
Cartas de amor, quem as não tem?
Ao contrário da paixão, um amor com muitos anos ganha raízes. Cresce desmesurado e forte. E declaradamente, o dia vinte e três tem lugar cativo neste blog para o conseguir reinventar.
Dizem as influências que tudo tem um significado que, mesmo a figurá-lo nas minhas regras de todos os meses, tem uma condicionante que atrapalha: a maneira de o fazer.
Por isso, hoje, meu amor , não te escrevo em versos de rimas mal escolhidas.
Relembro apenas que nestes passar de anos muitos, continuas a amante e a amiga, a esposa e o suporte entrelaçado deste amor pintado em cores de azul e lima.
Passámos por risos e choros. Trocámos abraços e beijos, mantivemos o hábito de lermos juntos as pieguices do recordar de mais um dia vinte e três, e o nosso cantinho encheu-se de gente boa. Os nossos olhos encontraram-se várias vezes para dar respostas às agruras da própria vida num desejar de cúmplices carinhos. Rabiscámos papelinhos, na surpresa de encontrar colada uma simples palavra de amor, ou de um afago expresso num postal que ilustra as nossas vidas.
E no fundo, talvez nunca tenha sabido dizer-te nas parcelas do meu tempo as coisas lindas que mereces. Reconhecer que me deste uma vida com sentido. Que te devo também a minha parte em troca da tua que nunca me negaste.
Mas conheces-me bem e sabes o meu modo de te estar agradecido.



















Nesta altura do campeonato, falar de futebol é tão ou mais importante como debater os mega projectos governamentais, a crise económica que o país atravessa ou as (des)conjunturas sociais.


À passagem dos trinta e dois anos de Abril, lembrar a criança do cartaz faz-me doer.

Sempre fui apegado a Cristo. Um homem afável, simpático, voluntarioso e um excelente lateral-esquerdo que usava a camisola número cinco no clube da sua terra natal.






Quando por motivos incontroláveis se alteram hábitos e horários, levam-nos a repetir a frase esbatida de que se está a mudar de vida. Uma ciganice pura, ou um acto nómada se lhe quiser chamar assim.



Tal como o homem da rádio, também eu acordo antes do trinar dum relógio já velhinho que me alerta para o começo de mais um dia de passos vazios.
Morreram as duas em silêncio. Sem avisar. Provavelmente, sabendo que nunca queriam dar trabalho aos outros. Aqueles outros em que estes próximos dias não vão ser fáceis de esquecer.



