"E alegre se fez triste..."
“Que o poema seja microfone e fale
uma noite destas de repente às três e tal
para que a lua estoire e o sono estale
e a gente acorde finalmente em Portugal”
"Interessam-me os actos humanos. Nunca para rir-me deles, mas sim para os compreender." B.Spinoza
ps - quem é que faz anos a seguir?

Para muita boa gente que aqui passa, se falar sobre cabelos compridos ou calças à-boca-de-sino é como lhes recordar a sua própria juventude. Se acrescentar os Yes, Alice Cooper ou Animals (entre outros, claro), vem à memória mais coisas giras. Como as Hondas 50 e as Dyane. A Portugália , o Parque Mayer, os Porfírios, a Mary Quant e muitas imagens e mitos que as palavras daquela década nos deixaram na memória.* Tradições - Os Casamentos de Santo António. No entanto, as tradições já não é o que eram. Basta ler esta notícia para perceber que algo está a mudar. Cá p'ra mim, ou as mobílias estão a mudar de estilo, ou o António Abreu está a ficar muito branquinho.
Acho que vou pôr os tomates de fora. Uma salada apetece sempre...
* Como diz a Circe, "o povo anda tristonho, carago..." mas nada melhor que relembrar os nossos melhores momentos. Momentos esses quando nos parecemos mais como um povo dinâmico, inteligente, alegre, sofisticado, e com uma História de nove séculos que nem sequer seria preciso recordar. Sempre conseguimos sobreviver a todas as tragédias e desafios. Vivemos isso desde a batalha de S. Mamede, a perda do Reino em Alcácer-Quibir, o terramoto de 1755, o Regicídio de 1910 e o incêndio no Chiado, mais a entrada na CEE.
Pelo meio, tivemos Camões e todos os portugueses que fizeram pela vida. Somos Pessoa, Amália e Rosinhas dos limões. Temos bandeiras ao vento nas janelas, para demonstrar que somos com muito orgulho portugueses. Trabalhamos no duro, damos a cara e o coirão, e ao final do mês há um sorriso pouco rasgado aos nossos filhos e netos, mas continuamos a tentar fazer tudo por eles. Temos sítios do sim, do não, e sítios da puta que os pariu onde podemos desatinar.
Mas, fosca-se... de vez em quando sabe muito bem ter uma festa na cidade e recordar gentios porreiros que temos ao pé de nós.
Agora vou buscar o Caldo Verde e trazer uma convidada p'ra cantar o Fado.