3.5.09


Filho da puta (ou o Dia da Mãe)


Se existem datas para aquém d’Abril, de todos os Maios anteriores às canções da resistência, ou muito anos antes de todas as revoluções, um deles é o dia da Mãe.


A mãe, é um laço fraterno a que nunca nos desligamos. Por muito até que façamos força (no parto até ajudava), só muito radicalmente nos cortamos do nó umbilical. É uma relação intrínseca que fica para sempre. Sejam elas boas, más, assim-assim, ou o que por isso queiram “explicar” os tipos que ganham “algum” na explanação da matéria.
Por mim, tenho guardado o meu sentimento em relação à minha.

Mas justiça se lhe seja feita: são as melhores pessoas do mundo que qualquer criança, em idade maternal, diz. E ponto final.

Segundo Freud, um tipo que não tive o privilégio de conhecer, já sabia explicar que a História é omissa no enaltecer o papel das mães. Desde Rhea, mulher de Cronos, e Mãe dos Deuses, segundo a Grécia Antiga, até às nossas mais simples: que vão ao Pingo Doce, porque é mais barato, e poupam no pão e nos vestidos e cremes para a pele que enrugada dos anos tidos já não perdoa, qualquer gajo que se julgue de sucesso devia atribuir um papel fundamental à mãe. Mesmo que custe admitir a muitos mestrados e doutores e engenheiros desta geração com que lido todos os dias.

A mãe tem um sentido que devia estar agregada ao 25 de Abril, ao 1.º De Maio, ou a todos os feriados nacionais que constam da nossa História. A todas as Revoluções ou mudanças de regimes.
Sócrates, o grego, sentiu na pele o papel da mãe. Estes “Sócrates” que vos governam nem por isso. E provavelmente, outra escolha que os “tugas” que se queixam todos os dias nas filas de atendimento, nos transportes, da incompetência dos serviços públicos, vão chamar o nome feio no primeiro título deste post à mãe desses gajos todos.
Não deveria estar certo. Era bom preservar o nome da mãe que os pariu. E os educou. E ajudou a formar, por vezes com o sacríficio que elas próprias escondem durante a vida toda, para "servir" a pátria. Assim fez salazar quando pediu às mães deste país o sacrifício dos filhos em prol dumas coisas que eu cá sei.



De qualquer forma, hoje é um dia de todos os dias da Mãe. Chegam de madrugada como as manhãs de Abril. Como as noites de preocupação com o choro duma reivindicação de Maio. A angústia da perda do sustento numa manhã de nevoeiro. O espelho da actualidade de factos que parecem incontornáveis quando uma mãe ainda jovem, se lembra dum ditado antigo: “quem tem mãe tem tudo, quem não tem mãe não tem nada.”

Eu já não tenho a minha. Agora já posso chamar aos gajos do governo de filhos da mãe. Mas aos que vão vindo por aqui, estimem as vossas enquanto puderem.