Com a aprovação do OE2013 Portugal juntou-se ao Halloween.
Só que por mais tempo do que a festa dura.
"Interessam-me os actos humanos. Nunca para rir-me deles, mas sim para os compreender." B.Spinoza
31.10.12
23.8.12
Dia 23
Dia após dia de recordações dolorosas em que o dia 23 prevalece e sempre estimo, este de Agosto, é dedicado a uma amiga que perdi por tempo inteiro. Ou talvez não.
Descansa em paz!
28.7.12
9.7.12
"Ele não sabe nem sonha que lhe fiz a malandrice de recordar que ele é um dos bloggers mais antigos!
Mas como é o meu avô, tudo me será perdoado".
A melhor definição dele que me ocorreu está aqui
Mas como é o meu avô, tudo me será perdoado".
A melhor definição dele que me ocorreu está aqui
A responsabildade desta postagem é minha, A que está ao colo dele. Thita de nome para os @migos.
3.7.12
Crónica dos dias pardos
Entre sal e sombra, viagens várias, reconheci o meu mundo espesso. Agreste. Aqui e ali, salpicado de palavras doces. Ruas escuras onde os anos foram passando, receoso que pudessem alterar as paragens de autocarro que nas idas e vindas se descobrem.
Olhei-me menino e pobre. Quase pé-descalço à conquista dum mundo novo. O tal futuro promissor que o nosso ritmo percorre depressa. Como a calçada portuguesa, ou os sonhos que demoram um sono solto.
E descobri uma nova vaga.
Aquela que me vai levar mais longe daquilo que tinha programado: a cadência dos meus próprios passos.
Um a um. Sem vacilar nas pontes que atravesso.
Nem nos amigos. Que são um bem comum.
22.6.12
“Tudo bons rapazes”
Como Martin Scorsese descreveu no drama que realizou - adaptado do livro de Nicholas Pileggi - os seus rapazes também eram os melhores. Queriam estar mais alto na vida mesmo que do sangue e morte viesse tal acréscimo.
Mas estes que a imagem retrata, são os nossos! Que as habilidades com uma bola fizeram com que a ascensão se tornasse rápida. Obrigatória quase, sem que precisassem de matar ninguém ou fazer correr o líquido da vida.
Mesmo que haja expressões ruborizadas e antropófagas que “Até os comemos!”. Ou mais verdejantes e salutares de comer a relva que pisam e cospem. Dá-me a ligeira sensação que isto é tudo uma questão de apetite. Ou fome.
E se o Portugal do futebol está nas meias-finais duma Europa em sobressalto constante, diria que no outro Portugal, mais real e menos visto, que muito bem conheço, está em tratamento de choque e a balões de oxigénio.
São os novos bons rapazes em maus lençóis, onde pacotinhos de açúcar surripiados nos cafés faz já diferença. Como os limões dos quintais vizinhos ou as laranjas ou peras ou uvas à beira da estrada.
Uns são nossos. Outros também não.
5.4.12
5 d'Abril
Por muitas efemérides que possamos celebrar – e fui um tarado coleccionador das ditas nos anos 70 – o casamento - ficará sempre gravado como um triunfo, um troféu, um chegar a não sei aonde, que nos coloca num patamar de desilusão ou sucesso na procura de uma independência que pode ser fatal nas nossas vidas ou até não.
Talvez por isso, hoje em dia ninguém se case aos vinte. Quanto muito, têm assim uns arremessos, umas ligeiras interrogações, mas não se aposta. É financeiramente perigoso e arriscado. A não ser que qualquer dos pais garanta estabilidade eterna ou um dos padrinhos seja bué da rico onde as propriedades abundem e outros recursos salvaguardem qualquer contratempo. Não tive nenhuma dessas contrapartidas, mas o Abril anterior deu-me esperança.
E assumi o dia. Nervoso. De cabelo aparado a meio das costas e fato na modernidade à-boca-de-sino como se fosse partilhar na reconstrução dum país novo. Não me assustei e mandei-me de cabeça a dizer SIM.,
E orgulhosamente só, no meu propósito casamenteiro, tenho vaidade nos filhos que a companheira que escolhi para as nossas loucuras me deu durante todos estes anos que passaram. Nela ainda muito mais.
Nestes trinta e sete anos que celebro agora, e que recordo com muita nostalgia, posso afirmar a esta distância temporal que não casei por amor. Casei completamente apaixonado.
19.3.12
O meu pai era um gajo porreiro
Era um alentejano que se viu grego para fazer face à vida difícil que se vivia para os lados de Odemira, e se fez à estrada, rumo à capital, na procura de uma vida melhor e digna quando tinha 17 anos, que nem sequer no Seixal parou onde a maior parte que partiu com ele se fixou.
Teve azar no ano em que nasceu; crescia o descontentamento em Lisboa de políticas muito parecidas como as de agora. Preparava-se já o 28 de Maio, e as convulsões ferviam nas ruas chiques de Lisboa. No Alentejo grassava a fome e o desemprego. Não havia contraceptivos, nem empresas de trabalho temporário, e muito menos a atenção dos senhores das terras para um povo esquecido e sofredor. Eram as famílias numerosas sem ajuda de qualquer espécie.
Pão e azeitonas seria o verbo.
A cafeteira do “caféi” ao lume… era a esperança de dias melhores.
E porque é que o meu pai era um gajo porreiro?
Porque partiu com a trouxa – pequena e parca – ao encontro do desconhecido e das modas. Das senhoras finas que nunca sonhara ver, e que se vestiam de proveito com modelos copiados de Paris ou de Viena. Era apenas mais um que se fazia à vida. De cara lavada e limpa. Sem medo. Como fez Gil Eanes na dobragem do Cabo das Tormentas.
“Pior não pode ser!” - imagino agora o que lhe poderia ir no pensamento. E lançou-se ao desafio. Tropeçou com Salazar e com muitas Primaveras. Caiu e levantou-se. Apanhou a II Guerra mundial, a racionalização, a crise da Europa destruída e sobreviveu. Sempre honesto e pobre a colocar nos pés dos lisboetas um andar melhor e confortável em vãos de escada. Fazia biscates no descanso semanal para me poder dar o que o pai dele – o meu avô – nunca conseguiu, infelizmente.
Ele será sempre um dos heróis nas minhas recordações até quando a memória assim mo permitir. Não por ser, apenas e só, um gajo porreiro que foi em tempos idos um puto a que não deram a mais pequena chance, mas porque era o MEU pai!
24.2.12
Um dia destes
será um dia do meu último brasão
da minha voz embargada de emoção
de palavras emocionadas com paixão
um dia destes…
vou chorar de comoção
responder a coisas sem noção
e permitir-me dizer não.
um dia destes…
perseguido pela ocasião
deixo de dançar embriagado
deixo de pensar estonteado
se perceber uma nova solução
e assim acabo
num dia destes…
de andar constantemente angustiado
por uma nova madrugada
que nos faça dizer nada e tudo
no imenso mar de medos alagado
para melhor futuro
da minha voz embargada de emoção
de palavras emocionadas com paixão
um dia destes…
vou chorar de comoção
responder a coisas sem noção
e permitir-me dizer não.
um dia destes…
perseguido pela ocasião
deixo de dançar embriagado
deixo de pensar estonteado
se perceber uma nova solução
e assim acabo
num dia destes…
de andar constantemente angustiado
por uma nova madrugada
que nos faça dizer nada e tudo
no imenso mar de medos alagado
para melhor futuro
7.2.12
Bicentenário
Acordei tão estremunhado que senti quando pus o pé no chão que hoje era um dia especial. Não me enganei e a Google recordou-me desse facto.
Se devo a muitos aquilo que sou agora, Charles Dickens figura na minha elite, pequena e curta, dos que me ensinaram a viver e a sentir.
Foi com ele que percebi melhor os meninos pobres da minha rua.
Foi por ele que entendi a ganância dos mais fortes.
Muito antes de começar a ler na escola e os títulos grossos nos escaparates dos jornais - a "A Bola", o "Diário Popular" e a "República" são mais exemplos - o meu grande amigo imaginário era Oliver Twist. Camarada e franco. Franzino como eu e atrevido. Nada nos fazia frente. Nada temíamos e víamos o mundo como mais um obstáculo que teríamos que ultrapassar.
O engraçado da coisa é que não tenho sequer um livro dele na minha estante. Deio-os todos a quem tentei ajudar na formação de quem mais amo: os filhos. Mas não dei nunca a grata memória que tenho dele. Na leitura simples de muitos anos que o meu próprio coração faz questão de seguir sempre. Nas desigualdades dos oprimidos.
13.1.12
O Adamastor
"Tão temerosa vinha e carregada,
Que pôs nos corações um grande medo;
Bramindo o negro mar, de longe brada
Como se desse em vão nalgum rochedo.
— "Ó Potestade, disse, sublimada!
Que ameaço divino, ou que segredo
Este clima e este mar nos apresenta,
Que mor cousa parece que tormenta?"
Ainda não encontrei nos areais destas praias mal frequentadas a bússola que me possa orientar onde é sul e este. E de caminhos já longos e percorridos, penso que nunca perdi o norte. Mesmo que Sereias sedutoras, transformadas em Delfins destes barrancos e vales à beira-mar plantados, me possam tentar contradizer.
É uma questão de fé e arrojo.
E mesmo que a fé nos tenha já abandonado, resiste a audácia que nos legaram Afonsos e Viriatos. Padeiras e vassalos. Descobridores e conjurados. Capitães e poetas. Operários e campesinos a quem a terra e o sustento tiraram em tempos idos.
Sou filho da terra onde nasci. E é por ela que agora vejo quem tomou montes e serras. Cada sulco cavado à rebeldia. Cada tomate apanhado. Quanta fruta apodrecida.
“Basta!”, disse um poeta da minha rua. “Os sonhos não envelhecem.”
Que fazer?, procurou indagar Lenine um dia. Mas os ideais e sonhos que acalentavam a esperança de mudar de sítio os donos dos cavalos acabou. Que faremos nós?, pergunto eu que nos meus próprios de menino queria mudar o mundo…
Não sei. E mesmo que soubesse, faltar-me-ia ainda qualquer coisa. Apenas sei que me estou a debater com uma grave crise para a qual nunca contribuí e não sei a volta a dar.
Mas há-de haver uma forma de protesto. Nem que seja à espadeirada.
31.12.11
12.10.11
23.6.11
23
Em muitos anos desta vida que me vai acontecendo, o dia vinte e tês está como um marco no percurso das minhas próprias recordações. Mesmo que não queira, não consigo esquecê-lo. E dói ao recordá-lo.
É assim o andamento da existência que não escolhemos e que nos aparece por acaso ou sorte.
Ela hoje fazia anos.
17.5.11
De que é que tens saudade?...
… é uma pergunta que se arrasta pelos meus lençóis adentro, faz algum tempo. Está escrita na parede onde os meus olhos adormecem. Temo é o saber dum chegar ao fim, sem ter balanço e acta escrita, nestes cinquenta e sete degraus que já subi. E entre altos e baixos, a pergunta renitente que me assola, resiste ao que não queria responder: “De que saudades tens?”.
Primeiro que tudo, tenho a saudade de ser menino. Da minha Mãe e do meu Pai. Da minha primeira bola. Dos amigos da minha primeira infância. Da minha escola. Tenho saudade de coisas que nem sequer me lembro, mas sei que as vivi.
Ter a saudade por perto, é um enorme desafio. É uma memória, menina e traiçoeira, que reaviva os nossos passos. O percurso pelo qual todos nós passámos e que, por vezes, temos a ingrata sugestão de não os recordar por qualquer motivo.
Não me importo de divulgar quanto gosto do mar e de mulheres bonitas. Do meu país e do meu povo. Tenho saudade do meu rio e da minha cidade onde me banhava e me apetecia. Dos meus jardins preferidos que dá à cidade de Lisboa outro encanto. Tenho saudade de vender jornais e revistas do meu tempo, que agora neles e nelas sub-escrevo. Fico com a saudade da vida, onde há um fado da Maria da Fé, que diz ter valido a pena a ter vivido.
Outras saudades me restam, já mais adultas e em primeira fila: os meus filhos e a Mãe deles. Quem sabe, um dia, podem lembrarem-se de mim.
Primeiro que tudo, tenho a saudade de ser menino. Da minha Mãe e do meu Pai. Da minha primeira bola. Dos amigos da minha primeira infância. Da minha escola. Tenho saudade de coisas que nem sequer me lembro, mas sei que as vivi.
Ter a saudade por perto, é um enorme desafio. É uma memória, menina e traiçoeira, que reaviva os nossos passos. O percurso pelo qual todos nós passámos e que, por vezes, temos a ingrata sugestão de não os recordar por qualquer motivo.
Não me importo de divulgar quanto gosto do mar e de mulheres bonitas. Do meu país e do meu povo. Tenho saudade do meu rio e da minha cidade onde me banhava e me apetecia. Dos meus jardins preferidos que dá à cidade de Lisboa outro encanto. Tenho saudade de vender jornais e revistas do meu tempo, que agora neles e nelas sub-escrevo. Fico com a saudade da vida, onde há um fado da Maria da Fé, que diz ter valido a pena a ter vivido.
Outras saudades me restam, já mais adultas e em primeira fila: os meus filhos e a Mãe deles. Quem sabe, um dia, podem lembrarem-se de mim.
3.5.11
Dia da Mãe
Mesmo que atrasado em relação a um calendário que regista a nossa passagem pela vida, o Dia da Mãe não tem hora marcada. Não tem hora certa nem dia castigado, mas sim lugar cativo. E é isso que faz com que todas as Mães sejam especiais. A minha, a tua, a dela e a dele.
Eu, que nunca fui Mãe, tenho um especial carinho por todas elas. Porquê? Porque à primeira vista, dá-nos a sociedade activa de que tanta gente fala, visualizá-la como um ser frágil. Um segundo plano num painel dum filme em três dimensões que imaginamos. Uma paisagem onde nos sentimos retratados, como filhos dela – a Mãe.
Mas a Mãe de qualquer pessoa que esteja a ler o que publiquei, sente que não é bem assim.
Mãe é amor. Carinho. Protecção. Forte nos dias de chuva. Emotiva nos dias de verão. É um aconchego na chegada e um sufocante adeus na partida.
Fiquei sem a minha, faz tempo que a memória não apaga. Cuidai das vossas e dai-lhos o carinho que elas merecem. Antes que seja tarde. E se arrependam depois, num minutinho só, que lhe não possam dispensar enquanto vivas.
(eis ela, alegre e sorridente como sempre foi, com a minha filha, que tornou a nossa vida mais risonha. Tal e qual como qualquer Mãe nos faz sentir.
Eu, que nunca fui Mãe, tenho um especial carinho por todas elas. Porquê? Porque à primeira vista, dá-nos a sociedade activa de que tanta gente fala, visualizá-la como um ser frágil. Um segundo plano num painel dum filme em três dimensões que imaginamos. Uma paisagem onde nos sentimos retratados, como filhos dela – a Mãe.
Mas a Mãe de qualquer pessoa que esteja a ler o que publiquei, sente que não é bem assim.
Mãe é amor. Carinho. Protecção. Forte nos dias de chuva. Emotiva nos dias de verão. É um aconchego na chegada e um sufocante adeus na partida.
Fiquei sem a minha, faz tempo que a memória não apaga. Cuidai das vossas e dai-lhos o carinho que elas merecem. Antes que seja tarde. E se arrependam depois, num minutinho só, que lhe não possam dispensar enquanto vivas.
(eis ela, alegre e sorridente como sempre foi, com a minha filha, que tornou a nossa vida mais risonha. Tal e qual como qualquer Mãe nos faz sentir.
25.4.11
18.4.11
Abril, 18
Hoje é dia de brindar a todas as pessoas amigas que acompanho, e com quem muito tenho aprendido há vários anos nesta brincadeira dos blogues.
Tomara tê-las na minha modesta mesa. Para enlaçá-las. Para lhes poder dizer, olhos nos olhos, o quanto as admiro e estimo.
E no conselho médico de que não me posso emocionar às segundas-feiras, e muito menos quando se celebram cinquenta e sete Primaveras, deixo um abraço a todos quantos passaram por aqui ao longo destes tempos.
O meu Obrigado.
Tomara tê-las na minha modesta mesa. Para enlaçá-las. Para lhes poder dizer, olhos nos olhos, o quanto as admiro e estimo.
E no conselho médico de que não me posso emocionar às segundas-feiras, e muito menos quando se celebram cinquenta e sete Primaveras, deixo um abraço a todos quantos passaram por aqui ao longo destes tempos.
O meu Obrigado.
13.3.11
a luta continua quando o povo sai à rua
Amanheceu já tarde aquele dia. E por volta das onze eu já lá estava. Exausto. Faminto por um grito a libertar.
Disse Pedro Barroso a meu lado que “ eles não sabem nem sonham o cansaço que provocam”. E é verdade.
“Estamos fartos” era o que mais se ouvia naquela imensidão de gente precária. E outra ainda mais roubada dias antes de toda a malta que continua à rasca por uma directriz vinda da Alemanha. Coisas lixadas da globalização.
Não chovia - o que era um bom prenúncio. Depois… depois começaram as romarias aos magotes. Gente simples. Nova demais para a minha idade. Disposta a marcar presença. E deu-me um calafrio. Revirei os olhos em direcção ao Carmo. Era nos meus vinte anos em 74 que ali estava, de alma e coração, pelas sete da manhã. À espera dos carros de combate do Salgueiro Maia. À espera dum sonho que todos os putos querem alcançar, sem medir consequências.
Foi o que se viu e adeus tristeza, até depois, cantava o nosso amigo e camarada Tordo por essa altura.
Hoje continuamos a sentir o quão difícil é subir a calçada de todas as Luísas que Gedeão retratou. Que Zeca Afonso cantou. Que Régio, Namora e Alexandre O’Neill apregoaram.
Será que o sinal que vi é o reviver de mais uma mudança de regime que estará para acontecer? Se assim fôr, no me olvidaré, porque será a solução que está mais ao pé. Desgraçadamente acontecida pela imcompetência destes reinantes de tigela já partida.
Ninguém deu por mim, felizmente, nos momentos que marcaram as mudanças deste país desde 1972. Mas estive sempre lá. E estarei enquanto a sorte e a má sina não me trair.
Disse Pedro Barroso a meu lado que “ eles não sabem nem sonham o cansaço que provocam”. E é verdade.
“Estamos fartos” era o que mais se ouvia naquela imensidão de gente precária. E outra ainda mais roubada dias antes de toda a malta que continua à rasca por uma directriz vinda da Alemanha. Coisas lixadas da globalização.
Não chovia - o que era um bom prenúncio. Depois… depois começaram as romarias aos magotes. Gente simples. Nova demais para a minha idade. Disposta a marcar presença. E deu-me um calafrio. Revirei os olhos em direcção ao Carmo. Era nos meus vinte anos em 74 que ali estava, de alma e coração, pelas sete da manhã. À espera dos carros de combate do Salgueiro Maia. À espera dum sonho que todos os putos querem alcançar, sem medir consequências.
Foi o que se viu e adeus tristeza, até depois, cantava o nosso amigo e camarada Tordo por essa altura.
Hoje continuamos a sentir o quão difícil é subir a calçada de todas as Luísas que Gedeão retratou. Que Zeca Afonso cantou. Que Régio, Namora e Alexandre O’Neill apregoaram.
Será que o sinal que vi é o reviver de mais uma mudança de regime que estará para acontecer? Se assim fôr, no me olvidaré, porque será a solução que está mais ao pé. Desgraçadamente acontecida pela imcompetência destes reinantes de tigela já partida.
Ninguém deu por mim, felizmente, nos momentos que marcaram as mudanças deste país desde 1972. Mas estive sempre lá. E estarei enquanto a sorte e a má sina não me trair.
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