10.5.05

Crónicas de férias um

O sol quando nasce devia ser para todos.
Foi o que me diziam quando era pequenino. Mas afinal não é! Anda um tipo um ano inteiro a elaborar planos, a idealizar projectos e a definir as datas, e é isto: faz um tempo tal que quase não apetece sair de casa. Sendo já um dinossáurio, não sou tipo de Museus. Aprecio imenso uma boa peça de teatro, mas não me estou a ver sentado sem ter ao lado a minha pikena. Não sei, faz-me arrepios. Depois, ainda existe a hipótese cinematográfica. Mas sejamos sinceros; na minha idade quem é que vai para uma sala às escuras às 21:15 tendo o Clube de Vídeo quase ao lado? E depois não é só isso. No dia seguinte eu posso dormir até às tantas, mas ela não: work oblige! Daí pensei interrogar-me: “epá, vamos numa de piscina?”. E aí fui eu. Toalhinha debaixo do braço, cigarritos com fartura e alguns trocos na algibeira dos calções. Claro que o que se vê não é Copacabana nem a zona privada da minha amiga Fernanda. Foi apenas um dia para descontrair e tentar bater o meu recorde pessoal debaixo d’água. Consegui, mas ia morrendo submerso. Foi na altura que me lembrei que estava quase na hora da sardinhada. De qualquer forma, enquanto o estado climatérico não se alterar, vou tentar ler o que não li, ver o que não vi e saber do que não sei. Mas só até sábado, dia do Benfica-Sporting. Depois, "Gooooood morning...", Alentejo. Nem que chovam pedregulhos.


Mesmo que sejam grandes.

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9.5.05



Um dia na vida de um Blogger

Ao contrário do que se possa pensar, não é fácil.
Para além de passar rapidamente, um dia na vida dum Blogger tem algumas contrariedades e toneladas de expectativas. De qualquer das formas é um dia que começa bastante cedo. Por vezes, cedo demais para quem se deitou tarde ou nem sequer o fez. Mas blogodependência é assim mesmo.

Logo após a ligação efectuada à Net, a primeira coisa que um Blogger que se preze faz é beber um cafezinho antes de ir verificar se tem mensagens. Bastas vezes trazido pela parceira mais à mão, entre impropérios inaudíveis e acusações infundadas sobre o direito à indignação que não chegam à barra dos tribunais. E pode não ficar em apenas um. Porque, normalmente, as caixas de correio que um Blogger possui ultrapassam o número de pares de sapatos que ela tem.
Depois inicia-se a azáfama das notícias, não sem já antes de ter dado um espreitadela no blog para constatar dos comentários. E as visitas. Sim, porque tal verificação pode marcar os humores com que se começa o dia. Agora imagine-se quem tem dois ou três...

As notícias são algo importantes e servem como ponto de referência para o que se vai escrever. Pelo número de cliques nas agências noticiosas, nos jornais internacionais on-line e nas rádios em FM e em directo, já se passaram um bom par de horas. Horas essas que em vez de o preparar razoavelmente, tolda ainda mais o seu espírito criativo e lança a confusão nas ideias. E lá terá o pobre do Blogger de recomeçar a definir o padrão. Mas não se pense que as dificuldades em reiniciar novo alinhamento ficam por aqui. Ele é o telefone que toca, ela é a campainha da porta, o Messenger que o alerta para a menina que entrou, ele é o padeiro, o cão e o gato à procura da ração, e o chilrear zangado do periquito devido ao mau resultado do Benfica. (eu tinha que falar do Benfica)

Como se pode constatar por outras vias, e já são quase dez e meia, o Blogger sente que o dia pode não estar a correr bem. Mas não se atrapalha. A necessidade aguça-lhe o engenho e, numa alternativa radical, dirige a sua pesquisa para os blogs dos amigos, na esperança de encontrar motivo para o seu próprio texto. Mais uma vez, não é fácil. Um lembrou-se de falar da avó, outro mais além aponta para os discursos inflamados das figuras públicas e, para que tudo se torne ainda mais miserável no dia na vida de um Blogger, pelo meio aparece o painel indicador de que “Recebeu nova mensagem”. Não há pachorra!

Talvez, quem sabe, lá mais para a tardinha surja alguma coisa. Isto se até lá o servidor não falhar ou o blog não abrir.

*

7.5.05



Porque hoje é sábado...

Fui passear. E como costumo ser do “contra”, o post deste sábado fica completo depois da meia-noite. Já domingo, claro.
Mas é no sossego da madrugada, quando os meus se encontram já num confortável aconchego, e depois de algum cansaço, que registo o dia. Um dia giro, talvez diferente (estou de férias, não é?), em que retomo coisas que não posso fazer nos outros meses.

Ainda nada de sofisticado.
Uma manhã tranquila com o olhar clareado pelas ondas da Caparica, e uma ou outra leitura usual e praticante pelos jornais madrugadores. Um pequeno-almoço de tinto e jeropiga, onde se revê gente amiga de outras marés e sóis . Com peixe fresco. A saber a sal e à poesia que este Mar revela.

Tristes novas sabemos sempre pelo nascer da aurora, mas de alegrias também se podem fazer tardes. E boas. Quentinhas como o tempo que fazia, igualzinho ao olhar meigo e ternurento dos netos com quem estive.
Pena foi a noite, que para ser total, tenha faltado uma pontinha de sorte em campo verde onde o vento norte foi mais forte. Pequenas tragédias que, de forma alguma, impedem uma pessoa de estar bem. E dar vivas por ter uma sorte assim.

Até amanhã. Se não for antes…
(a gente "vê-se" por aí)

*

5.5.05



Dia da Espiga

No Dia da Espiga, assinalado na Quinta-feira de Ascensão do calendário cristão, era tradição apanhar-se um ramo com uma espiga de trigo, um malmequer, uma papoila, um ramo de oliveira, um esgalho de videira e um pé de alecrim. A escolha de cada elemento estava relacionada com a sua simbologia:

Espiga – Pão
Malmequer – Ouro e Prata
Papoila – Amor e Vida
Oliveira – Azeite e Paz
Videira – Vinho e Alegria
Alecrim – Saúde e Força

Acredita-se que guardar este ramo em casa, durante o ano, traz os elementos simbolizados, e este dia era tradicionalmente aproveitado pelas famílias para fazerem um lanche ao ar livre. Com o passar dos anos, o hábito acabou por cair em desuso e só em algumas localidades do Centro e Sul do país ainda se mantém. Hoje, já temos quem nos venda o tal raminho à porta do Metro, à saída do barco ou, até, na mercearia do bairro.

Estou a pensar celebrar este dia feriado na Ericeira.
Fui convidado para a Festa onde se come um "petisco" lá da terra que, dizem, é uma maravilha. Vamos lá ver…

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3.5.05




- Onde é que vais..? Que horas são...?
- Ó filha, dorme… ainda é muito cedo!
- Mas já estás a pé…!?
- Vou um bocadinho para o computador. Eu depois acordo-te.

Foi assim o meu primeiro dia de férias. Por isso, estou...


Em manutenção...



Fazendo um tempo do caneco, e eu sem subsídio suficiente para aonde quero ir, não vi outra forma de me entreter.
Já sei..., já sei que muitas mentes perversas (rs) estão a pensar em dar conselhos de entretenimento.

Mas entretanto, esta imagem deixa-me um sinal de que as coisas hão-de correr melhor.

Digo eu...


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30.4.05




hanoi
haifong
o fogo brota e vence
o céu
a dor dos inocentes abortados
e bocas dessangrando no silêncio
travo e pólvora
o povo viverá dos escombros
e resiste
e luta
e tem-se o ódio no peito
e a fé dos revoltados homens
feitos de pedra e noite com bra
- vura lutam feridos
e se estanque
o sangue
erguem canhões
abafam som
bra- midos de corpos a tombar
manhã que louco
fuzil metralha sangra
e assombra lagartas contra músculos
no arranque de carnes e motores mortos
sem sombra
cravam braços e presas contra tanque

Felipe Camarão
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26.4.05


Imagem da Thita

Depois d’Abril

A mais de trinta anos de distância, onde as pessoas envelheceram numa réstia de esperança que nunca lhes chegou, e onde muitas delas tiveram as suas vidas alteradas, o que é que faltou, ou falta, a este Abril?
O que mudou realmente?
O que conseguimos, afinal?
Para os sociólogos, artistas e escritores, gente afamada e cantadeira, faltou tudo. Para os pregões da rua, aos ilustrados e poetas, faltou-lhes muito. Aos revoltados, aos injustiçados, aos que nunca tiveram nada, Abril nem sequer sabem que existiu.
É tempo de poder falar desta ideia que nos deram. Pode até muito bem acontecer, ser a hora de colocar as cartas na mesa e verificar que o ás de trunfo nunca nos foi dado. Que as ditas cartas estavam viciadas à partida, e que os reis e valetes que nos deram não tiveram o valor que lhes era atribuído. Os Capitães tarde demais souberam disso, mas nós ainda cá estamos.

Parecendo utópico, mas ao mesmo tempo típico, os portugueses são um povo fácil de domar porque são cómodos. São fáceis de convencer porque são crentes. São igualmente fáceis de contentar, porque nunca pediram muito.
Democracia e Liberdade, foi o que ganhámos! E isso basta?

Democracia é lei e ordem onde o povo pode e manda. Onde alimentar, vestir e educar, são prioridades. Administrar e distribuir, terá que ser a regra. Construir e desenvolver, terá que ser a meta. Formar, progredir e viver em paz e bem, terá que ser o rumo. A Liberdade é apenas a consequência de se poder mudar o que já não serve. De poder servir melhor o nosso amigo, o nosso pai, os filhos e vizinhos desta pequena terra que nos pariu e nos alberga.

Mas como estamos, não!
Falta-nos as leis dos homens sábios que não temos. Falta-nos exemplos Afonsinos. Faltou-nos sempre o modo e a coragem de desembainhar a espada quando preciso fosse.
Mas eu… mesmo cansado e velho para acreditar que será desta, ou para andar aos tiros, não desisto de fazer a minha parte.

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24.4.05



A Última Noite Fascista

Uma noite de breu que se respirava pesada e fria. Era noite de quinta, como qualquer outra quinta-feira normal. De algum modo, também esperançada e quente, a mais longa noite das nossas vidas, prosseguiria silenciosa e repleta de magia. Onde em cada olhar trocado à luz de velas nas casernas, reflectiam sobre putos sem medo, cumplicidades que ninguém conseguira ainda explicar. Palavras de ordem soavam como bengaladas nos costados. O bater das horas certas entoava como um hino na pulsação desordenada dos gestos. Gestos ditados. Gestos surdos. E nas botas. Botas cardadas que deixaram marcas na memória destes anos já passados.

A vestimenta de combate dessa quinta-feira, suja e gasta, transportava o corpo e alma de uma infância adulterada. De uma juventude, condenada à morte pelos defeitos sociais, que reagia. Que gritava dentro do peito o silêncio dos que tinham já tombado. Era a noite mais longa e mais parda que nos acontecia.
Uma arma colada ao peito, onde o indicador não pode vacilar, é algo que fascina. O brilho do olhar sobre a “chaimite” é hipnose. A certeza de salvar uma Pátria moribunda é o que move e galvaniza. E lhes deu força.

Quando tudo terminou, aquele despertar não era igual ao de outros dias. O sol brilhava mais e as ruas deste país respiravam outro ar. Um outro espaço onde descobrimos uma nova forma de estar: a Liberdade. Porque essa noite de quinta, não era a de uma quinta-feira qualquer. Era a última noite fascista.

Obrigado, camaradas!

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23.4.05



Para ti


poema amor
repleto verdade
a cores pintado
demais amigo
para o dia 23
é o que tento iniciar
e não consigo

dizendo que te amo
e nunca esqueço
é um poema
amor
que não termino
mas começo
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18.4.05



fazer Anos

Fazer anos é como rever capas de discos já usados. Páginas esbranquiçadas onde se apontam datas e rabiscos que escondemos. Coisas raras que guardamos.
E em todas elas sentimos a proximidade de com quem já estivemos. Há retratos de quem amamos e beijámos. De quem vimos e ouvimos o primeiros passo, o primeiro choro e a palavra primeira que disseram.
Fazer anos é dar pulos sem olhar p’ra trás. É dar um passo a mais na direcção de um abismo que nos espera. Logo ali. Num traço de caminho que nos foi dado a percorrer.
Mas fazer anos, também é um imenso mar de gentes e lugares que nos marcaram. É o tic-tac do tempo que ainda é nosso. É o minuto seguinte à nossa espera e a vontade de ultrapassar mais uma barreira. Sem cabelos alvos e de medos assustadiços. Soletrando os dias já passados como decorados já estivessem.
Fazer anos é a prova de que cá estivemos. De ter aproveitado o que a própria vida nos deu e ensinou. De conseguir dizer nas palavras do poeta: “Eu vivi!”.
Por isso, se um ano a mais me acontecer, fico grato por tanta gente boa ter em meu redor. Como agora. Onde ao contá-los, verifico que ultrapassam os anos que já fiz.

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Bom dia! Bem vindos à despedida dos 50









Hall de entrada

Washington Post - O Globo - El Pais - Le Monde - La Repubblica - Times - Café Expresso

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Sábado ou Domingo - os melhores dias na semana

... para se poder conversar sobre tudo e sobre nada. Ou penas estar por aqui ouvindo, conversando e, sobretudo, divertir e ajudar a passar o tempo. Passear e conhecer um pouco melhor o país também é bom. Confira lá...

Dois filmes que gostava de ver logo à tarde. Com a Nicole Kidman. Birty e A Intérprete. Mas se calhar não vai dar.





Enquanto espera pelo almoço, quer entreter-se?
Então faça favor…
- O Snooker do Simeão
- O Comboio
- e estes americanos todos


"Quem tem cu, tem medo!", velho ditado popular português. Aprenda a diferenciá-los. Virtualmente. Em escrita desinteligente e universal.

- (__!__) rabo perfeito.
- !__!__! rabo quadrado.
- (::!::) rabo com celulite.
- (__@__) rabo de quem fez sexo anal-virtual.
- (__$__) rabo de prostituta de luxo.
- (__.__) rabo de quem está com medo.
- ( _o__) rabo pouco usado.
- (__O__) rabo bastante usado.
- (__+__) rabo de crente.
- (_____________0____________) rabo da Margarida Martins.

Mas assim se fala bom português:
Onde o bumbum é rabinho – por P. A. GRISOLLI


Incalculável este contratempo, mas o resto dos Carneiros da família ( com Leos, Sagitários,Virgens, Caranguejos e Balanças à mistura) vieram-me buscar para uma saída "surprise". Eu volto já!
Provavelmente, ainda a tempo da noite de Fados.


Outras efemérides:

O Finúrias fez anos. De bloguista, para ser mais concreto. Os meus Parabéns, Tó Zé.

Neste entretanto de dias passados à frente de um computador, vários são os blogs que comemoram, ou vão comemorar neste mês de Abril, os seus dois anos na blogosfera, como agora se diz. De repente, lembrei-me do Pastilhas, a minha primeira aventura na Internet em português, e da Carla, uma rapariga simpática de acordares não menos encantadores.
Mas há mais. E a partir de Maio, o “boom” dos blogs em Portugal, vão ser muitos mais.


«Silêncio que se vai cantar o fado», é assim que começa a mais típica noite lisboeta. O cenário é um restaurante com músicos contratados ou uma taberna onde a dona faz calar os clientes com a sua imponente voz. De Alfama à Madragoa, da Graça à Mouraria, do Bairro Alto ao Castelo, o fado (ainda) está enraizado na cultura da cidade. Por isso, o fado não é exclusivamente uma peça de museu. Mas também o é. Porque tem uma história para contar que, no fundo, são as histórias da própria cidade.
Minhas senhoras e meus senhores...

- Hermínia Silva
- Alfredo Marceneiro
- João Ferreira Rosa
- Cristina Branco
- Mariza
- José Afonso (convidado especial)

Gentileza do meu irmão (que também faz anos hoje), mas com destaque para um amigo fraterno, que sem o trabalho dele não era possível tal recolha. O Fernando Campos.


À minha neta (que também faz anos hoje, dia 18, e na minha companhia se manteve. ). À minha pikena, que está a ter um trabalhão dos diabos com toda esta brincadeira. A todos, enfim, que não refiro particularmente, mas que sabem que os estimo. Mesmo que não consiga acompanhá-los todos os dias. Mas...

"Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva de penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue. "

- Obrigado, Madalena, pelo Gedeão aberto e franco. Bem hajam todos. Porque amanhã... serei um homem mais velho. Na disposição de não tentar envelhecer. Demasiado.

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15.4.05

Na antecâmera dos

Ao estar quase-nada a despedir-me dos meus cinquenta, sinto a entrar-me pelo corpo adentro uma nostalgia assustadora. É verdade. Mas calculo que passageira.
Costumava considerar, enquanto mais jovem, que quando cá chegasse nada me assustaria. Nem as rugas, nem o ostracismo, nem nada. E este nada foi sempre de muita importância na minha vida.
Mas neste momento, em que estou diferente e defronte de mim próprio, tenho as minhas dúvidas. Quem já cá chegou, é provável até que o saiba.
Ele é o pâncreas a acusar os abusos de dias quentes. Ele é o “bicho” a recusar-se a mais noites escaldantes. Ele é a puta da vida (não és tu, Maria) a dizer-me para ter calma. O sacana do dia a aproximar-se e eu sei lá que mais…
- “Que diabo!, cinquenta e um anos não são nenhum bicho-de-sete-cabeças!!!” - dirão algumas ilustres presenças que por aqui perdem um bocadinho. Mas para mim foi. Ou é. Vividos tão intensos e velozes que mais me parecem quinhentos. A sério!

Retrospectivamente falando, tive sempre uma saúde de ferro. Tinha sorte com “as miúdas”, consegui os meus quinze minutos de fama e também passei ao lado de uma grande carreira. Vivi num tempo de mudanças radicais, da televisão a preto e branco e de ter que usar lacinho nos casamentos e nas festas “in”. Fui jogador de futebol, tipógrafo, galdério e actor. Auto-proclamei-me jornalista, homem da rádio e, desesperado, até servente de pedreiro. Li muito de bom e de mau, vi mais do que qualquer cidadão comum devia ver, cantei o Fado, declamei como assassino a Poesia, e enquanto a idade não se sentia, fiz de tudo um bocadinho quando a 24 de Julho ainda não estava ao meu alcance. Tal e qual pseudo-anarquista que se preze.

Sempre bem acompanhado “espiritualmente”, claro. Em doses industriais e muitas ressacas para contar. Só que me falta… ainda tanta coisa por fazer.
Como é que um gajo assim se pode sentir, à beira de ultrapassar esta barreira?

Vá malandros/as, digam lá! Agora que é moda toda a gente ver "sinais"...

(enquanto vou comprar copos, guardanapos e queijinhos de Serpa, para domingo)

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12.4.05


Por onde andam os Carneiros da minha estimação?
Que horizontes e hastes já crescidas
têm histórias e noites p’ra contar?
Onde estão os da minha geração,
que de mudanças radicais
fizeram suas vidas?
Eu sou um deles!
Haverá mais?

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11.4.05



Os Convites

Convidados estão todos aqueles que, de uma forma ou de outra, preenchem com muito agrado uma parte dos meus dias. As minhas fontes de rendimento, da qual vem a maior parte daquilo que dá para comprar melões, são de tal maneira escassas e curtas que tenho que aproveitar ao máximo os recursos baratuchos que tenho ao meu dispor sem ter que me endividar para pagar cachet a quem quer que seja.

Assim sendo, vou aproveitar a presença do Seal em Portugal, para podermos ver e ouvir o que ele vai cantar. Dar a conhecer a outra faceta de Júlio Guilherme Ferreira Machado Vaz (por aquelas bandas mais conhecido por Murcon) , apresentar um tipo que é casado e expor a pintora Nela Vicente. Só para iniciar. Porque a Angela faz anos hoje!
Teatro, Poesia e Canto, também terá a sua parte. Tal como o convívio a que estou habituado por todos quantos fazem o favor de por aqui passar.

Mais: seria infindável a lista de convivas, que fariam deste pobre escravo de trabalho uma verdadeira estrela de Hollywood, se aqui enumerasse todos quantos do seu próprio tempo e obra fazem as delícias de quem os vê, escuta, lê ou descobre.
E como devem calcular, o núcleo dos que se contactam diariamente, nem de perto nem de longe, conhecem todos os amigos dos seus amigos.
É isso que vou tentar mostrar durante o tempo que durar a Festa. Contando com a colaboração dos meus ilustres visitantes para apresentarem os seus pares.

Home is open!
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8.4.05



Como é fácil de calcular, é difícil em três ou quatro dias dar a volta a esta “aldeia global” onde quase toda a rapaziada com tempo para estas coisas dos blogs, "mora". E o mês de Abril, os meus trinta dias preferidos, torna a tarefa ainda mais penosa mesmo com máscara alugada.
Por muitas indeterminadas razões e mais o diabo a sete.

Um tipo feito eu pensa assim: “olha…, deixa cá dar uma vista d’olhos a fulano de tal!”. Ou, “eh, pá, faz tempo que não vou ao blog de cicrana…”.
Mal não seria esse, se optasse apenas por cumprimentar o destinatário da visita. Mas qualquer pessoa cede quando se detém perante outras indicações que leva a outros lados, a muitas outras curiosidades apontadas, a referências que são difíceis de fugir.
E um gajo perde-se, claro.

O que pretendo eu dizer com isto? É trigo limpo!
Vou armar-me em chico esperto e fazer com que sejam os meus ilustres visitados a cá vir, evitando, muito diplomaticamente, dar a desculpa esfarrapada de “sabes e tal… o tempo é escasso e esquisso e não sei quantos…”, estão a ver?

Preparem a trouxa, porque tenho na ideia fazer uma festa. Inclusivamente, com convites e tudo. Os convites, envio eu. O tudo, é com vocês.
Topam?

Então grave a sua mensagem, s.f.f.

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6.4.05



Se alguém, porventura, estaria à espera de pormenores curiosos/pecaminosos da noite espectacular por que passei, desengane-se. Redondamente.
Já não tenho idade para coisas daquelas e apenas digo que fiquei num estado muito parecido como esse aí.
Vou descansar um pouco as diabruras e pôr-me a andar. Ver uns e saber de outros. Aliás, como é costume quando estas coisas me acontecem. Enriquece-me o reportório e não cansa tanto.

Deixem a chave no sítio do costume, s.f.f....

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4.4.05



Hoje apetece-me mijar fora do penico.
Que diacho…também sou mortal e os ensinamentos de uma catequese obrigatória nunca, mas mesmo nunca, me moldaram o espírito inventivo. Fraquinho, diga-se de passagem., mas de qualquer maneira, pensei que um dia teria que o fazer.
Por isso, vai ser hoje!

Ele há quem faça anos de casa, anos de sócio, anos de caixa, anos que não fuma ou não bebe, e/ou muito naturalmente, apenas faça anos.
Pela parte que me toca, e antes que a noite se cale e deite, hoje decidi festejar. Festejar o quê? - perguntarão os mais curiosos que me acompanham há menos tempo.

Uma despedida de solteiro!
Na passagem de hoje para amanhã vou fazer um interregno temporal onde as horas se calam e consentem. Onde os minutos e segundos duma vida sempre certa façam ruir as éticas e as moralidades que cumpro no resto dos outros dias. Hoje vai ser assim.

E para que o crime se possa consumar em pleno, desafiei a companheira, a amiga, a amante, que de me aturar tanto se emprega. Apenas assim fará sentido, esta loucura.
Motivo? Amanhã farei trinta anos de casado. Depois faz ela.

2.4.05

O Retrato

Um dia destes um engenheiro fez com que me lembrasse de Dorian Gray.
Terei lido o livro em mil, novecentos, e sessenta e troca o passo, e já nem sequer me lembro muito bem da história. Acho que tinha a ver com um retrato de um tipo e tal, e que falava de juventude, vícios, virtudes e assim.
Mas o efeito da recordação tem a ver com outra coisa. Traduzindo.
- Ó Eduardo, você que é um barra em computadores (gentileza dele) e está sempre a falar de blogs, faça-me lá um retrato dessa malta.
Eu que até sou um indivíduo lesto e desinibido, engasguei-me.
Toda a gente sabe que o Tico e o Teco (como diz a titas) são os neurónios mais rápidos do mundo. E em fracções de segundo muita fotografia me veio à cabeça. Nos dois minutos de silêncio que se seguiram, passaram no meu ecrã os retratos mais diversos. Putos pedrados e homens de negócios, solteironas, professores reformados, educadoras, barriguinhas salientes, malta do bairro, papagaios, jornalistas e outros desempregados.
Puxei de um cigarro para ganhar tempo de resposta e, de cada vez que me embrenhava nos perfis para tentar bater a chapa, a confusão instalava-se ainda mais. Como definir o retrato de alguém que apenas conhecemos pelas palavras? E se tudo isto é um embuste de personalidades duplas e dúbias? E se o gajo que eu tenho por amigo, afinal é um gaja? Ou vice-versa. Estarão os blogs a retratar fielmente a pessoa que está por detrás deles?
Custa-me admitir que não consegui satisfazer o pedido do meu interlocutor.
- O Sr. Engenheiro desculpe, mas não sou capaz!

Volta e meia ainda me espicaça: - Então Eduardo, já fez o retrato?

Sacana!

1.4.05



Hoje é dia de dizer algumas verdades:

- O Benfica vai ser Campeão!
- Vai começar a chover!
- Os pedófilos e os corruptos vão ser julgados e condenados!
- O próximo Papa será português!

Haverá mais?

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31.3.05

Memórias de mim

Quando eu era pequenote, a infância (e mergulho fundo na minha infância, esse grande território de onde todos saímos com medalhas e mazelas), era um Mundo!
Um mundo só meu, onde entrava só quem eu quisesse.

“De onde eu sou?” – perguntava-me. “Sou da minha infância como se é do meu país...”, escrevia já Saint-Exupéry n’O Piloto de Guerra. Todos, realmente, comprovamos isto diariamente. O mundo interior povoado de imagens e recordações, muitas delas nebulosas, outras bem mais nítidas, que têm origem nos anos verdes da mocidade de cada um de nós.
Em muitas ocasiões, temos até de recuar a essas épocas da nossa vida para compreendermos algumas atitudes, hábitos, reacções, tendências, que fazem parte da nossa maneira de existir, da nossa forma de pensar, da nossa forma de sentir.

E aqui entram alguns dos meus heróis. Cada qual com o seu tempo e no seu espaço. Um tempo de Fúria e de Lassie, que ainda hoje sinto serem essas as referências que me fizeram gostar tanto de cães e de cavalos. Li quase todas as estórias de cow-boys e vesti-os na pele. Armei-me em Zorro e em Tarzan. Quis ser Robbin dos Bosques e almejava por beber a poção mágica do Astérix. Passeei em França sem sair de casa com Tin-Tin e conhecia tão bem o Brasil do Tio Patinhas que mais parecia ter lá vivido. Adorava os filmes do Bonanza, do Rim-Tim-Tim e ninguém me tirava da carpete enquanto o Mr. Ed, o cavalo que falava, não acabasse. Existia até uma maneira razoável de comer legumes: imitar o Popeye e de seguida demonstrar a minha força no primeiro puto da minha rua que encontrava.

Um pouco mais tarde, com escolaridade um pouco mais avançada, aventurei-me com D. Quixote e descobri a Lua com Verne, convivendo de perto com novas gentes e novos mundos. Soube de meninos pobres como eu - que Dickens me relatava - e onde Dostoievski também fazia parte dos meus planos. Amei. Amei livre e apaixonado, como só naquele tempo se podia amar, as donzelas de D.H. Lawrence. E, quase ao mesmo tempo, por volta dos doze, tornava-me Corsário. Destemido e acérrimo defensor de causas perdidas, que me fazia andar à espadeirada como se dos Três Mosqueteiros fizesse parte. Sem antes, ter todos os cromos daquele tempo, mas nunca me ter saído "a bola". O tempo do Benfica europeu, da guerra colonial, de Amália, da minha infância.

Tempos bons, esses do berlinde e do pião. Do arco e do carrinho de esferas. Das fisgas.
Agora sou o que sou, mais tudo aquilo por que passei. Em tempos idos dizia-se que “a Cultura era tudo o que resta depois de ter esquecido tudo o que se aprende”. Talvez fosse. Até ao momento em que apareceram os blogs. Estes desnaturados que me fazem engordar.

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26.3.05

LISBOA!

Engraçado como esta quadra me une à minha cidade. E amanhã ainda mais.
É que foi, precisamente, há meio século e mais um ano que ela me viu nascer.
De modo algum faço anos amanhã, mas nasci num dia de Páscoa.
Que por acaso também era domingo.




ps - Agradecimento especial para a Cachopa e o Morfeu, pelas prendinhas da Páscoa que me enviaram pelo correio.

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23.3.05

Os versos que te fiz

"Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem p’ra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim p’ra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos p’ra te enlouquecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te ocultei...
Que neste beijo, Amor, que já te dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!"

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21.3.05



Primavera Bloguista

Costumo dizer em tom de brincadeira que depois da invenção da roda e da fundação do Sport Lisboa e Benfica, os blogs foram a melhor coisinha que me aconteceu desde que me endividei para comprar um computador. E não vale a pena tentar perceber porquê, porque eu explico.

Parece difícil de crer que houve realmente um tempo em que a minha vida era explosiva, preenchida e divertida. Não apenas pela permissão da juvenil idade e disposição, mas também pela naturalidade como conhecia pessoas interessantes e coisas assim.
Aos 18 anos era já dono de uma substancial cultura básica, um pouco acima da média dos putos broncos da minha rua e, passe a imodéstia, até era considerado o exemplo do tipo esperto (e um bom partido, hehe…) pelas miúdas da escola no quarteirão mais à frente.
Porque a política estava então amordaçada, os perfis mais significativos que podia transmitir à malta da minha juventude tinham a ver com as sinaléticas culturais da época: o Tarzan e o Bill the Kid. Só mais tarde se seguiria Spencer Tracy, Abbott e Costello e o D’Artagnan.
Viciado em aventuras do género e nos discos do José Cid pela vida fora, nunca imaginei que para além da janela do segundo andar onde morava, existisse outro mundo. Mais abrangente e diversificado, mais tendenciosamente cultural e de grandes repercussões no planeta. Isso mesmo. Descobri os blogs!

É a eles que devo a rápida e forçada aprendizagem das línguas. Foi neles que descobri a Condessa de Ségur, o Pacheco Pereira e as trouxinhas de bacalhau. Foi por eles que tomei conhecimento dos lagostins-marmanjolas imunes à dor física e o segredo de Fátima. É deles também a responsabilidade de se saber o código Da Vinci, o código da Estrada e o código do Messenger.
Aliás, foram os blogs que me fizeram entender melhor o protocolo do Kioto, o acordo ortográfico e o Alberto João Jardim. E para não dizer que sou ingrato, é nos blogs que tomo pela primeira vez plena consciência do direito do contraditório, do estudo da Spina Bífida e da memória colectiva de Vilarinho das Furnas.

Qual Der Spiegel, qual Time? Os blogs, até na Quirguízia são o fiel retrato de que não existem distâncias e fronteiras nesta nova maneira de saber das coisas.
Quem seria eu hoje sem eles, hã…?

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20.3.05



Tínhamos prometido que quando começasse a chover, eu e o John Kid, ficaríamos toda a noite a ouvir Falco. É hoje!

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19.3.05



Nostalgia dos dias pardos.

Nunca se tem em demasia quando se fala de Amigos!
Há os amigos de ocasião, os amigos de Peniche, os amigos do peito, os amigos da onça e os amigos do alheio. Mas quase todos temos - pelo menos - mais um amigo: o Pai.

E amigos amigos, negócios à parte, o Pai é o amigo que nunca devíamos perder. Aquele cuja amizade nos acompanha a vida toda. Aquele de quem imitamos exemplos, gestos e outras fantasias. Aquele com quem completamos os nossos desvarios, as nossas loucuras de meninos. O personagem omnipresente. O nome que nunca mais nos larga.

Uma nódoa negra, um braço partido, um joelho esfolado, temos o Pai. Uma camisa aos quadrados, um dente arrancado, casamento marcado, temos o Pai. Angústias disfarçadas, sonhos perdidos, pequenos fracassos, temos o Pai.
O Pai é o estilo faction, o primeiro livro, o nosso orgulho. É magia, palco do mundo, natal dos dias. Janelas, portas abertas e maresias.

Quando o perdemos, uma parte do corpo é decepada. Ficamos agrestes, ao sabor do vento que nos arrasta para a nossa própria vida. Damos conta de uma revolta surda e o mar perde um pouco a sua cor. Viramos fera ferida, presa ameaçada. Segredo velhacamente profanado em dias pardos como este.

Perdi o meu a 19, faz tempo. Trezes anos, para ser mais rigoroso.

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15.3.05



Atarefado, mas vivinho da costa

Esta semana tenho que andar assim.
Estou num horário lixado, que nem é carne nem é peixe, e é provável que não consiga acompanhar todos os blogs da rapaziada amiga. Muito menos, outros que também prezo.
Por isso, não estranhe se calhar a si eu lhe aparecer só p'rá semana.

As minhas desculpas.

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13.3.05


Desenho de Javier Calvo


Porque a Sofia está a dormir, os Netescritores fazem um ano de blog e já não vejo ninguém à frente do Benfica.


As minhas sugestões:

- "Memória das Minhas Putas Tristes" de Gabriel García Marquez
- "Million Dollar Baby" de Clint Eastwood
- "Badoca Park"

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11.3.05



Provavelmente, hoje, quase toda a gente fala, ou falará, sobre terrorismo.
Eu também o faço, não numa de análise sociológica ou vincadamente partidária, (sou inculto o bastante para que possa aprofundar o assunto), mas apenas como se estivesse a deambular sobre o tema com amigos à mesa do café a ver passar mulheres vistosas.

Sobre actos perpetrados em solo nacional, os portugueses não se podem queixar. O sermos pacatos, obedientes, e não constar da lista das ameaças estrangeiras, muito menos invasoras, são pontos a nosso favor. Ao contrário de países poderosos, onde a força política instalada agride, interfere, invade, rouba, mata e sacrifica outros povos para seu próprio benefício, em nome de sei lá quantos disparates e ganâncias, que seria de esperar senão uma retaliação que posso muito bem apelidar de legítima defesa.

Esta afirmação pode custar-me cara, da forma como será entendida. Pensarão: “este gajo defende o terrorismo!”? Nada disso. Mas entendo-o.
E não ter passado por situações que os chamados actos terroristas provocam, não me impede, também, de entender a dor, o sofrimento, a revolta de quem, diz-se, não ter nada a ver com isso. Mas tem. Os analistas na matéria não o escondendo, velam-no.
E os politicamente correctos sabem disso.

A sociedade actual funciona dum maneira tão indecorosa que o cidadão comum não se apercebe que é carne para canhão, moeda de troca. Seja em Jerusalém, em Nova Iorque, Bagdade ou na Cochinchina. Os veículos de transmissão das regras impostas pelos senhores do mundo encarregam-se disso. Os submissos também.

Os tempos são outros, pode-se contrapor. Está certo. Mas as lutas continuam as mesmas. O que mudou foram os métodos. E desde que o mundo é mundo, o Homem sempre quis ser um caçador nato. Mas qualquer presa tem o direito, e o dever, a defender-se do predador.

É importante não descurar esse pequeno pormenor.

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8.3.05



Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas lutam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se na injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando sabem existir melhor solução.
Elas andam sem sapatos novos para os filhos poderem tê-los.

Elas vão ao médico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.
Elas choram quando os filhos adoecem e se alegram quando ganham prémios.
Elas ficam contentes quando sabem de um aniversário ou um novo casamento.

Pablo Neruda

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7.3.05



Os Netescritores

“Ao amigo Eduardo que quase todos os dias nos visita e que com atenção lê tudo o que escrevemos…”

Por natureza sou um indivíduo excessivamente sensível a tópicos que me tocam mais de perto e não sustenho com facilidade a fase lacrimante da consequência.
Quando se trata de crianças, então, é o caos total e os meus sentidos ficam em cacos.
Num acaso, vai para um ano, descobri estes pequenotes e nunca mais os larguei. Assim como outros bloggers onde a amizade virtual se fez obrigatória.

Na mensagem recebida que acima transcrevo uma parte, senti-me como se eles, além dos sete filhos que tenho, e quase igual número de netos, dos meus fizessem parte.
Como crianças que são, admiro-as. A rebeldia dos seus actos surpreende-me. A pureza com que se manifestam transcende-me.

E estes pequenotes estão na sua fase de afirmação pessoal. Estão agora a descobrir de como é feito o mundo e a definir a sua própria escolha entre o que é bem e o que é mal.
Fazem-no de diversas formas e com os meios que têm mais à mão: o computador e o blog. São crianças que nos contam histórias, escrevem poemas e cantam livremente o que o seu pequenino/grande coração transporta. De modo simples como fazem todas as crianças. E com o apoio incondicional da sua professora vimaranense: a Emília Miranda.

Deles, tenho a estima. O carinho e a certeza de que estão no rumo certo.
Para eles tenho apenas uma palavra: Obrigado.

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6.3.05



Há dias assim

Hoje, não sei porquê, sinto-me assim-assim.
Ou é da terra girar mais rapidamente do que o costume, (facto que me põe a cabeça em fanicos) ou da variedade de pessoas que não conheço mas que me assinalam e me acarinham.

Por um lado, sinto-me bem. Talvez pelas comodidades e atenções de que sou alvo e sinta como duma qualquer transcendência orbital tivesse renascido.
Por outro, desgasto-me a pensar como retribuir e fico mal. Parece que me sinto anulado, incapacitado e ao quadrado. Sou capaz de estar absorvido até, para uma melhor compreensão pedagógica da coisa, por algum malefício asiático ou por algum vírus que ninguém ainda descobriu.

Seja como for, incrédulo como sempre fui, pode ser que o futuro que me resta seja a resposta ao passado que nas mãos de outros existe. Para bem de todos e de mim. Mesmo que sejam filhos da fruta. E sabe porquê?. Porque há dias assim.

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1.3.05



Esta coisa de escrever nos blogs tem muito que se lhe diga.

Se por acaso, o espaço em branco abaixo introduzido fosse propriedade sua, o que lhe apetecia escrever que não possa dizer no seu?
















.Está a ver? Não é tão fácil assim...