31.8.05



"E alegre se fez triste..."

“Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal”

30.8.05



As pombinhas da Katrina

Habitualmente considero-me um optimista, valendo-me para isso daquele dito que uso em ocasiões menos propícias para a boa disposição: “há coisas piores!”

Também não fujo à regra do tradicional “só acontece aos outros” tão português. Provavelmente, por convencimento. Ou, na melhor das hipóteses, por ter uma sorte do caraças.
Mas uma coisa destas deixa-me perplexo perante as nossas próprias “catástrofes”. Portugal e os portugueses deviam dar-se por sortudos quando apenas lidam com as coisas que toda aquela malta de New Orleans tomara ter como problemas principais. E já não falo da fome em África, nem de Chernobyl ou Tchetchénia ou do Sudão. Nem tão pouco de casos como o de Beslan, o conflito israelo-árabe ou, até, a supressão das liberdades na Coreia e todas as outras guerras que nos tiram os filhos e os netos e destroem por completo famílias inteiras.

Temos apenas os fogos para apagar, hospitais por construir e os miúdos para educar, alimentar e vestir. Lidamos com dirigentes mal-formados, temos a corrupção institucionalizada e sabemos de antemão que não se arranjam soluções para os sem-abrigo, para os toxicodependentes e para os velhotes que tentam sobreviver com trinta e tal contos de reforma. Comparando este cenário com as tragédias alheias, até a crise de avançados no Benfica tem que ser piada.

Cá p’ra mim, os portugueses queixam-se demasiado. Não, porque não tenham razões para isso. Mas apenas porque as desgraças que acontecem aos outros parecem-me bem piores. Digo eu.

28.8.05

Um domingo como outro qualquer… é isso! Onde a realidade virtual se pode confundir com a outra; a de carne e osso, onde realmente se pernoita e nos estendemos. Por onde se pode caminhar sem luz e, por vezes, com a candeia às avessas. Uma questão do nosso próprio caminho e escolha.

Mas como diz a Pimentinha: "para ser Poeta não chega juntar palavras bonitas".

A mim, basta tentar encontrá-las.
E quando juntas, se proporcionarem um clima bom, ficarei com mais um dia ganho.

Mesmo que se tenha que passar por várias mutações.


Ah!... não esqueçam. A minha amiga Maria faz anos hoje.

Um bom domingo a todos!

24.8.05



O 23 a vinte-e-quatro

Este tinha que ser diferente, pikena.
O regresso às loucuras. Às coisas que adiámos. Ao recuperar de outros sons, imagens, odores.

Porque fazia tempo que não pisávamos a relva onde “Proibido” está patente.
Fazia tempo que não trocávamos beijos na via pública, que não dançávamos até ao romper da aurora e não víamos o sol nascer assim tão perto.
Fazia tempo que a nossa indumentária não passava do classicismo trivial e nos comportávamos mal e até às tantas.
Fazia tempo que não mergulhávamos nus no mar da Caparica, e misturávamos o nosso suor naquela areia que ainda se lembrava de nós.
Fazia tempo que não abríamos uma garrafa de Champagne em cima das nossas rochas preferidas com dois copos de pé alto a escorrer pelas gargantas.
Fazia tempo que não cumpríamos as promessas de amor e jurar que voltaríamos.

Fazia tempo. Já não faz!

17.8.05



Sonhos de Verão

Provavelmente muita gente desconhece o que faço. Profissionalmente falando, claro.
Mas eu digo, não há crise. Para além de outras actividades que me permitem auferir aquilo que dá para comprar melões, um dos meus trabalhos é redactorial. Um sonho que tive desde miúdo.

Como este ano o “boss” engatou-me as férias todas, não tenho outro remédio senão ficar sozinho na redacção sem os colegas ilustres.
É vê-los, ou melhor, é ouvi-los pelos demasiados objectos das novas tecnologias que tenho à minha disposição, mensagens de satisfação (a deles) e os pedidos mais aberrantes que se podem fazer a um gajo que está na minha situação. E cada um deles, em pólos terrestres diferenciados, um melhor que o anterior.
- Tô, Eduardo? Não te esqueças de… blá-blá-blá…
- Edy, podes ligar daí à minha mãe a dizer….
- Oi, bigodão, tudo bom? Vaidá p’ra vc fazer um favô …?


Claro que sei que as minhas responsabilidades são receber os jornais de serviço, atender os telefonemas de gentinha maldisposta e tratar de um aquário que tem mais peixes do que tickets eu recebo para almoçar. Mas tudo na boa. Um bom profissional não olha a sacrifícios quando o bom funcionamento da equipa se requer primordial.

Aliás, é com este espírito de solidariedade laboral que arranjei amigos do peito, posso dizê-lo.
Já tenho em arquivo as queixas do Marcelo Rebelo de Sousa, os faxes do Miguel Sousa Tavares e as amigáveis explicações do Ministério das Finanças sobre o retardar no recebimento do IRS da minha pikena. Isto sem falar dos inúmeros pedidos de esclarecimento sobre o paradeiro do Eng.º Sócrates, ou se é aqui que funciona a DGRF (Direcção-Geral dos Recursos Florestais).

Eu não tenho culpa de todo este reboliço, bolas! Férias são férias, ou não?
A minha posição social, o meu ordenado e o contrato a prazo que ainda não rasguei, apenas dá para cultivar uma amizade com os “seguranças”, ser gentil com as senhoras da limpeza e levar a comida ao Farrusco e ao Tareco.
Por isso, vou entregar a chave desta merda à vizinha da frente e deixar uma folha A4 a cores a dizer:



Até que o me alerta para a realidade. Com uma mensagem do "chefe" incorporada e tudo: "Então, estavas a dormir ou quê...?"

16.8.05



Pois! Dos chamados blogs regionalistas, nada.
Quase ninguém fala da terra deles. E temos um país de Festas tão giras...

(vou recolher para outros lados)

Folclore português

* Com tantas Festas e Feiras em Vila Nova da Barquinha, Fundão, Torres Novas, Gouveia, Ourém, Tomar, Loulé, Arruda dos Vinhos, Viana do Castelo, Sines ou Odemira e outras aldeias de Portugal, vou começar por aqui. Depois vou dar um salto a Valpaços e outro a Fafe.

15.8.05



Vou ficar à espera!

À espera que o feriado da Nossa Senhora d'Anunciação acabe para me dedicar esta semana à recolha dos eventos festivos e suas histórias nos blogs das terras de Portugal. Como o de Colares, por exemplo.
Caso saiba de alguns...

14.8.05



Já não tenho pedalada para Festas até às tantas!

Vou à procura do frasquinho dos sais de frutos. A coisa não está famosa, hehe...

De qualquer maneira, um bom domingo.

13.8.05

Para o fim, reservei o gesto de te ofertar flores. Virtuais. Sorrisos e gestos que podes ver. Palavras próprias, de circunstância e brinde, como se estivesse ao pé de ti.



E uma canção...


ps - quem é que faz anos a seguir?

12.8.05



Para a feliz continuação da Festa da Cinda (vão dar um beijinho à rapariga, catano) contratei algumas figuras do mundo do espectáculo. Esta então, adora Portugal e pataniscas com arroz de feijão. Foi o nosso almoço. Ela aí está:




Apresentação da prenda de António Castilho Dias... já a seguir


Eis então, uma das prendas giras que esta miúda merece. Também digo o mesmo, António Dias. Tal e qual como toda esta rapaziada.

Mas há mais.
Esta, por exemplo. Ou esta..

Outro convidado especial. Senhoras e senhores: música clássica. (de que tanto gosta a nossa convidada de hoje). Monsieur Michel!



Este gajo continua a passear-se por aqui mas não me importo. Continuemos.
Estava a pensar aconselhar
um filme à nossa aniversariante. Depois de jantar, claro.
Ou
uma peça de Teatro. Ou Concertos, sei lá. Ou simplesmente, sair. Nem que fosse comigo.
Mas não. A moça lá deve ter os seus planos, e o mais que posso fazer é proporcionar-lhe neste meu humilde espaço um carinho com que sempre acaricio as pessoas amigas.


De qualquer forma, vou preparar um "Bacalhau à Brás", um Camarão gratinado e uma salada. Turca. Só cá por coisas.



Afinal, parece que... já não vou a lado nenhum.

Tenho a certeza que vai haver uma Festa por aí. E de quem se trata, não quero faltar. Não é um caso de se ser convidado ou não. Isso nos blogs não existe.
Simplesmente quero cá estar. É só isso.


É que esta Teenager 2005 faz anos hoje e já não sei a que horas é que me vou deitar.

Primeiramente que tudo, vou tentar dançar com ela. Virtualmente, claro.
Nos blogs não se deve pensar em escolher o que ela possa gostar. Vai de fé e pé p'rá frente. Depois logo se vê.
Pensei nesta. Vamos lá ver se a caxopa se aguenta às moedinhas p'ra prenda dela.


Vou só buscar os copos e já cá venho.
Apenas p'ra dançar mais uma a quem dei uma nota de 500 a um tipo só p'ra cantar para nós. Antes de lhe desejar tudo de bom, dar um conselho, e dizer que foí muito agradável dançar com ela:


gif copiado do blog do Dinho



Parabéns, miúda!

11.8.05

Sem pés nem cabeça

Vindo do mar sabe-se sempre muita coisa. Por exemplo: muita gente não gosta de blogs. Acham-nos egostrips. Eu nem por isso. Só que alguns têm curvas tão generosas e paladares tão sofisticados que apetece ficar com eles. É apenas uma questão de escolha.

Já o areal é um misto de Grandes Ilusões (Fellini-1990) e oscilações nos Clubes dos Corações Solitários. Pode encontrar-se de tudo. Desde workaholic’s a pequenos destaques dos Ramones. Mas no mês de Agosto perde-se em actualizações o que sobra em arquivos memoralistas.

Por agora, vou voltar p’ra lá. Nunca se saberá como acaba. Mas se a saga continuar, qualquer dia estou nos dez blogs mais antigos do país. O que a suceder, não tinha pés nem cabeça.

7.8.05



Os blogs nunca podem ser instituições. São estados d'alma que se transmitem e declaram. Como todas as tragédias e amargos de boca no dia-a-dia de qualquer pessoa normal.
Mas não posso esquecer que é verão.

Por isso, vou ver o mar e na areia me esfregar. São coisas a que não posso fugir e que fazem bem a todo o resto dos outros dias. É sempre um bom começo para uma...

Boa semana!

5.8.05



Estado de alerta

Tudo arde à minha volta!
O chão que piso
a minha aldeia
o mar que abraço
uma gaivota
o meu cansaço
rio onde passo
a minha ideia.

Parai, Hefesto!
Antes arda a minha cruz
o choro e riso
e os segredos deste sal.
Fazei vir o eco que traduz
milhões de Abris
nas gentes de Portugal
de que precisa este país.

3.8.05




Discovery

Hoje acordei com uma dúvida terrível: se por qualquer motivo o Steve Robinson e o Soichi Noguchi não conseguissem arranjar aquela maquineta e, por consequência, colocassem em risco a vida da tripulação na entrada da órbitra terrestre, que solução se arranjaria para evitar outra tragédia espacial como a do Columbia em 2003?
Quanto tempo demoraria até que os fossem buscar?

Não vejo filmes de ficção tão depressa, palavra de honra.

2.8.05

31.7.05



E agora para recuperar...?

(o melhor mesmo, é ir ver se alguém está pior do que eu. Vou dar uma volta pelos blogs. Se por acaso não me encontrar por aqui, deixe recado, s.f.f.)

Entretanto, fica registado publicamente neste cantinho um agradecimento muito especial da minha filhota a todos quantos lhe dispensaram um carinhito. Mesmo sem a conhecerem.
Mas isto nos blogs é mesmo assim e a gajinha, como está de férias conjugais, só do hotel é que se apercebeu que tem mais gente amiga a quem um dia vai ter que dar um beijinho.
Pessoalmente.
(recado pessoal via telemóvel algures na República Dominicana)

Deixa lá vir mais um neto e um aumento de ordenado que a gente depois conversa.

25.7.05

Segunda-feira prolongada

Há dias em que um gajo acorda com o calendário na cabeça e com toda a programação da sua agenda completamente organizada. Não foi o meu caso.
Pareço um puto da escola no seu primeiro dia de aulas.
Motivo? Um casamento!

Para além da fatiota, do pedido de dispensa no trabalho e do medo de que a gravata me estrangule, os sapatos novos dão-me sempre cabo do sistema nervoso lateral. Aquele que põe em qualquer um, um andar novo.
Pois é! Esta semana vou parecer-me com uma barata tonta e parva, cheio de tiques e taques e toques. A olhar o sacana do relógio de soslaio, apelando a todos os deuses que o tempo que falta passe depressa e rezando a uns santinhos que há por lá que não comecem a chorar ao pé de mim.

Por isso, se por qualquer motivo ou acaso, alguém passar na Igreja da Pena (Calçada de Santana), onde passeou Camões e rezou Amália, e ver um tipo todo aperaltado, teso de carteira e assustado, de braço dado com a noiva mais bonita do próximo sábado, rodeado pelos seis irmãos que ela tem, sou eu.
Vou casar a minha filha! A Gina.

23.7.05

Declaradamente o dia vinte e três entrou nos costumes do meu blog.
Dizem as influências que tudo tem um significado que, mesmo a figurá-lo nas minhas regras de todos os meses, tem uma condicionante que me atrapalha: a maneira de o fazer.

Por isso, meu amor, hoje não te escrevo em versos de rimas mal escolhidas. Recordo apenas o que os meus olhos te disseram ao acordares e os carinhos cúmplices que trocamos todas as manhãs.

No fundo, talvez nunca tenha sabido dizer-te as coisas lindas que mereces e, nas parcelas do meu tempo, reconhecer que me deste uma vida com sentido. Mas conheces-me, e sabes o meu modo de te estar agradecido.

18.7.05

Revolta ou rebeldia?

Quando eu era rapazote, tinha uma ideia formada sobre o “conflito de gerações”. Como ninguém da gente tinha bote levávamos as miúdas a pé para falar sobre isso, e era assim que nós, os putos daquela altura, chamávamos à incompreensão existente entre pais e filhos, e o medo que eles tinham dos nossos novos comportamentos sociais que iam aparecendo naquele tempo.

Quando se fala em tempo, não há a pretensão de afirmar que no meu é que era bom. Nada disso. Todos os tempos são bons se o souber aproveitar. E como aprendi a saber viver com os mais variados juízos e gerações, e optar por aqueles que mais me pareciam adequados à minha maneira de ser e ao meu grupo social, estou à vontade.

Para muita boa gente que aqui passa, se falar sobre cabelos compridos ou calças à-boca-de-sino é como lhes recordar a sua própria juventude. Se acrescentar os Yes, Alice Cooper ou Animals (entre outros, claro), vem à memória mais coisas giras. Como as Hondas 50 e as Dyane. A Portugália , o Parque Mayer, os Porfírios, a Mary Quant e muitas imagens e mitos que as palavras daquela década nos deixaram na memória.

Memórias desse espólio que a maior parte da malta aproveitou, enraizou e enquadrou na sua formação como pessoa. Entre a segurança da rebeldia e o respeito pela revolta.
Mas hoje não é assim. Esta merda está toda virada do avesso e raros são os pais que sabem lidar com a situação. Já me veio à cabeça inclusive, uma total impossibilidade da retoma dos valores que os rebeldes e revoltados desse tempo ainda respeitavam.

Mas isto é eu a escrever coisas antigas. Coisas que sinto agora o que os velhos da minha rua também diziam: “- Olha aquele! Tem o cabelo como às mulheres.”
Só que Lisboa está tão diferente em intolerância, má-criação e falta de respeito, que eu próprio já cheguei à conclusão que fui um totó e um santinho a vida inteira e estou a agora a fazer o mesmo papel. E rio-me.
Não sei é se de revolta ou rebeldia.

14.7.05



Hoje já ganhei o dia! Parti o cinzeiro da minha secretária.
Não aquela que eu gostaria de ter: a loira que fazia parte do executivo do Santana Lopes.
É aquele cinzeiro que me acompanhava no descanso dos cigarros que me davam ânimo nas noites que não tinha nada para fazer e vinha aqui botar discurso.
Por isso, hoje não estou na disposição de falar coisa nenhuma.
Até que alguém se lembre que preciso dum cinzeiro, ainda há gente que se diverte à brava na Baixa lisboeta. Conheça o Carlinhos. Um gay machista na cidade.



Uma gentileza dos Pastéis. Maltinha em princípio de carreira, mas já com algum sucesso.

10.7.05



Ao contrário do que muita gente pensa, o domingo é um dia bom para se escrever nos blogs.
E nunca percebi lá muito bem porque quase ninguém o faz.
Quer dizer, perceber não percebo, mas calculo as razões. Será que no emprego dá mais jeito? As tecnologias serão mais abrangentes?

Não é que eu tenha nada a ver com isso, mas sempre tive a estranha sensação que a maior parte dos blogers ao sábado e ao domingo, é mentira. Quem ler isto sabe do que estou a falar.
No meu caso, pouco aquece ou arrefece porque não tenho horário estipulado. Assim do tipo nine to five. Apenas realizo o que tenho em agenda. Há que fazer? Toca a fazer. Há que lavar loiça? Toca a lavar. É preciso pregar um botão na braguilha? Deixa estar…fica assim.

Por isso, hoje estava para escrever sobre Pitágoras. Ou Wenceslau de Moraes. Ou até mesmo sobre a futura biografia do Alberto João e a nova ordem da Madeira. Ou uma ida à missa das nove, que dá imenso gozo,, ou ensinar, a quem não sabe, como se faz uma verdadeira caldeirada à Fragateira. Ou à Ilhas, à Sesimbrense, à Brasileira, à Azenhas do Mar, sei lá...
Também me debrucei sobre a hipótese de escrever sobre vinhos elegantes, encorpados e castos, mais as famosas Roriz que lhes dão fama e forma. Ou sobre Tróia, a Adriana Andringa, o Douro, as férias dos nossos emigrantes, os atentados em Londres, as pontes e os rios que atravessamos, e como é lindo o Minho, as aldeias de Trás-os-Montes, esta malta toda que anda aqui e a nova lingerie da minha pikena.

Mas não! Como cheguei agora do serviço, vou tomar um banho e ver o jogo do Benfica na companhia de umas lulas recheadas ao jantar. Só depois é que vou pela blogosfera adentro deixar um olá por onde tiver que passar. Isto, se ela me deixar um tempo livre para o fazer. Mas não sei não. Ao chegar, notei-lhe um olhar sensual e maroteiro…
Queres ver que há festa?

8.7.05



O reverso da medalha

Também nas pequenezas ninguém consegue ganhar aos portugueses. Temos os gajos da política mais pequenos da Europa, quiçá do mundo, que retratam fielmente o significado adjectivante de baixeza e, com sabedoria, nada nem ninguém melhor que nós sabem utilizar algumas chinesices.

Também nas vilanias ninguém nos passa à frente. Somos um povo talhado para a mesquinhice, para a sócio-dependice e de muita má-língua. Uma língua aguçada, comprida e destravada quando toca a falar mal de toda a gente. Seja em prosa, seja em verso, ou retratada naquele sorriso que fazemos quando nos encontramos no local errado, na hora errada e no momento incerto.

Vemos defeitos em tudo e em todos, e raramente ficamos satisfeitos com alguma coisa.
Ainda sobre as nossas piores fraquezas, e razões de sobra para conviver de perto com pequenezas, conseguimos sobreviver com o ordenado mais pequeno da CE (European Community), acreditamos em todos os aldrabões de falinhas mansas e conciliamos a nossa História com os feitos do Benfica. Fica bem, e melhor disfarça as realidades maiores que reduzimos à dimensão que nos agrada.

Grandes questões também não são o nosso forte. Preferimos tratar os assuntos grandes com pequenas decisões e temos a terrível mania que de pequenino é que se torce o pepino e que a mulher se quer pequenina como a sardinha.
Seguindo o raciocínio, também o esforço económico dos portugueses é sempre dos mais pequenos, as reivindicações são sempre das mais baixinhas e as convicções não ultrapassam as vinte e quatro horas de um dia menos bom.

Mesmo assim, são estas pequenas coisas que fazem de nós, portugueses, grandes. Grandessíssimos. Não me atrevo é a adjectivar o superlativo. Será assim que se diz, ou terei já toda esta maltinha amiga a dizer mal?

Bom fim-de-semana!

*

1.7.05




A mania das grandezas

Os portugueses sempre tiveram a mania das grandezas!
Desde D. Afonso Henriques que isso acontece. Hoje é que não se nota muito. Mas esporadicamente, ainda há umas certas e enormes veleidades que vêm ao de cima quando menos esperamos. Eu, por exemplo, vou ter um ganda final de semana com os meus gandas compinchas em gandas petiscos no meio de gandas canecadas. Vai ser uma ganda torada e com gandas mocas, já estou a ver.

Recuperando algumas memórias da minha infância, lembro-me que os meus maiores sonhos eram ter gandas carros, gandas mulheres e uma pipa de massa que nunca mais a gastasse. Ser dum ganda clube, ter uma ganda casa e receber um ganda ordenado. Posso dizer à boca cheia que sim senhor porque também sou um ganda mentiroso.

Quando se fala em grandeza a mente leva-nos imediatamente para coisas enormes, de tamanhos desproporcionais como as mamas da Dolly Parton, por exemplo. É típico dos portugueses. Mas se reflectirmos bem, as coisas grandes por vezes até incomodam. Ter que usar cuecas e calças largas durante uma vida inteira não ajuda muito e o vestuário feminino de medidas invulgares é escasso e difícil de encontrar. É como se tivéssemos um elefante no jardim da nossa casa.

Por outro lado, já as grandes coisas fazem de nós outro tipo de pessoas. As Cruzadas, os Descobrimentos, o Jumbo e o Colombo, o CCB e o Parque das Nações, elevam-nos à categoria máxima de grandes obreiros no desenrolar da História e das Civilizações. Ficamos mais inchados do que os lagartos, antes de estes terem perdido o Campeonato e a Taça UEFA.

Por estas e outras coisas do género é que não me canso de dizer que Portugal é o maior. E os portugueses, quando querem, também. Eu é que não sou lá grande coisa.

Bom fim-de-semana!

26.6.05



Vai um chazinho?

À medida que vão passando os dias e as horas nos blogs o leque das vastas gentes que me fazem sentir mais culto, aumenta.
Quando comecei, era o tempo da conquista de um espaço já razoavelmente preenchido. Era o tempo da Guerra no Iraque, onde jornalistas que sabem inglês eram os craques. Existiam também os letrados e homens e mulheres das Artes, e alguns outros que faziam do seu dia-a-dia um prazer de contar coisas. Pessoalmente, nunca fui nem terei nenhum desses epítetos, mas gostava. Falta-me a Cultura. Falta-me o jogo de cintura para saber lidar com as palavras e com a vida. Também o tempo de os acompanhar de perto.
E o surgimento de bloggers em início de carreira faz com que com que se aprenda mais, se saiba mais, pelos papelinhos que tinham guardado nas gavetas. Das vivências que querem transmitir. Dos pensamentos e experiências que podem fazer passar e que torna o tempo que dispenso a esta brincadeira ainda mais escasso para me distribuir.
De facto, não sendo erudito e nome sonante que venha em capas de revista, é com imenso orgulho que dou conta de ter pessoas que me acompanham e me deixam uma palavra e um sorriso. Um aceno cúmplice e uma agradável descoberta quando os visito.
Pena é que os não possa ler todos ao mesmo tempo: um caos que procuro inutilmente. Mas vou fazer um esforço porque, aqui, como já se viu, não se aprende nada.

Bom dia.

23.6.05



Hoje é dia vinte e três. E como todos os dias vinte e três que comemoro, este, o do mês de Junho, torna-se particularmente especial. Porque, para além de ser a nossa data, é o dia de aniversário dela.
E eu não posso faltar. Por isso, hoje não estou cá.

*

21.6.05



Tá calor, não tá...?

* post gamado daqui. Gif incluído e tudo.

Entretanto, vou andar por aí,... descascado. Até que faça mais fresquinho.

*

19.6.05



Pai,
tu hoje fazes anos. Anos pardos de uma vida dificultada pela terra alentejana onde nasceste. Pelo país onde moraste. Pelos tempos que não escolheste.
Não te importes, meu velho, pelo que não conseguiste finalizar. Não te entristeças pelo que não conseguiste realizar. Ainda tens os filhos para o tentar fazer, e depois terás os netos e os bisnetos para te continuarem nos outros dias.
Mas este será sempre o teu.
Porque fazes anos hoje que nos deixaste, Pai.

*



17.6.05



Sou optimista por natureza mas tenho os meus momentos de nostalgia. Como quase toda a gente. Por vezes, olho-me para dentro sem precisar de espelho e interrogo-me sobre a vida. A minha e a dos outros que me são próximos. E da morte. Da morte súbita, da morte anunciada, daquela morte que faz com que qualquer um se sinta mal.

Vivi plenamente a minha juventude – ou o que isso queira dizer – recheada de aprendizagens novas e muitos disparates. Costumo até dizer que a vivi depressa demais. E quando nada nos chateia tudo corre sobre rodas. Vai-se vivendo e rindo, o que se julga ser a eterna juventude. Despreocupadamente aproveitada. Mas quando se obtém a realidade nua e crua dos números do bilhete de identidade, a coisa muda de figura. Quando vemos desaparecer ao nosso lado pessoas da nossa idade, ou muito próximo disso, pensa-se imediatamente que a próxima hora pode ser a nossa. Uma hora de que não tenho medo algum mas que me deixa já saudoso só de pensar nela. Nela? Eu disse Nela?

Então, antes que seja tarde, vem daí miúda. Vem com a gente. Anda viver mais um dia. Venham todos.

*

13.6.05



Dois homens, um só destino.
Igual ao que teremos todos.

Tu eras neve.
Branca neve acariciada.
Lágrima e jasmim
no limiar da madrugada.
Tu eras água.

Água do mar se te beijava.
Alta torre, alma, navio,
adeus que não começa nem acaba.

Eugénio de Andrade

Até amanhã, ou até um dia...

12.6.05




Hoje, 12 de Junho, a partir das 21h a cor dos trajes e as rodas das saias das 19 marchas participantes desfilam na Avenida da Liberdade. A Marcha Infantil “ A Voz do Operário” abre o desfile e a Marcha do Lumiar faz o encerramento. As restantes Marchas seguem a seguinte ordem: Mercados, que este ano se estreia pela primeira vez, Benfica, Bela Flôr, Mouraria, Ajuda, Alcântara, Alfama, Carnide, Castelo, Marvila, Graça, Bairro Alto, Alto do Pina, S. Vicente, Campolide, Bica, Madragoa, Olivais e Beato.

* Na minha rua toda a gente sabe que não tenho bairro. Sou do Campo de Santana, mais perto da Mouraria, mas Alfama é onde eu preferia ter nascido. Também todos sabem que não sou religioso mas o Santo António é o gajo dos meus milagres e que nunca falta aos bailaricos tradicionais. Por isso, vou começar a assar sardinhas.

* Tradições - Os Casamentos de Santo António. No entanto, as tradições já não é o que eram. Basta ler esta notícia para perceber que algo está a mudar. Cá p'ra mim, ou as mobílias estão a mudar de estilo, ou o António Abreu está a ficar muito branquinho.

Acho que vou pôr os tomates de fora. Uma salada apetece sempre...

* Como diz a Circe, "o povo anda tristonho, carago..." mas nada melhor que relembrar os nossos melhores momentos. Momentos esses quando nos parecemos mais como um povo dinâmico, inteligente, alegre, sofisticado, e com uma História de nove séculos que nem sequer seria preciso recordar. Sempre conseguimos sobreviver a todas as tragédias e desafios. Vivemos isso desde a batalha de S. Mamede, a perda do Reino em Alcácer-Quibir, o terramoto de 1755, o Regicídio de 1910 e o incêndio no Chiado, mais a entrada na CEE.

Pelo meio, tivemos Camões e todos os portugueses que fizeram pela vida. Somos Pessoa, Amália e Rosinhas dos limões. Temos bandeiras ao vento nas janelas, para demonstrar que somos com muito orgulho portugueses. Trabalhamos no duro, damos a cara e o coirão, e ao final do mês há um sorriso pouco rasgado aos nossos filhos e netos, mas continuamos a tentar fazer tudo por eles. Temos sítios do sim, do não, e sítios da puta que os pariu onde podemos desatinar.

Mas, fosca-se... de vez em quando sabe muito bem ter uma festa na cidade e recordar gentios porreiros que temos ao pé de nós.

Agora vou buscar o Caldo Verde e trazer uma convidada p'ra cantar o Fado.




Este espaço encontra-se em estado festivo. Mais desenvolvimentos... já a seguir.


*

7.6.05



As Mulheres da minha vida

Estou a pensar divorciar-me das mulheres da minha vida. A sério! E o problema maior é que elas ainda não sabem e nem descubro a forma de lhes dizer, diplomaticamente. Estive a imaginar como é que vou separar-me do computador sentindo a falta daquela voz que diz “ migo, o jantar tá pronto!” quando estou precisamente a atingir o clímax virtual. Não me reconheço sem aquele telefonema do costume a questionar se o “Pai, está bem?” quando estou a meio de um jogo de snooker ou sem a mangerica mais velha que me alerta para a nova casa que vai comprar mais a sugestão que tenho para os móveis do T4 que vai estrear. Já não aguento!

As mulheres da minha vida atrafulham-me, atanizam-me, atrapalham-me, e fazem de mim o mais feliz dos homenzinhos em idade de ter juízo. E não era essa a ideia que eu tinha da velhice.
Ainda ontem tive uma mocinha cá em casa que, de radiante, me lembrou que fazia vinte e cinco anos. Só p’ra chatear. No sábado que vem, há-de aparecer outra gaiteira que vem logo atirar-se para o meu colo sabendo de antemão que ando à rasca da espinha. Antigamente era mais fácil prender-me às mulheres da minha vida. A Lídia Franco, a Edite Estrela e a Nastassja Kinski são testemunhas disso. Nunca as incomodei mesmo sabendo que as amava. Tal como a minha professora de Geografia. Uma açoriana rebelde e lúcida que ostentava umas medidas mediterrânicas elementares.

Tenho um dilema terrível e estou com uma dor de cabeça insuportável para decidir alguma coisa. Mesmo sabendo que daqui a bocadinho tenho que dar um saltinho às dos blogs.
É o que faz ter muitas Mulheres na vida…

*

4.6.05



Postagens mais caras

Publicar textos num blog torna-se também, a partir dos aumentos anunciados pelo Governo, mais caro. Um texto de cinco a seis linhas e mais ou menos 800 carateres acompanhados por imagem ficava em três a quatro cigarros, dois martinis e uma ida à casa de banho. Ou seja, mais oito folhas de papel higiénico e cinco litros de água.

Já fiz as contas e, quando as medidas entrarem em vigor, o mesmo texto vai custar mais três chupadelas num cigarro, mais uma casca de limão anexada ao aperitivo e uma mijadela de acréscimo na ex-voluntariosa acção de descarrega.

Para poupar, naturalmente terei que postar de quatro em quatro dias e reduzir adjectivos excelentíssimos. Cortar no verbo e anular a pontuação também está no horizonte. Tais como os direitos adquiridos dos parágrafos e as frases demasiadamente comprometedoras poderão eventualmente ser anuladas para evitar que gaste demasiado num post igual a este.
Que, no valor da moeda antiga, já me custou os olhos da cara.

Bom fim-de-semana!

*