazooka Joe e a Laranjina C.

Temos soluções!
Soluções que nos permitem decifrarem as palavras cruzadas do Diário de Notícias. Com as etiquetas falsas na Feira de Carcavelos e a especulação imobiliária. Temos soluções para os softwares do Ministério da Educação.

Companheiros e camaradas! Fadistas! Povo que lavas na rua!
A esperança nunca morre. Tendes aqui a oportunidade única para derrotar os tubarões, os dinossáurios, e projectar um novo Jardim Zoológico.

Temos na mão a chave de todas as portas. Também a do Paulo e a do Miguel. Temos na mão que temos mais ao pé, o sentido de oportunidade para garantir a qualidade de vida e o bem-estar de todos os portugueses e madeirenses.
Vamos acabar com a riqueza disfarçada. Com o turismo de pé-descalço e com os andaimes sem quebra-costas.

Queremos mais segurança nas ruas e nas tascas. Nas esquinas do Intendente. Em Chelas.
Queremos o desenvolvimento rural e o choque tecnológico de 800 wats para fazer andar o TGV.
Queremos acabar com os sacrifícios da Função Pública e das esposas de todos os Embaixadores.
Queremos desenvolver a consciência cívica. O direito à juventude. A popularização do “Tavares Rico”.
Temos uma óptica quântica para deixarmos de ser os coitadinhos da Europa e estarmos entregues à bicharada.
Prometemos recuperar o esperanto e o mirandês. Os amoladores e as calças à boca-de-sino.

Portuguesas e portugueses! Taxistas! Chineses de todos os orientes!

Chegou a hora de dizer basta! Comigo na presidência, o mundo nunca mais será o mesmo. Nem o Alberto João.
Vamos fazer de Portugal o centro de todos os eventos mediáticos e sacerdócios.
Vamos eleger a minha candidatura imaculada e sem dor. Mas não nas câmaras ocultas das salas de chat, de chuto ou de voto. Será na rua. Onde as urnas e as certidões de óbito os esperam.

Vinde amigos! Aproximai-vos carneiros e ovelhas tresmalhadas!

A Revolução está na rua!

3.10.05

4

O Futebol faz-me lembrar a política e, por vezes, o vice-versa também se aplica.

Mas da forma como o Benfica ganha, e aos outros não vejo fazer diferente, o melhor mesmo é adaptar-me às circunstâncias.

Portanto, toca a continuar na tourada que eu tenho que me levantar cedo!


Até amanhã!

2.10.05

3

E a tourada não fica por aqui.
Vejamos a imaginação deles neste trabalho de Autárquicas em Cartaz.
Enquanto isso, vou dar voz aos cidadãos em mais uma apoteótica entrada em cena de José Maria Martins. Pode ser que ainda tenha tempo de entrar no staff dele.

Entretanto pode ir acompanhando toda a evolução da faena... perdão!, da campanha, pela TSF. Ou Expresso/SIC/Visão.

Como o Benfica só joga amanhã, hoje vou andar por aí. Devagar a divagar. Talvez de caldeirada em Borba acompanhada. Talvez Antero.

1.10.05

2

Quando se anda em maré de azar até o Belenenses perde em casa, fosca-se! (Acho que vou começar a andar com um corno ao pescoço. Ou dois na cabeça, antes que alguém mais atrevido se comprometa a provocar-me)

Mas relativamente às autárquicas, os casos de Oeiras, Porto e Lisboa são traumáticos.
Não só pelos casos que ocupam nos tribunais, mas pelos jogos de poder que em nada abona a clarividência que nos querem impingir.

Os programas que apresentam são como aqueles cartazes que anunciam: "Leve dois e pague apenas um." Mobilidade, educação, segurança, ambiente, património? Deixem-me rir.
De qualquer das formas, toda a gente sabe como funcionam os media nas referências e barómetros, termómetros e outros espaços vendidos a retalho, para que até os próprios promotores e responsáveis pela campanha de cada um saibam com o que podem contar. É tudo um jogo! Estamos fartos de saber. As promessas de ocasião, o compadrio, o caciquismo ainda existente e quando todos aqueles gajos que se aproveitam dos favores Camarários para ganhar mais uns tostões aparecem na TV, tá tudo dito. A "Judite" é que anda a dormir.
Provas? Só se fôr aquelas que eu faço todos os dias a correr para o trabalho.

Pronto já desabafei!
Hoje como não joga ninguém das minhas preferências, provavelmente vou rever a Garganta Funda.
Só cá por coisas.

30.9.05

1

Nunca desejei que este meu diário fosse de cariz político nem técnico, poético ou enciclopédico. Muito menos referencial. Supus até que a família, e mais dois ou três ilustres visitantes e amigos virtuais, compusessem o ramalhete para não estar aqui a escrever para o boneco.

Tal e qual como a Rosinha Ferreira Torres fez com o marido: escreveu-lhe os hinos para a campanha sem ele dar por isso.
Também acho estranho a Fátima Felgueiras estar à beira de conseguir uma colocação estável neste mundo difícil de colocações, quando uma das minhas filhas anda à rasca para tentar arranjar trabalho. Ela que até é uma rapariga certinha, casadinha de fresco, com os impostos em dia e nunca sequer fugiu de casa.

Outra das coisas que me preocupa é a questão dos projectos dos candidatos. Logo agora que estou rodeado de engenheiros. Daqueles putos novos com visual Nick Cave e muito soft como o meu vizinho da frente quando era novo, estão a ver? A gente olha p’ra eles e lê-os detalhadamente. E a primeira reacção é a do sketch do RAP: “Èpá e tal, sim senhor…”

Mas os portugueses têm a memória curta e mudam de opinião enquanto eu troco de camisa. Basta ver pelos barómetros da Marktest/TSF/DN quanto às sondagens atribuídas hoje: o PSD vencia as eleições se a malta votasse amanhã.

Até me apetece dizer: este país é tão mesquinho e pequenino que até no tamanho do primeiro-ministro tem que se rever.

Olha!... vou jantar, ler um pouco de Manuel da Fonseca e ver o Belenenses na SporTV.

28.9.05



"Azar dum cabrão..."

era, digamos, uma forma que alguns alentejanos encontravam para afugentar a sorte adversa. Talvez até renegar a sina madrasta e clamar por qualquer santinho em que pudessem acreditar para que viesse em sua ajuda.

Eu nunca fui muito dessas coisas, mas há uns tempos p'ra cá que tenho tido um azar dum cabrão. E como não tenho santinho a quem me ajoelhar coloquei uma ferradura como amuleto para ver se "isto" passa.

Costuma dizer-se que não se acredita em bruxas (e em outras forças ocultas)... mas que "lás ai, lás ai!"

26.9.05

à 2.ª feira...





é o que por vezes apetece dizer ao primeiro-ministro, ao presidente da junta ou até à própria vizinha do 3.º andar.

Mas no espaço que os blogs ocupam, isto funciona mais como brincadeira. Senão vejamos:
Estamos rodeados de gente que sabe umas merdas. Escrevem para os jornais, alguns com lugares públicos, editam livros e fazem amor à descarada como eu. Há até quem fume um charro durante a edição dum post, esvazie uma garrafa de Bourbon enquanto o diabo esfrega um olho e continue a lutar por um mundo melhor. Tanto em IE como em Firefox.

No entanto, fica-me a dúvida de que muito poucos andam na rua. Não sofrem as verdadeiras realidades dos serviços públicos, da vida que os portugueses levam, nem estão sujeitos à perigosidade de ter que se deslocar a Chelas ou andar no meio da noite pelo Alto da Ajuda quando se pretende apenas ajudar a colmatar dificuldades. Não fosse a figura, o à-vontade e a prosápia do meu ar de cigano, há muito que tinha ido desta p’ra melhor na Cova da Moura ou na Musgueira. Quiçá até no Fim do Mundo. (algumas das nossas favelas)

Não sendo Prémio Nobel da Paz, sempre defendi que um blog pode ser o que se quiser: um baptizado, um palanque ou casamento. Um filme, uma esplanada onde se vê gajas boas a passar ou apenas uma forma de se estar com os outros.
Mas já que ninguém dá o número de telemóvel para conversar sobre a iniciativa duma luta armada, assaltar bancos, rebentar como umas coisas que eu cá sei ou emprestar dinheiro para ir beber uns canecos, acho que vou ter que arranjar outra forma de combater a continuação desta paródia nacional que - mais uma vez ( uma vergonha pegada) - se avizinha.

É que os 25 de Abris não se fazem a pedido nem têm hora marcada. Muito menos quando se está a ver a barriguinha a crescer. Há qualquer coisa incompleta...
Daí, estar a pensar na fórmula CH2(NO3)CH(NO3)CH2NO3) .

Por isso, “Isto só vai à porrada!” – dizia o Carlos Antunes, faz tempo.
Ao som do "eles comem tudo e não deixam nada". Enquanto isso acabou-se-me o Monte Velho.
A ver se abro uma Nobre Colheita 94 na próxima vez que aqui vier.