21.1.05



Seixal-Lisboa-Seixal

Numa cidade com mais de um milhão de pessoas entre as oito horas da manhã e as sete da tarde é difícil reconhecermos alguém durante esta viagem.
As pessoas levantam-se absortas, programadas e sem um pingo de alegria nos olhos.
À medida dos seus trajectos, tomam um pequeno-almoço errado e insuficiente, pegam o Destak na estação e dão uma vista d’olhos apressada pela outra informação.
Compram tabaco, uma revista e sentam-se para, em média, cinquenta e seis minutos de pública tortura.
Para muitos, um suplício maior do que o de Tântalo.

Hoje, declaradamente, fiz figura de parvo, mas não resisti olhar nas pessoas os seus tic-tac matinais e saber como que se envolvem nesta viagem.
Por hábito, as pessoas não entabulam conversa. Os portugueses ainda menos. Olham pela janela, distantes, a paisagem que sabem de cor e salteada. Olham diversas vezes para o relógio como se pudessem controlar o tempo que lhes foge. Remexem-se, inquietos, nas curtas cadeiras, suficientemente mini para quem tenha cento e noventa centímetros de altura e pernas longas. E não estou a falar de Naomi Campbell.

Os horários são outra desgraça que afecta quem viaja à procura do pão, do suor e das lágrimas.
As mentes brilhantes das administrações dos vários concessionários nos serviços de transportes, optaram pela redução em vez da dispersão e do método. Conseguem afunilar dez pessoas por metro quadrado. Juntam-nas em magotes de massa humana em movimento lento e levam-nas. Como quem dirige um rebanho opaco, Sempre na pior das horas: a de ponta. Quentinhas, ao molho e obrigatoriamente aconhegadas. Na fé de que um dia destes metade delas se reforme.

Para agravar ainda mais a situação, a maior parte das pessoas não sabe andar de Metro, escada rolante, ou até mesmo saber como funciona, socialmente falando, uma fila na paragem do autocarro.
Devido, quiçá, à múltipla variedade de raças e credos desta moderna escravatura, muito menos se preocupam por onde anda o título de transporte ou se trazem os trocos certos para a compra do ticket. E perdem-se minutos. Horas.
E paciência.

Será por isso que estou sempre desejoso de chegar a casa?

1 comentário:

titas disse...

ora então comecemos pelo Molin.... andar a pé é o que está a dar ... e então sem roupinha para mudar eheheheh

e vamos para a Cinda... como a minha mana, eu também tenho o luxo de trabalhar em casa ... o que, por vezes, também é mau...
lá precisamos que nos apareça um gajo com uma música nova e nos dê um pontapé no rabo para nos obrigar a sair da cama!

Ahhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!
Obrigada!| Pela música e pelo pontapé!